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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2024

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg184674
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Em relação à suplementação hormonal em mulheres, analise as assertivas abaixo:I. A suplementação da testosterona em mulheres deve ser indicada para melhora do risco cardiovascular.II. A contracepção hormonal oral combinada exerce efeito deletério no sistema cardiovascular.III. Na estratificação de risco cardiovascular, é necessário incluir a avaliação de antecedentes ginecológicos e o uso de hormônios sexuais ao longo da vida.Quais estão corretas?
  1. AApenas II.
  2. BApenas III.
  3. CApenas I e III.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Suplementação hormonal e risco cardiovascular em mulheres

Gabarito: letra B (apenas III). A testosterona não deve ser indicada em mulheres para melhora do risco cardiovascular — essa não é uma indicação reconhecida e pode, inclusive, trazer riscos; a contracepção hormonal oral combinada, embora aumente o risco de eventos tromboembólicos venosos e de trombose arterial em alguns grupos, não pode ser generalizada como "efeito deletério no sistema cardiovascular" de forma absoluta, pois o risco absoluto é baixo em mulheres jovens e saudáveis; já a assertiva III está correta, pois a estratificação de risco cardiovascular deve incluir antecedentes ginecológicos e o uso de hormônios sexuais ao longo da vida, conforme recomendações de diretrizes de prevenção cardiovascular.

A questão aborda a interface entre terapia hormonal e saúde cardiovascular feminina, tema que exige conhecimento das diretrizes de prevenção cardiovascular e de anticoncepção. Vamos entender cada ponto com profundidade.

O que é a suplementação de testosterona em mulheres? A testosterona é um androgênio presente em menores concentrações no organismo feminino. Sua suplementação é estudada principalmente para o tratamento do desejo sexual hipoativo (baixa libido) em mulheres na pós-menopausa, especialmente após a retirada cirúrgica dos ovários. Não há evidência científica que sustente sua indicação para melhora do risco cardiovascular. Pelo contrário, androgênios em excesso podem ter efeitos adversos, como alterações no perfil lipídico (redução do HDL, aumento do LDL), que poderiam, teoricamente, aumentar o risco cardiovascular. Portanto, a assertiva I está incorreta: a indicação de testosterona não é para benefício cardiovascular.

A contracepção hormonal oral combinada (COC) e o sistema cardiovascular: Os contraceptivos orais combinados (estrogênio + progestagênio) têm efeitos conhecidos sobre o sistema cardiovascular. O principal risco é o aumento da incidência de tromboembolismo venoso (TVP) e de trombose arterial (AVC isquêmico, IAM), especialmente em mulheres com fatores de risco como tabagismo, hipertensão, idade > 35 anos e migrânea com aura. No entanto, o risco absoluto em mulheres jovens e saudáveis é baixo (menos de 1 caso de TVP por 1.000 usuárias/ano). Além disso, o uso de COC também tem efeitos benéficos, como a redução do risco de câncer de ovário e endométrio. A assertiva II afirma que a COC "exerce efeito deletério no sistema cardiovascular" de forma genérica. Essa afirmação é uma generalização indevida: o efeito deletério não é universal, depende do perfil de risco da mulher, da dose e do tipo de progestagênio. Em mulheres jovens, não tabagistas e sem outros fatores de risco, o risco cardiovascular é mínimo. Portanto, a assertiva II está incorreta por ser uma generalização.

Estratificação de risco cardiovascular e história ginecológica: A assertiva III está correta. As diretrizes de prevenção cardiovascular (como as da American Heart Association e da Sociedade Brasileira de Cardiologia) recomendam que a avaliação de risco cardiovascular em mulheres inclua fatores de risco específicos do sexo feminino, como história de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, menopausa precoce, síndrome dos ovários policísticos e o uso de hormônios sexuais (contraceptivos orais, terapia hormonal da menopausa). Esses fatores são considerados "fatores de risco específicos de mulheres" ou "modificadores de risco" e devem ser incorporados à estratificação. A inclusão desses antecedentes permite uma avaliação mais precisa do risco cardiovascular global da mulher.

