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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg184686
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Um homem de 65 anos com diagnóstico de doença de Parkinson há 4 anos apresenta tremor em repouso, rigidez muscular e bradicinesia que começaram a afetar suas atividades diárias. Nos últimos meses, ele desenvolveu flutuações motoras e discinesias relacionadas ao uso de levodopa. Qual é a melhor estratégia terapêutica para otimizar o controle dos sintomas motores nesse estágio da doença?
  1. AAumentar a dose de levodopa.
  2. BAdicionar um agonista dopaminérgico, como pramipexol.
  3. CInterromper o uso de levodopa e iniciar anticolinérgicos.
  4. DAdicionar inibidor da monoamina oxidase B (IMAO-B), como selegilina.
  5. ERealizar estimulação cerebral profunda (deep brain stimulation – DBS).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Adicionar um agonista dopaminérgico, como pramipexol.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença de Parkinson: manejo das complicações motoras

Gabarito: letra B. Em paciente com doença de Parkinson (DP) em estágio avançado, com flutuações motoras e discinesias induzidas por levodopa, a melhor estratégia é adicionar um agonista dopaminérgico, como pramipexol, pois essa classe reduz as complicações motoras e permite otimizar o controle sintomático sem aumentar a dose de levodopa (fonte: diretrizes de tratamento da DP, como as da Movement Disorder Society e protocolos clínicos). As demais alternativas ou são inapropriadas (aumentar levodopa, interromper levodopa, usar anticolinérgicos) ou são opções de segunda linha (IMAO-B, DBS) para casos selecionados.

A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva, caracterizada pela perda de neurônios dopaminérgicos na substância negra, levando à tríade clássica: tremor de repouso, rigidez e bradicinesia. O tratamento sintomático de primeira linha é a levodopa, que repõe a dopamina no cérebro. Porém, com a progressão da doença, o uso crônico de levodopa leva a complicações motoras, como flutuações (fenômeno wearing off e on-off) e discinesias (movimentos involuntários coreicos ou distônicos). Essas complicações ocorrem porque a levodopa estimula os receptores dopaminérgicos de forma pulsátil, e não contínua, à medida que os neurônios remanescentes degeneram.

Quando surgem essas complicações, a estratégia é otimizar o esquema terapêutico sem aumentar a dose de levodopa, pois doses maiores pioram as discinesias. As principais opções são:

  • Agonistas dopaminérgicos (pramipexol, ropinirol, rotigotina): reduzem as flutuações e discinesias, permitindo reduzir a dose de levodopa. São a primeira escolha para adicionar nesse cenário, especialmente em pacientes mais jovens.

  • IMAO-B (selegilina, rasagilina): também podem ser adicionados, mas são menos eficazes que os agonistas para controlar flutuações já estabelecidas.

  • Inibidores da COMT (entacapona, tolcapona): prolongam o efeito da levodopa, úteis no wearing off, mas não são a primeira opção isolada.

  • Amantadina: eficaz especificamente para discinesias, mas não para flutuações.

  • Estimulação cerebral profunda (DBS): opção cirúrgica para casos refratários, com boa resposta à levodopa, sem contraindicações e com cognição preservada.

No caso apresentado, o paciente tem 65 anos, DP há 4 anos, com flutuações e discinesias. A melhor conduta é adicionar um agonista dopaminérgico, pois isso melhora o controle motor e reduz as complicações, sem aumentar a dose de levodopa. A alternativa B está correta.

A pegadinha da questão está em confundir as opções de tratamento: aumentar a levodopa (A) pioraria as discinesias; interromper a levodopa (C) é perigoso (risco de síndrome neuroléptica maligna) e os anticolinérgicos são pouco eficazes e têm efeitos colaterais; IMAO-B (D) é opção, mas menos eficaz que agonistas; DBS (E) é reservada para casos refratários, não sendo a primeira escolha nesse momento.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Aumentar a dose de levodopa pioraria as discinesias e flutuações, pois o problema é justamente a estimulação pulsátil causada pela levodopa. A conduta correta é reduzir ou manter a dose e adicionar outra classe, não aumentar.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Adicionar um agonista dopaminérgico (pramipexol) é a estratégia recomendada para otimizar o controle motor em pacientes com flutuações e discinesias, pois reduz a necessidade de levodopa e melhora os sintomas. É a primeira escolha nesse cenário.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Interromper a levodopa e iniciar anticolinérgicos é perigoso (risco de síndrome neuroléptica maligna) e os anticolinérgicos são pouco eficazes para os sintomas motores avançados, além de terem efeitos colaterais cognitivos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

IMAO-B (selegilina) pode ser usado, mas é menos eficaz que os agonistas dopaminérgicos para controlar flutuações já estabelecidas. Não é a melhor estratégia de primeira linha nesse caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

DBS é uma opção cirúrgica para casos refratários ao tratamento clínico otimizado, com boa resposta à levodopa e sem contraindicações. Não é a primeira escolha quando ainda há opções farmacológicas a adicionar.

Gabarito: letra B

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