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Questão de Medicina — Oncologia — FUNDATEC 2024

MedicinaOncologia
Código
qg184702
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Um paciente de 55 anos, sem comorbidades, foi diagnosticado com melanoma cutâneo em estágio IIIB, após biópsia de linfonodo sentinela positiva para metástase. O exame imuno-histoquímico revelou mutação BRAF V600E. Considerando o estágio e o perfil molecular do tumor, qual é a melhor estratégia terapêutica para este paciente?
  1. AObservação clínica rigorosa e acompanhamento periódico.
  2. BImunoterapia com inibidores de PD-1, como pembrolizumabe ou nivolumabe.
  3. CQuimioterapia com dacarbazina como terapia adjuvante padrão.
  4. DInibidores de BRAF, como vemurafenibe, combinados com inibidores de MEK.
  5. ETerapia de radiação adjuvante para o local do tumor primário e linfonodos regionais.
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GabaritoD — Inibidores de BRAF, como vemurafenibe, combinados com inibidores de MEK.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Melanoma cutâneo estágio IIIB com mutação BRAF V600E: terapia adjuvante

Gabarito: letra D. Para melanoma estágio IIIB com mutação BRAF V600E, a melhor estratégia é a terapia adjuvante com inibidores de BRAF combinados com inibidores de MEK (dabrafenibe + trametinibe), pois essa combinação demonstrou benefício clínico em pacientes com essa mutação específica. A imunoterapia com anti-PD-1 também é uma opção válida, mas a presença da mutação BRAF V600E torna a terapia-alvo a escolha mais direcionada e eficaz nesse cenário.

O melanoma cutâneo é uma neoplasia maligna de melanócitos, cuja incidência vem crescendo exponencialmente. O estadiamento é fundamental para definir a conduta: no estágio IIIB, há comprometimento de linfonodos regionais (no caso, confirmado por biópsia de linfonodo sentinela positiva), mas sem metástases à distância. Nesse cenário, após a ressecção cirúrgica completa, o objetivo do tratamento adjuvante é erradicar doença micrometastática subclínica e reduzir o risco de recorrência.

A via de sinalização MAPK (proteinoquinase ativada por mitógeno) é crucial na proliferação, diferenciação e apoptose celular. Cerca de 50% dos melanomas cutâneos apresentam mutações ativadoras no proto-oncogene BRAF, sendo a mutação V600E a mais comum. Essa mutação leva à ativação constitutiva da via MAPK, promovendo crescimento tumoral descontrolado. Os inibidores de BRAF (como vemurafenibe e dabrafenibe) bloqueiam especificamente essa proteína mutada, e a combinação com inibidores de MEK (como trametinibe) proporciona um bloqueio mais completo da via, resultando em maior eficácia e menor resistência.

A escolha entre imunoterapia e terapia-alvo no melanoma adjuvante com mutação BRAF depende de vários fatores, incluindo a extensão da doença, comorbidades e preferências do paciente. No entanto, a presença da mutação BRAF V600E é um biomarcador preditivo que torna a terapia-alvo uma opção altamente eficaz, com taxas de resposta em torno de 70% e rápida resposta à indução. A imunoterapia com anti-PD-1 (pembrolizumabe ou nivolumabe) também é uma opção adjuvante aprovada para melanoma estágio III, independentemente do status BRAF, mas a terapia-alvo oferece uma alternativa direcionada quando a mutação está presente.

A quimioterapia citotóxica (como dacarbazina) não é eficaz no melanoma metastático ou adjuvante, sendo considerada obsoleta nesse contexto. A radioterapia adjuvante tem papel limitado, sendo reservada para situações específicas como metástases cerebrais ou controle local de doença residual. A observação clínica isolada não é adequada para melanoma estágio IIIB, pois o risco de recorrência é alto e existem opções terapêuticas eficazes disponíveis.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora a imunoterapia seja uma opção válida, a presença da mutação BRAF V600E direciona a escolha para a terapia-alvo combinada. A banca explora a confusão entre as duas modalidades, ambas eficazes, mas com indicações específicas baseadas no perfil molecular.

Melanoma cutâneo estágio IIIB
  • 1BRAF V600E presente
    • Terapia-alvo (BRAF + MEK)
      • dabrafenibe + trametinibe
      • alta taxa de resposta (~70%)
    • Imunoterapia (anti-PD-1)
      • opção válida, mas não a melhor
  • 2Sem mutação BRAF
    • Imunoterapia (anti-PD-1)
  • 3Tratamentos obsoletos
    • Quimioterapia (dacarbazina)
    • Radioterapia adjuvante
    • Observação clínica isolada
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A observação clínica rigorosa não é adequada para melanoma estágio IIIB, pois o risco de recorrência é alto (15-36% mesmo em estágios iniciais). Existem opções terapêuticas adjuvantes eficazes que reduzem significativamente esse risco, tornando a observação isolada uma conduta inadequada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A imunoterapia com inibidores de PD-1 (pembrolizumabe ou nivolumabe) é uma opção adjuvante válida para melanoma estágio III, independentemente do status BRAF. No entanto, quando a mutação BRAF V600E está presente, a terapia-alvo com inibidores de BRAF/MEK é a escolha mais direcionada e eficaz, com maior taxa de resposta e benefício clínico demonstrado. A imunoterapia seria uma alternativa, mas não a melhor estratégia nesse cenário específico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A quimioterapia com dacarbazina não é eficaz no melanoma, seja em contexto metastático ou adjuvante. A quimioterapia citotóxica apresenta baixas taxas de resposta e não demonstrou benefício em sobrevida global no melanoma, sendo considerada obsoleta frente às opções modernas de imunoterapia e terapia-alvo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A combinação de inibidores de BRAF (como vemurafenibe ou dabrafenibe) com inibidores de MEK (como trametinibe) é a melhor estratégia para melanoma estágio IIIB com mutação BRAF V600E. Essa terapia-alvo bloqueia a via MAPK hiperativada pela mutação, resultando em alta taxa de resposta (cerca de 70%), rápida resposta à indução e controle dos sintomas, com sobrevida livre de progressão de aproximadamente 12 meses. No contexto adjuvante, essa combinação demonstrou benefício clínico em pacientes com mutação BRAF V600, reduzindo o risco de recorrência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A radioterapia adjuvante tem papel limitado no melanoma, sendo reservada para situações específicas como metástases cerebrais, dor óssea, compressão medular ou controle local de doença residual. Não é a melhor estratégia para melanoma estágio IIIB com mutação BRAF V600E, pois não aborda a doença micrometastática sistêmica, que é o alvo da terapia adjuvante sistêmica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre imunoterapia e terapia-alvo. Ambos são tratamentos modernos e eficazes, mas a presença da mutação BRAF V600E é o fator decisivo: ela torna a terapia-alvo (BRAF/MEK) a escolha mais direcionada. O candidato que sabe que a imunoterapia é uma opção válida pode marcar a letra B, mas a questão pede a "melhor estratégia" considerando o perfil molecular — e aí a terapia-alvo vence.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando a questão mencionar uma mutação específica (BRAF, EGFR, ALK, etc.), procure a alternativa que traz a terapia-alvo correspondente. A presença de um biomarcador acionável geralmente direciona a escolha para o inibidor específico, em vez de terapias mais genéricas como imunoterapia ou quimioterapia.

Gabarito: letra D

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