Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — FUNDATEC 2024
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
qg184693
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Uma mulher de 48 anos apresenta dor difusa há mais de 6 meses, que envolve várias áreas do corpo, incluindo pescoço, ombros, lombar e coxas. Ela relata cansaço constante, sono não reparador e episódios de dificuldade de concentração. O exame físico não mostra sinais de inflamação articular ou fraqueza muscular, mas há pontos de dor à palpação em áreas específicas. Exames laboratoriais, incluindo hemograma, função tireoidiana e provas inflamatórias, são normais. Qual é a melhor abordagem inicial para o tratamento dessa paciente com suspeita de fibromialgia?
ACorticosteroides orais para controle da dor.
BAntidepressivos tricíclicos, como amitriptilina, em baixa dose.
CAnti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno.
DImunossupressores, como metotrexato, para controle da inflamação.
EAntibióticos, para tratamento de infecção subclínica.
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GabaritoB — Antidepressivos tricíclicos, como amitriptilina, em baixa dose.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Fibromialgia: abordagem terapêutica inicial
Gabarito: letra B. Na fibromialgia, a melhor abordagem inicial para o controle da dor crônica e dos sintomas associados inclui o uso de antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina, em baixa dose, conforme recomendado pelos consensos e diretrizes de tratamento (Consenso Brasileiro de Tratamento da Fibromialgia e recomendações da EULAR). A doença não é inflamatória, o que torna inapropriadas as opções com corticosteroides, AINEs, imunossupressores ou antibióticos.
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor musculoesquelética difusa e crônica, frequentemente acompanhada de fadiga, distúrbios do sono, alterações cognitivas (a chamada "fibro névoa") e sensibilidade aumentada à palpação em pontos específicos (tender points). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios do American College of Rheumatology (ACR), e os exames laboratoriais são normais, como no caso da paciente. A fisiopatologia envolve uma sensibilização central da dor, com disfunção na modulação da dor pelo sistema nervoso, e não um processo inflamatório periférico. Por isso, o tratamento farmacológico visa modular essas vias centrais de dor, e não combater inflamação.
A abordagem terapêutica da fibromialgia é multimodal e inclui, além da farmacoterapia, medidas não farmacológicas como exercícios aeróbicos progressivos, terapia cognitivo-comportamental e educação do paciente. Dentre os medicamentos, os antidepressivos tricíclicos (especialmente a amitriptilina) são uma das primeiras opções, pois atuam aumentando a disponibilidade de serotonina e noradrenalina na fenda sináptica, melhorando a modulação descendente da dor. Outras classes também são eficazes, como os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (duloxetina, venlafaxina) e os ligantes α2δ (gabapentina, pregabalina), mas a amitriptilina em baixa dose é clássica e amplamente utilizada como tratamento inicial.
É fundamental distinguir a fibromialgia de doenças inflamatórias como artrite reumatoide ou lúpus, nas quais há inflamação articular e alterações laboratoriais. Na fibromialgia, o exame físico não revela sinovite, e as provas inflamatórias (VHS, PCR) são normais. Essa distinção é crucial porque o uso de anti-inflamatórios, corticosteroides ou imunossupressores não tem papel no tratamento da fibromialgia, sendo ineficazes e potencialmente prejudiciais. A dor da fibromialgia é neuropática/central, não nociceptiva inflamatória.
A pegadinha desta questão está em associar a dor difusa a um processo inflamatório ou autoimune, levando o candidato a escolher AINEs, corticosteroides ou imunossupressores. No entanto, a ausência de sinais inflamatórios e a normalidade das provas laboratoriais apontam claramente para a fibromialgia, cujo tratamento inicial se baseia em fármacos que modulam a dor central, como a amitriptilina. Guarde essa distinção: dor difusa + exames normais + pontos dolorosos = fibromialgia → tratar com antidepressivo tricíclico em baixa dose.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Os corticosteroides orais são potentes anti-inflamatórios e imunossupressores, indicados para doenças inflamatórias e autoimunes (ex.: artrite reumatoide, lúpus). Na fibromialgia, não há inflamação sistêmica ou articular, portanto o uso de corticosteroides é ineficaz e expõe a paciente a efeitos adversos significativos (ganho de peso, hiperglicemia, osteoporose, supressão adrenal). A banca explora a confusão entre dor crônica difusa e doença inflamatória.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A amitriptilina, um antidepressivo tricíclico, é uma das primeiras linhas de tratamento farmacológico da fibromialgia. Em baixas doses (12,5–25 mg ao deitar), atua no sistema nervoso central aumentando a neurotransmissão de serotonina e noradrenalina, melhorando a modulação descendente da dor, o sono e, consequentemente, a fadiga. É a alternativa que se alinha às diretrizes do Consenso Brasileiro de Tratamento da Fibromialgia e às recomendações da EULAR.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os AINEs (como ibuprofeno) são analgésicos e anti-inflamatórios que atuam inibindo a ciclo-oxigenase (COX), reduzindo a síntese de prostaglandinas. São eficazes na dor inflamatória (artrite, lesões musculoesqueléticas), mas na fibromialgia a dor é de origem central, sem componente inflamatório periférico. Estudos não demonstram benefício significativo dos AINEs isolados no controle da dor da fibromialgia, e seu uso crônico está associado a riscos gastrointestinais, renais e cardiovasculares.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O metotrexato é um imunossupressor e anti-inflamatório utilizado no tratamento de doenças autoimunes e inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide, lúpus e psoríase. Na fibromialgia, não há evidência de processo inflamatório ou autoimune que justifique o uso de imunossupressores. O tratamento com metotrexato seria ineficaz e traria riscos de toxicidade (hepatotoxicidade, mielossupressão, pneumonite) sem benefício clínico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os antibióticos são indicados para o tratamento de infecções bacterianas. A fibromialgia não é causada por infecção subclínica, e não há evidência científica que suporte o uso de antibióticos no seu tratamento. O uso indiscriminado de antibióticos contribui para a resistência bacteriana e pode causar efeitos adversos (distúrbios gastrointestinais, alergias, toxicidade), sem qualquer benefício para a paciente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a tratar a dor difusa como se fosse inflamatória, oferecendo AINEs, corticosteroides e imunossupressores. A chave é reconhecer que a fibromialgia é uma síndrome de sensibilização central, sem inflamação, e que o tratamento inicial se baseia em fármacos que modulam a dor central, como a amitriptilina. Fique atento: dor difusa + exames normais + pontos dolorosos = fibromialgia, não artrite.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de fibromialgia, lembre-se do tripé diagnóstico: dor crônica difusa (>3 meses), fadiga/sono não reparador e pontos dolorosos, com exames laboratoriais e de imagem normais. O tratamento inicial farmacológico é com antidepressivo tricíclico (amitriptilina) em baixa dose, ou ISRSN (duloxetina) e ligantes α2δ (pregabalina). Nunca escolha anti-inflamatórios, corticosteroides ou imunossupressores, pois a doença não é inflamatória.