Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg184701
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Um paciente de 68 anos, com histórico de hipertensão arterial sistêmica mal controlada e tabagismo por 40 anos, apresenta-se com dor abdominal intensa e irradiada para as costas. No exame físico, observa-se uma massa pulsátil na região abdominal. A tomografia computadorizada revela um aneurisma de aorta abdominal com diâmetro de 6,5 cm. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada para este paciente.
  1. AAcompanhamento clínico com controle rigoroso da pressão arterial e cessação do tabagismo.
  2. BIndicação de tratamento cirúrgico aberto de emergência.
  3. CIndicação de correção endovascular (EVAR).
  4. DUso de betabloqueadores para controle da pressão arterial e prevenção de crescimento do aneurisma.
  5. EAcompanhamento com ultrassonografia a cada 3 meses para monitoramento do crescimento.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Indicação de correção endovascular (EVAR).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Aneurisma de Aorta Abdominal: conduta baseada no diâmetro e sintomas

Gabarito: letra C. Para um aneurisma de aorta abdominal (AAA) de 6,5 cm, a conduta mais adequada é a correção endovascular (EVAR), pois o diâmetro ultrapassa o limiar de 5,5 cm para reparo eletivo e o paciente não apresenta sinais de ruptura iminente (estável, sem hipotensão). A escolha entre EVAR e cirurgia aberta depende da anatomia e do risco cirúrgico, mas, em regra, o tratamento endovascular é preferido por ser menos invasivo. Essa conduta está alinhada com as diretrizes de manejo do AAA, que indicam reparo para aneurismas ≥ 5,5 cm em homens ou com crescimento rápido.

O aneurisma de aorta abdominal é uma dilatação focal da aorta, geralmente de causa aterosclerótica, que acomete principalmente homens idosos com fatores de risco como hipertensão e tabagismo. O risco de ruptura aumenta exponencialmente com o diâmetro: é baixo até 5 cm, mas a partir daí cresce de forma significativa. Para aneurismas entre 3,5 e 4,9 cm, o risco de ruptura é de cerca de 1% ao ano; para aqueles maiores que 5 cm, o risco sobe para 5% ao ano. Por isso, o diâmetro é o principal critério para decidir entre vigilância e tratamento intervencionista.

O tratamento clínico, que inclui controle rigoroso da pressão arterial (meta < 130/80 mmHg), cessação do tabagismo e uso de estatinas, é indicado para aneurismas pequenos (< 5,5 cm) e para pacientes que não são candidatos a reparo. No entanto, quando o aneurisma atinge 5,5 cm ou mais, o risco de ruptura supera o risco cirúrgico, e o reparo é recomendado. No caso apresentado, o aneurisma tem 6,5 cm, bem acima do limiar, e o paciente é sintomático (dor abdominal irradiada para as costas), o que reforça a indicação de tratamento definitivo.

A correção pode ser feita por cirurgia aberta (ressecção do aneurisma e interposição de enxerto) ou por técnica endovascular (EVAR), na qual uma endoprótese é introduzida por via percutânea e exclui o aneurisma da circulação. A escolha entre as duas modalidades depende de fatores como anatomia do colo proximal, tortuosidade dos vasos, idade e comorbidades. Em geral, o EVAR é preferido por apresentar menor morbidade perioperatória e recuperação mais rápida, embora exija seguimento com exames de imagem para detectar endoleaks. A cirurgia aberta é reservada para casos em que a anatomia não é favorável ao EVAR ou em situações de emergência, como ruptura.

A alternativa B sugere cirurgia aberta de emergência, mas o paciente está estável, sem sinais de ruptura (hipotensão, choque). A cirurgia de emergência é indicada apenas para aneurisma roto ou sintomático com instabilidade hemodinâmica. A alternativa A (acompanhamento clínico) seria adequada para aneurismas menores, mas não para 6,5 cm. A alternativa D (betabloqueadores) é parte do tratamento clínico, mas não previne a ruptura de um aneurisma já grande. A alternativa E (ultrassonografia a cada 3 meses) é uma estratégia de vigilância para aneurismas pequenos, não para um de 6,5 cm.

A pegadinha desta questão está em confundir o tratamento clínico (adequado para aneurismas pequenos) com a conduta para aneurismas grandes, e em considerar a cirurgia aberta como primeira opção, quando o EVAR é frequentemente preferido. O candidato deve lembrar que o diâmetro é o fator decisivo: acima de 5,5 cm, o reparo é indicado, e a via endovascular é a mais comum na prática atual.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O acompanhamento clínico com controle da PA e cessação do tabagismo é indicado para aneurismas pequenos (< 5,5 cm) ou para pacientes com alto risco cirúrgico. Com 6,5 cm, o risco de ruptura é alto (5% ao ano), e o tratamento clínico isolado não é suficiente. A conduta correta é o reparo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cirurgia aberta de emergência é reservada para aneurisma roto ou sintomático com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque). O paciente está estável, sem sinais de ruptura, portanto não há indicação de emergência. A cirurgia aberta eletiva pode ser uma opção, mas não é a primeira escolha na maioria dos casos, e o termo "emergência" torna a alternativa incorreta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O EVAR é a conduta mais adequada para um AAA de 6,5 cm em paciente estável. O diâmetro ultrapassa o limiar de 5,5 cm para reparo eletivo, e a técnica endovascular é menos invasiva, com menor morbidade e mortalidade perioperatória em comparação à cirurgia aberta. A indicação de EVAR é corroborada pelas diretrizes de manejo do AAA.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O uso de betabloqueadores é parte do tratamento clínico para controle da PA, mas não previne a ruptura de um aneurisma já grande. Estudos não demonstraram benefício dos betabloqueadores na redução da expansão do AAA. A conduta para 6,5 cm é o reparo, não apenas medicação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O acompanhamento com ultrassonografia a cada 3 meses é uma estratégia de vigilância para aneurismas pequenos (< 5,5 cm) ou para pacientes que não são candidatos a reparo. Para um aneurisma de 6,5 cm, o risco de ruptura é alto, e a vigilância não é adequada; o reparo é indicado.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qg184701