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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2024

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg184704
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
De acordo com o Advanced Trauma Life Support (ATLS – 10ª edição), a respeito da classificação e do manejo do choque hemorrágico no trauma, é correto afirmar que:
  1. ANo choque Classe II, sempre há necessidade de transfusão sanguínea.
  2. BNo choque Classe II, há hipotensão associada à taquicardia.
  3. CNo choque Classe III, sempre haverá taquipneia e rebaixamento de sensório com necessidade de transfusão sanguínea maciça.
  4. DNo choque Classe IV, a perda sanguínea aproximada é de 31-40%.
  5. ENo choque Classe III, pode-se ter hipotensão associada à taquicardia e deve-se realizar transfusão sanguínea.
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GabaritoE — No choque Classe III, pode-se ter hipotensão associada à taquicardia e deve-se realizar transfusão sanguínea.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Choque hemorrágico no trauma: classificação e manejo pelo ATLS

Gabarito: letra E. No choque hemorrágico Classe III, a perda sanguínea é de 30–40% da volemia (1.500–2.000 mL), o que cursa com taquicardia (> 120 bpm), hipotensão e rebaixamento do sensório (confusão), sendo indicada a transfusão sanguínea. A alternativa E é a única que descreve corretamente essa combinação de achados e conduta, conforme a tabela de classes do choque hemorrágico do ATLS (10ª edição).

O choque hemorrágico é a principal causa potencialmente prevenível de morte no trauma e a segunda causa de óbito precoce, atrás apenas do traumatismo cranioencefálico. A classificação em quatro classes (I a IV) é uma ferramenta didática que correlaciona a perda volêmica estimada com as respostas fisiológicas do paciente, permitindo estimar a gravidade e orientar a reposição volêmica e a necessidade de hemoderivados. É fundamental entender que essa classificação é uma aproximação — a resposta individual varia com idade, comorbidades, uso de medicamentos (como betabloqueadores) e reserva fisiológica.

A tabela abaixo resume as quatro classes, com os parâmetros que a banca explora:

Parâmetro

Classe I

Classe II

Classe III

Classe IV

Perda sanguínea (mL)

Até 750

750–1.500

1.500–2.000

> 2.000

Perda sanguínea (%)

Até 15%

15–30%

30–40%

> 40%

Frequência cardíaca (bpm)

< 100

> 100

> 120

> 140

Pressão arterial

Normal

Normal

Diminuída

Diminuída

Pressão de pulso

Normal

Diminuída

Diminuída

Diminuída

Frequência respiratória

14–20

20–30

30–40

> 35

Diurese (mL/h)

> 30

20–30

5–15

Desprezível

Estado neurológico

Ansioso

Agitado

Confuso

Letárgico

Observe que a hipotensão arterial só aparece a partir da Classe III — esse é o ponto central da questão. Nas Classes I e II, a pressão arterial permanece normal graças aos mecanismos compensatórios (taquicardia e vasoconstrição), mesmo com perdas de até 30% da volemia. A taquicardia é o mecanismo compensatório mais precoce, geralmente precedendo a hipotensão, principalmente em jovens.

O manejo do choque hemorrágico segue a estratégia de "controle de danos" (Damage Control Resuscitation), que inclui: administração precoce de hemoderivados, uso restritivo de cristaloides, uso de antifibrinolíticos (ácido tranexâmico), hipotensão permissiva e cirurgia para controle de danos. A transfusão sanguínea é indicada nas Classes III e IV, quando há hipotensão e sinais de hipoperfusão tecidual. Na Classe II, a reposição volêmica inicial é feita com cristaloides (1.000–1.500 mL), e a transfusão só é necessária se o paciente não responder adequadamente ou se houver sangramento contínuo.

A pegadinha da questão está em associar corretamente cada classe com seus achados clínicos e a conduta. A banca explora a confusão entre as Classes II e III, especialmente no que diz respeito à presença de hipotensão e à necessidade de transfusão. Guarde a fronteira: hipotensão e transfusão obrigatória são características da Classe III em diante.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que no choque Classe II "sempre" há necessidade de transfusão sanguínea. Isso é falso: na Classe II (perda de 15–30%), a reposição volêmica inicial é feita com cristaloides, e a transfusão só é indicada se houver falha de resposta ou sangramento persistente. O termo "sempre" torna a assertiva incorreta, pois a transfusão não é obrigatória nessa classe.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que no choque Classe II há hipotensão associada à taquicardia. O erro está na hipotensão: na Classe II, a pressão arterial permanece normal (a hipotensão só aparece na Classe III). A taquicardia (> 100 bpm) está presente, mas a pressão arterial não está diminuída — os mecanismos compensatórios ainda mantêm a PA.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que no choque Classe III "sempre" haverá taquipneia e rebaixamento de sensório com necessidade de transfusão sanguínea maciça. Há dois erros: (1) o termo "sempre" é inadequado, pois a resposta fisiológica varia; (2) a transfusão na Classe III é indicada, mas não necessariamente "maciça" — a transfusão maciça é mais característica da Classe IV ou de sangramento não controlado. Na Classe III, a taquipneia (30–40 irpm) e o rebaixamento do sensório (confusão) são típicos, mas a palavra "sempre" e a qualificação "maciça" tornam a assertiva incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que no choque Classe IV a perda sanguínea aproximada é de 31–40%. O erro está no percentual: na Classe IV, a perda é > 40% (mais de 2.000 mL). O intervalo de 31–40% corresponde à Classe III. A banca troca os percentuais entre as classes — armadilha clássica.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que no choque Classe III pode-se ter hipotensão associada à taquicardia e deve-se realizar transfusão sanguínea. Isso está correto: na Classe III (perda de 30–40%), a pressão arterial está diminuída, a frequência cardíaca é > 120 bpm, e a transfusão sanguínea é indicada como parte da ressuscitação volêmica. A alternativa espelha exatamente a tabela do ATLS.

Gabarito: letra E

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