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Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2024

MedicinaPneumologia
Código
qg184691
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Um homem de 35 anos apresenta tosse seca persistente, dispneia leve e fadiga há 3 meses. Ele também refere lesões cutâneas não pruriginosas em ambas as pernas. O exame físico revela linfonodomegalia cervical palpável. A radiografia de tórax mostra adenopatia hilar bilateral e infiltrados pulmonares difusos. A biópsia de uma lesão cutânea demonstra granulomas não caseosos. Com base no provável diagnóstico de sarcoidose, qual é a conduta terapêutica inicial mais apropriada?
  1. ACorticosteroides orais.
  2. BAnti-inflamatórios não esteroides (AINEs).
  3. CMetotrexato como terapia imunossupressora de primeira linha.
  4. DAntibióticos para tratar infecção bacteriana associada.
  5. EBroncodilatadores inalatórios.
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GabaritoA — Corticosteroides orais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sarcoidose: diagnóstico e conduta terapêutica inicial

Gabarito: letra A. Na sarcoidose com sintomas sistêmicos e lesões cutâneas, a conduta inicial apropriada é o uso de corticosteroides orais, que são a base do tratamento para controlar a inflamação granulomatosa e aliviar os sintomas. O diagnóstico é sustentado pela tríade clínico-radiológica: tosse seca, adenopatia hilar bilateral e granulomas não caseosos na biópsia de pele.

A sarcoidose é uma doença inflamatória sistêmica de causa desconhecida, caracterizada pela formação de granulomas não caseosos em múltiplos órgãos, mais comumente pulmões e linfonodos. A apresentação clínica é variada: muitos pacientes são assintomáticos, com achados incidentais em radiografias de tórax, enquanto outros apresentam sintomas vagos e crônicos, como febre baixa, fadiga, tosse seca e dispneia. As manifestações cutâneas incluem eritema nodoso, placas, nódulos e lúpus pérnio. A síndrome de Löfgren (eritema nodoso, febre, artrite e adenopatia hilar) e a síndrome de Heerfordt (uveíte, parotidite e paralisia facial) são apresentações agudas associadas a melhor prognóstico.

O tratamento da sarcoidose depende da gravidade e dos órgãos envolvidos. Em muitos casos, a doença é autolimitada e não requer tratamento. No entanto, quando há sintomas significativos, como tosse persistente, dispneia, fadiga ou envolvimento cutâneo, os corticosteroides orais (prednisona) são a primeira linha de tratamento. Eles atuam suprimindo a resposta inflamatória granulomatosa, reduzindo os sintomas e prevenindo danos aos órgãos. A dose inicial típica é de 20 a 40 mg/dia de prednisona, com ajuste conforme a resposta clínica.

A escolha da conduta inicial deve considerar a presença de sintomas e a extensão do envolvimento. Neste caso, o paciente apresenta tosse seca persistente, dispneia leve, fadiga e lesões cutâneas, indicando doença ativa que merece tratamento. Os corticosteroides orais são a opção mais apropriada, pois controlam a inflamação sistêmica. Outras opções, como metotrexato, são reservadas para casos refratários ou como poupadores de corticoides, não como primeira linha. AINEs podem ser usados para sintomas musculoesqueléticos, mas não tratam a inflamação granulomatosa subjacente. Antibióticos não têm papel, pois a sarcoidose não é uma infecção bacteriana. Broncodilatadores são úteis apenas se houver broncoespasmo associado, o que não é o caso.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de a sarcoidose ser uma doença inflamatória, o tratamento inicial não é com AINEs, mas sim com corticosteroides. A banca explora a confusão entre o manejo de condições inflamatórias leves (AINEs) e o tratamento específico da sarcoidose sintomática (corticosteroides). Além disso, é importante não confundir sarcoidose com tuberculose, que também causa granulomas, mas caseosos, e é tratada com antibióticos.

Sarcoidose
  • 1Diagnóstico
    • Granulomas não caseosos
    • Adenopatia hilar bilateral
    • Sintomas sistêmicos (tosse, fadiga, lesões de pele)
  • 2Tratamento inicial
    • Corticosteroides orais (prednisona)
    • AINEs (não tratam granulomas)
    • Metotrexato (2ª linha/poupador)
    • Antibióticos (não é infecção)
    • Broncodilatadores (padrão restritivo)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os corticosteroides orais são a conduta terapêutica inicial mais apropriada para sarcoidose sintomática. O paciente apresenta tosse, dispneia, fadiga e lesões cutâneas, indicando doença ativa que requer supressão da inflamação granulomatosa. A prednisona é o corticoide mais utilizado, com dose inicial de 20 a 40 mg/dia, ajustada conforme a resposta clínica. O tratamento visa controlar os sintomas, melhorar a função pulmonar e prevenir danos aos órgãos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Os AINEs podem aliviar sintomas musculoesqueléticos, como artralgia, mas não tratam a inflamação granulomatosa subjacente da sarcoidose. Eles não têm efeito sobre os granulomas não caseosos nem sobre a adenopatia hilar. O uso de AINEs como monoterapia seria inadequado para um paciente com sintomas sistêmicos e envolvimento cutâneo, pois não controlaria a progressão da doença.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O metotrexato é um imunossupressor usado como terapia de segunda linha ou poupadora de corticoides na sarcoidose, especialmente em casos refratários ou com efeitos colaterais significativos dos corticosteroides. Não é a primeira linha de tratamento. A indicação inicial é sempre com corticosteroides, reservando o metotrexato para quando houver falha ou intolerância ao corticoide.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sarcoidose não é causada por infecção bacteriana, portanto antibióticos não têm papel no tratamento. Os granulomas não caseosos são característicos da sarcoidose, diferenciando-a da tuberculose, que apresenta granulomas caseosos e é tratada com esquema antibiótico específico. O uso de antibióticos seria inapropriado e não traria benefício clínico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Broncodilatadores inalatórios são indicados para doenças obstrutivas das vias aéreas, como asma e DPOC, que cursam com broncoespasmo. Na sarcoidose, o padrão é restritivo, com infiltrados pulmonares difusos e adenopatia hilar, sem evidência de obstrução ao fluxo aéreo. Portanto, broncodilatadores não são a conduta inicial apropriada.

Gabarito: letra A

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