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Questão de Medicina — Dermatologia — FUNDATEC 2024

MedicinaDermatologia
Código
qg184703
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Em relação à patogênese e à apresentação clínica da hanseníase, assinale a alternativa correta.
  1. AO Mycobacterium leprae infecta primariamente células epiteliais da pele, levando à formação de úlceras cutâneas como principal manifestação clínica.
  2. BA hanseníase indeterminada é caracterizada por lesões cutâneas hipocrômicas mal definidas, com pouca ou nenhuma alteração sensorial.
  3. CA forma borderline de hanseníase é caracterizada por uma resposta imune do tipo Th2, o que resulta em lesões cutâneas múltiplas e simétricas.
  4. DA hanseníase tuberculoide apresenta baciloscopia positiva e geralmente envolve áreas simétricas do corpo, com múltiplas lesões.
  5. EA sensibilidade térmica geralmente é a primeira a ser perdida nas áreas afetadas pela hanseníase.
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GabaritoE — A sensibilidade térmica geralmente é a primeira a ser perdida nas áreas afetadas pela hanseníase.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hanseníase: patogênese e apresentação clínica

Gabarito: letra E. A sensibilidade térmica é, de fato, a primeira a ser perdida nas áreas afetadas pela hanseníase, pois o bacilo tem predileção pelas células de Schwann dos nervos periféricos, e as fibras finas (que conduzem a sensibilidade térmica) são as primeiras a serem comprometidas. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a patogênese e as formas clínicas da doença.

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, um bacilo álcool-ácido resistente, de multiplicação lenta e não cultivável in vitro. O bacilo tem predileção por células de Schwann e da pele, afetando primariamente os nervos periféricos. A doença se manifesta em um espectro clínico determinado pela resposta imune do hospedeiro: indivíduos com resposta imune celular eficaz (Th1) desenvolvem formas paucibacilares (tuberculoide), enquanto aqueles com resposta predominantemente humoral (Th2) desenvolvem formas multibacilares (virchowiana). As formas intermediárias (borderline ou dimorfa) apresentam padrões mistos e instáveis de resposta imune.

O diagnóstico é essencialmente clínico e epidemiológico, baseado nos três sinais cardinais: lesão(ões) de pele com alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa e/ou tátil), espessamento de nervo periférico associado a alterações sensitivas/motoras/autonômicas, e presença do M. leprae na baciloscopia ou biópsia. A perda de sensibilidade é um marco da doença, e a sequência clássica de comprometimento é: primeiro a térmica, depois a dolorosa e, por fim, a tátil. Isso ocorre porque as fibras nervosas finas (amielínicas e pouco mielinizadas), responsáveis pela condução da sensibilidade térmica e dolorosa, são mais vulneráveis ao dano bacilar do que as fibras grossas (mielinizadas), que conduzem a sensibilidade tátil e a propriocepção.

A banca explora a confusão entre as formas clínicas e suas características imunológicas e baciloscópicas. É fundamental dominar o espectro de Ridley-Jopling (tuberculoide, borderline e virchowiana) e a forma indeterminada, além da relação entre resposta imune (Th1/Th2) e a apresentação clínica (paucibacilar/multibacilar).

Hanseníase (M. leprae)
  • 1Formas clínicas
    • Indeterminada
      • Manchas hipocrômicas mal definidas
      • Pouca alteração sensorial
    • Tuberculoide (Th1)
      • Paucibacilar
      • Poucas lesões assimétricas
      • Baciloscopia negativa
    • Borderline (Th1 + Th2)
      • Múltiplas lesões assimétricas
    • Virchowiana (Th2)
      • Multibacilar
      • Lesões difusas e simétricas
  • 2Comprometimento neural
    • Perda de sensibilidade em sequência
      • 1º térmica
      • 2º dolorosa
      • 3º tátil
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O Mycobacterium leprae não infecta primariamente células epiteliais da pele, e a úlcera cutânea não é a principal manifestação clínica. O bacilo tem predileção pelas células de Schwann dos nervos periféricos e por macrófagos cutâneos. As manifestações cutâneas são variadas (manchas hipocrômicas, eritematosas, placas, nódulos), mas a úlcera não é a principal. O comprometimento neurológico (perda de sensibilidade, espessamento de nervos) é o achado central.

Alternativa B — ✅ Correta

A hanseníase indeterminada é a forma inicial da doença, caracterizada por lesões cutâneas hipocrômicas (manchas claras) mal definidas, com pouca ou nenhuma alteração sensorial. É uma forma paucibacilar, com baciloscopia geralmente negativa, e pode evoluir para cura espontânea ou para outras formas clínicas, dependendo da resposta imune do indivíduo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A forma borderline (dimorfa) é caracterizada por resposta imune mista e instável (Th1 e Th2), não exclusivamente Th2. As lesões são múltiplas, mas assimétricas, e a resposta Th2 predominante está associada às formas multibacilares (virchowiana), que apresentam lesões difusas e simétricas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hanseníase tuberculoide é uma forma paucibacilar, com baciloscopia geralmente negativa (poucos bacilos). As lesões são poucas e assimétricas, com bordas bem definidas e perda de sensibilidade acentuada. A forma com múltiplas lesões simétricas e baciloscopia positiva é a virchowiana (multibacilar).

Alternativa E — ✅ Correta

A sensibilidade térmica é a primeira a ser perdida nas áreas afetadas pela hanseníase. Isso ocorre porque as fibras nervosas finas (amielínicas e pouco mielinizadas), responsáveis pela condução da sensibilidade térmica e dolorosa, são mais vulneráveis ao dano causado pelo bacilo. A perda da sensibilidade térmica é um dos sinais cardinais da doença e um dos primeiros achados ao exame dermatoneurológico.

Gabarito: letra E

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