A pegadinha da questão está na generalização: a banca apresenta afirmações que contêm um fundo de verdade (a COC tem efeitos cardiovasculares; a testosterona tem efeitos no organismo) mas as distorce ao torná-las absolutas ou ao atribuir uma indicação que não existe. O candidato que sabe que a COC aumenta o risco de trombose pode marcar a assertiva II como correta, mas a afirmação "exerce efeito deletério no sistema cardiovascular" é ampla demais e desconsidera o contexto de risco individual. Da mesma forma, quem sabe que a testosterona é usada para libido pode não perceber que a assertiva I atribui uma indicação cardiovascular que não é reconhecida.

Guarde o critério decisivo: a diferença entre "aumenta o risco em determinados grupos" (verdadeiro para a COC) e "exerce efeito deletério" (generalização incorreta); e a diferença entre "indicação real da testosterona" (desejo sexual hipoativo) e "indicação para risco cardiovascular" (inexistente). É exatamente nesses dois pontos que as assertivas I e II caem.

Hormônios e risco cardiovascular
  • 1Testosterona
    • Indicação real: desejo sexual hipoativo
    • Não indicada p/ risco cardiovascular
  • 2Contracepção oral combinada
    • Efeito deletério generalizado (incorreto)
    • Risco baixo em jovens saudáveis
    • Depende de fatores individuais
  • 3Estratificação de risco
    • Incluir antecedentes ginecológicos
    • Incluir uso de hormônios sexuais
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Item I — ❌ Incorreto

A suplementação de testosterona em mulheres não é indicada para melhora do risco cardiovascular. A indicação reconhecida é para o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (baixa libido), principalmente em mulheres na pós-menopausa, especialmente após ooforectomia (retirada dos ovários). Não há evidência de benefício cardiovascular; ao contrário, androgênios podem alterar o perfil lipídico de forma desfavorável (reduzir HDL, aumentar LDL), o que poderia até aumentar o risco cardiovascular. A banca explora a confusão entre os efeitos androgênicos e uma suposta indicação cardiovascular que não existe na prática clínica.

Item II — ❌ Incorreto

A afirmação de que a contracepção hormonal oral combinada "exerce efeito deletério no sistema cardiovascular" é uma generalização indevida. É verdade que os COCs aumentam o risco de tromboembolismo venoso e de trombose arterial (AVC isquêmico, IAM), mas esse risco é baixo em mulheres jovens e saudáveis (menos de 1 caso de TVP por 1.000 usuárias/ano) e depende de fatores de risco individuais (tabagismo, hipertensão, idade > 35 anos, migrânea com aura, trombofilias). Além disso, os COCs têm efeitos benéficos, como a redução do risco de câncer de ovário e endométrio. A assertiva ignora o contexto de risco individual e apresenta o efeito como universal, o que a torna incorreta. O correto seria afirmar que os COCs "podem aumentar o risco cardiovascular em mulheres com fatores de risco" ou que "aumentam o risco de eventos tromboembólicos".

Item III — ✅ Correto

A assertiva está correta. A estratificação de risco cardiovascular em mulheres deve incluir a avaliação de antecedentes ginecológicos e o uso de hormônios sexuais ao longo da vida. Isso está alinhado com as diretrizes de prevenção cardiovascular, que reconhecem fatores de risco específicos do sexo feminino, como:

  • História de pré-eclâmpsia ou diabetes gestacional;

  • Menopausa precoce (antes dos 40 anos);

  • Síndrome dos ovários policísticos;

  • Uso de contraceptivos orais combinados;

  • Uso de terapia hormonal da menopausa.

Esses fatores são considerados modificadores de risco e devem ser incorporados à avaliação global de risco cardiovascular da mulher, permitindo uma abordagem mais precisa e individualizada.

Conclusão: Corretos: apenas o item III → portanto a alternativa é a letra B.

Gabarito: letra B

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