Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — FUNDATEC 2024
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qg184692
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Uma mulher de 72 anos apresenta dor e rigidez em ombros, pescoço e quadris, com piora pela manhã e melhora ao longo do dia. Os sintomas começaram há 3 meses e são acompanhados de fadiga e perda de apetite. Ela não apresenta sinais de fraqueza muscular objetiva. Exames laboratoriais revelam elevação importante da velocidade de hemossedimentação (VHS) e da proteína C-reativa (PCR). Qual é o tratamento inicial mais adequado para essa paciente com suspeita de polimialgia reumática?
AMetotrexato, um imunossupressor de primeira linha.
BPrednisona em baixa dose.
CAnti-inflamatórios não esteroides (AINEs).
DHidroxicloroquina, usada para doenças reumatológicas.
EInibidores de TNF-alfa, como etanercepte.
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GabaritoB — Prednisona em baixa dose.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Polimialgia reumática: tratamento inicial
Gabarito: letra B. Na polimialgia reumática (PMR), o tratamento inicial de escolha é a prednisona em baixa dose (12,5–25 mg/dia), que promove resposta dramática e rápida dos sintomas. As demais opções (metotrexato, AINEs, hidroxicloroquina e inibidores de TNF-alfa) não são primeira linha para essa condição.
A polimialgia reumática é uma síndrome inflamatória que afeta principalmente mulheres acima de 50 anos, caracterizada por dor e rigidez matinal prolongada (>1 hora) em cintura escapular, cintura pélvica e pescoço, acompanhada de sintomas sistêmicos como fadiga, anorexia e perda de peso. Os exames laboratoriais mostram marcadores inflamatórios bastante elevados (VHS e PCR), enquanto a força muscular permanece preservada — exatamente o quadro descrito no enunciado.
O diagnóstico é essencialmente clínico, apoiado pelos marcadores inflamatórios, e a resposta rápida à corticoterapia é um critério diagnóstico importante. A prednisona em baixa dose é o pilar do tratamento, com melhora significativa em 24–72 horas. A dose inicial costuma ser de 15 mg/dia (variando de 12,5 a 25 mg), com redução gradual após controle dos sintomas. O tratamento costuma durar de 1 a 2 anos, com monitoramento clínico e laboratorial periódico.
É fundamental distinguir a PMR da arterite de células gigantes (ACG), que pode coexistir em cerca de 40% dos casos. Na ACG, o tratamento exige doses altas de corticosteroides (prednisona 40–60 mg/dia) para prevenir complicações graves como cegueira. Na PMR isolada, doses baixas são suficientes e mais seguras, minimizando efeitos adversos.
A banca explora a confusão entre PMR e outras doenças reumáticas, como artrite reumatoide (AR) e fibromialgia. Na AR, o tratamento inicial envolve DMARDs como metotrexato; na fibromialgia, não há inflamação sistêmica e o manejo é sintomático. A PMR, por ser uma condição inflamatória com resposta exuberante a corticosteroides, tem na prednisona em baixa dose a primeira escolha.
Guarde o critério decisivo: PMR → prednisona em baixa dose; ACG → prednisona em alta dose; AR → metotrexato; fibromialgia → abordagem não farmacológica e sintomática. É essa distinção que separa as alternativas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O metotrexato é um DMARD (fármaco antirreumático modificador do curso da doença) usado como primeira linha na artrite reumatoide, não na polimialgia reumática. Na PMR, o metotrexato pode ser considerado como agente poupador de esteroides em casos de recidiva ou para reduzir a dose cumulativa de corticoides, mas nunca como tratamento inicial isolado.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A prednisona em baixa dose (12,5–25 mg/dia) é o tratamento inicial de escolha para polimialgia reumática. A resposta clínica é rápida e dramática, com melhora da dor e rigidez em poucos dias. A dose deve ser ajustada para a menor eficaz e reduzida gradualmente, com monitoramento de efeitos adversos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os AINEs podem aliviar sintomas leves, mas não controlam a inflamação sistêmica da PMR e não são recomendados como tratamento inicial. A resposta aos AINEs é insuficiente e o risco de efeitos adversos (gastrintestinais, renais, cardiovasculares) é relevante, especialmente em idosos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hidroxicloroquina é um antimalárico usado em doenças como lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide leve, mas não tem papel no tratamento da polimialgia reumática. Não há evidência de eficácia para essa condição.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os inibidores de TNF-alfa (como etanercepte) são agentes biológicos usados em doenças como artrite reumatoide, espondiloartrites e psoríase. Na PMR, não são primeira linha; podem ser considerados em casos refratários, mas a base do tratamento é a corticoterapia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o tratamento da PMR pelo da artrite reumatoide (metotrexato) e pelo da ACG (corticoides em alta dose). Lembre-se: PMR responde a baixa dose de prednisona; ACG exige alta dose para prevenir cegueira. Essa distinção é clássica em provas de reumatologia.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental: PMR → prednisona 15 mg/dia; ACG → prednisona 40–60 mg/dia; AR → metotrexato; fibromialgia → exercícios e terapia cognitivo-comportamental. Essa comparação cai direto em questões de tratamento.