Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2024
- Código
- qg184690
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- SES-RJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- AAmoxicilina
- BCloranfenicol
- CCiprofloxacina
- DAzitromicina
- ECeftriaxona
GabaritoA — Amoxicilina
Gabarito: letra A (Amoxicilina). Apesar de a ciprofloxacina ser historicamente o tratamento clássico da febre tifoide, a crescente resistência antimicrobiana — especialmente em viajantes vindos do sul da Ásia — fez com que as fluoroquinolonas deixassem de ser a primeira linha em muitos contextos. A amoxicilina, um betalactâmico, é uma das opções de primeira linha para o tratamento da febre tifoide não complicada, sendo eficaz contra a Salmonella typhi sensível. O contexto clínico apresentado (febre alta, hepatoesplenomegalia, roséola tífica, hemocultura positiva) confirma o diagnóstico, e a escolha do antibiótico deve considerar o perfil de resistência local e a procedência do paciente.
A febre tifoide é uma doença septicêmica causada pela Salmonella typhi, transmitida por água e alimentos contaminados. O quadro clássico evolui em semanas, com febre progressiva, bradicardia relativa (sinal de Faget), hepatoesplenomegalia e a característica roséola tífica — manchas róseas maculopapulares no tronco que clareiam à pressão. O diagnóstico é confirmado pela hemocultura, que tem boa sensibilidade na primeira semana de doença. O tratamento envolve hidratação e antibioticoterapia, e a escolha do agente é o ponto central desta questão.
Historicamente, o cloranfenicol foi o tratamento de escolha, mas caiu em desuso por sua toxicidade (anemia aplásica) e pela resistência bacteriana. As fluoroquinolonas, como a ciprofloxacina, tornaram-se o padrão-ouro nas décadas de 1990 e 2000, mas a emergência de cepas resistentes — particularmente na Ásia — levou as diretrizes a recomendar cautela. Para pacientes que viajam a regiões de alta resistência, ou quando há suspeita de cepa resistente, alternativas como a ceftriaxona (cefalosporina de terceira geração), a azitromicina (macrolídeo) e a amoxicilina são opções de primeira linha.
A questão, portanto, testa o conhecimento atualizado sobre o manejo da febre tifoide: a amoxicilina é uma escolha adequada e de primeira linha, especialmente em casos não complicados e quando a cepa é sensível. A banca explora a pegadinha de o candidato marcar automaticamente a ciprofloxacina por ser o tratamento "clássico", sem considerar a atualização das diretrizes frente à resistência antimicrobiana.
A banca explora a memória do candidato: a ciprofloxacina (letra C) é o tratamento historicamente clássico da febre tifoide, mas a resistência antimicrobiana crescente — especialmente em viajantes do sul da Ásia — fez com que as fluoroquinolonas deixassem de ser a primeira escolha em muitos contextos. A amoxicilina, um betalactâmico, é uma opção de primeira linha válida e eficaz para cepas sensíveis. O candidato que responde "no automático" cai na armadilha.
A amoxicilina é um betalactâmico (aminopenicilina) com boa atividade contra a Salmonella typhi sensível. É uma opção de primeira linha para o tratamento da febre tifoide não complicada, especialmente em regiões onde a resistência às fluoroquinolonas é prevalente. O contexto clínico apresentado — febre alta, hepatoesplenomegalia, roséola tífica e hemocultura positiva — confirma o diagnóstico, e a amoxicilina é uma escolha terapêutica adequada e eficaz.
O cloranfenicol foi historicamente o tratamento de escolha da febre tifoide, mas caiu em desuso devido à sua toxicidade (risco de anemia aplásica) e à emergência de cepas resistentes. Embora ainda seja usado em algumas regiões, não é a terapia de escolha na prática clínica atual, sendo superado por opções mais seguras e eficazes.
A ciprofloxacina é o tratamento clássico da febre tifoide, mas a crescente resistência antimicrobiana — especialmente em viajantes do sul da Ásia — fez com que as fluoroquinolonas deixassem de ser a primeira linha em muitos contextos. O contexto clínico não especifica a procedência do paciente, mas a tendência atual é evitar a ciprofloxacina como primeira escolha empírica, priorizando alternativas como a amoxicilina, a ceftriaxona ou a azitromicina.
A azitromicina é um macrolídeo com boa atividade contra a Salmonella typhi e é uma opção válida para o tratamento da febre tifoide, especialmente em casos de resistência às fluoroquinolonas. No entanto, não é a terapia de escolha de primeira linha na maioria dos protocolos, sendo mais utilizada como alternativa em situações específicas, como alergia a betalactâmicos ou resistência a outros agentes.
A ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração com excelente atividade contra a Salmonella typhi e é uma opção de primeira linha para o tratamento da febre tifoide, especialmente em casos graves ou quando há suspeita de resistência às fluoroquinolonas. No entanto, a amoxicilina é igualmente eficaz para cepas sensíveis e é a escolha preferencial em casos não complicados, sendo a ceftriaxona mais reservada para situações específicas, como doença grave ou resistência comprovada.
Gabarito: letra A
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