Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2024
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg184724
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
Considerando a técnica TAPP para correção cirúrgica de hérnias inguinais por videolaparoscopia, na visão que temos durante a laparoscopia da região inguinal, utilizando o conceito de “Y” invertido e dos cinco triângulos publicada por Furtado et al. (2019), referente aos marcos anatômicos para dissecção cirúrgica, é correto afirmar que o trígono da dor é o local de passagem dos seguintes nervos:
ACutâneo lateral da coxa, ramo femoral do nervo genitofemoral, ilioinguinal e ilio-hipogástrico.
BRamo femoral do nervo genitofemoral, ilioinguinal e cutâneo lateral da coxa.
CFemoral, ilio-hipogástrico e cutâneo lateral da coxa.
DRamo genital do nervo genitofemoral, ramo femoral do nervo genitofemoral e ilioinguinal.
ECutâneo lateral da coxa, ramo femoral do nervo genitofemoral e femoral.
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GabaritoE — Cutâneo lateral da coxa, ramo femoral do nervo genitofemoral e femoral.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
TAPP e os triângulos da região inguinal: trígono da dor
Gabarito: letra E. No conceito dos cinco triângulos da região inguinal proposto por Furtado et al. (2019), o trígono da dor é delimitado pelos vasos espermáticos, pela prega umbilical lateral e pela linha de Spiegel, e é por ele que passam o nervo cutâneo lateral da coxa, o ramo femoral do nervo genitofemoral e o nervo femoral — exatamente o que a alternativa E descreve. As demais alternativas misturam nervos que pertencem a outros triângulos (como o ilioinguinal e o ilio-hipogástrico, que cruzam o trígono do risco) ou trocam o ramo femoral pelo ramo genital do genitofemoral.
A técnica TAPP (Transabdominal Preperitoneal) é uma das vias laparoscópicas para correção de hérnias inguinais, na qual o cirurgião acessa o espaço pré-peritoneal por dentro da cavidade abdominal, dissecando o peritônio para colocar a tela. Para orientar essa dissecção, a anatomia da região inguinal vista por laparoscopia é dividida em marcos e triângulos que funcionam como um mapa de segurança: eles indicam onde se pode dissecar com segurança e onde há estruturas nobres (nervos e vasos) que devem ser preservadas para evitar dor crônica pós-operatória e outras complicações.
O conceito do "Y" invertido refere-se à disposição dos vasos: o Y é formado pelos vasos epigástricos inferiores (que sobem medialmente) e pelos vasos espermáticos (que descem lateralmente), com o ducto deferente no homem (ou o ligamento redondo na mulher) cruzando entre eles. Esse Y divide a região em áreas que correspondem aos triângulos. Os cinco triângulos descritos são: o trígono da dor, o trígono do risco, o trígono da dissecção, o trígono do cordão e o trígono femoral (ou de Doom). Cada um tem limites anatômicos próprios e estruturas que passam por ele.
O trígono da dor é delimitado lateralmente pela linha de Spiegel (borda lateral do músculo reto abdominal), medialmente pela prega umbilical lateral (que contém os vasos epigástricos inferiores) e inferiormente pelos vasos espermáticos. Por ele passam três nervos: o cutâneo lateral da coxa, o ramo femoral do nervo genitofemoral e o nervo femoral. A importância prática é enorme: lesar esses nervos durante a dissecção ou a fixação da tela pode causar dor crônica, parestesia ou anestesia na coxa e na região genital — daí o nome "trígono da dor". O cirurgião deve evitar colocar grampos ou suturas nessa área.
O trígono do risco, por sua vez, é delimitado pelos vasos espermáticos, pela prega umbilical lateral e pelo ligamento iliopúbico (ou pelo anel inguinal profundo), e é por ele que passam o nervo ilioinguinal e o ilio-hipogástrico, além dos vasos espermáticos e do ducto deferente. A confusão entre o trígono da dor e o trígono do risco é a armadilha central desta questão: as alternativas A, B e C misturam os nervos dos dois triângulos, e a alternativa D troca o ramo femoral pelo ramo genital do genitofemoral.
A alternativa E é a única que lista exatamente os três nervos do trígono da dor: cutâneo lateral da coxa, ramo femoral do genitofemoral e femoral. As demais incluem nervos que não passam por ali (ilioinguinal, ilio-hipogástrico) ou trocam o ramo femoral pelo ramo genital. Guarde a fronteira: trígono da dor = cutâneo lateral da coxa + ramo femoral do genitofemoral + femoral; trígono do risco = ilioinguinal + ilio-hipogástrico. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Trígono da dor (TAPP)
1Limites
Vasos espermáticos
Prega umbilical lateral
Linha de Spiegel
2Nervos que passam
Cutâneo lateral da coxa
Ramo femoral do genitofemoral
Femoral
3Risco
Lesão causa dor crônica
4Trígono do risco
Nervos que passam
Ilioinguinal
Ilio-hipogástrico
Outras estruturas
Vasos espermáticos
Ducto deferente
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Inclui o nervo ilioinguinal e o ilio-hipogástrico, que não passam pelo trígono da dor — eles cruzam o trígono do risco. Além disso, omite o nervo femoral, que é um dos três nervos do trígono da dor. A banca mistura os nervos dos dois triângulos para confundir quem não domina a divisão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Lista o ramo femoral do genitofemoral e o cutâneo lateral da coxa (corretos), mas inclui o ilioinguinal, que pertence ao trígono do risco, e omite o nervo femoral. A combinação está incompleta e com um elemento do triângulo errado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Inclui o ilio-hipogástrico (do trígono do risco) e omite o ramo femoral do genitofemoral. O nervo femoral e o cutâneo lateral da coxa estão corretos, mas a presença do ilio-hipogástrico e a ausência do ramo femoral tornam a alternativa errada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Troca o ramo femoral do genitofemoral pelo ramo genital. O ramo genital do genitofemoral não passa pelo trígono da dor — ele segue pelo canal inguinal junto com o cordão espermático, inervando o cremaster e parte do escroto. Além disso, inclui o ilioinguinal (do trígono do risco) e omite o cutâneo lateral da coxa e o nervo femoral.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Lista exatamente os três nervos que passam pelo trígono da dor: cutâneo lateral da coxa, ramo femoral do nervo genitofemoral e nervo femoral. É a única alternativa que corresponde fielmente à descrição anatômica do trígono da dor no conceito dos cinco triângulos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o trígono da dor e o trígono do risco. No trígono da dor passam o cutâneo lateral da coxa, o ramo femoral do genitofemoral e o femoral; no trígono do risco passam o ilioinguinal e o ilio-hipogástrico. As alternativas A, B e C misturam os nervos dos dois triângulos, e a D troca o ramo femoral pelo ramo genital. Memorize o par: dor = femoral + cutâneo lateral + ramo femoral; risco = ilioinguinal + ilio-hipogástrico. Com esse mapa, você elimina as erradas de imediato.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, associe o nome ao conteúdo: o trígono da dor é onde a lesão nervosa causa dor crônica — e os nervos que passam por ele são os que inervam a coxa (cutâneo lateral da coxa, ramo femoral do genitofemoral e femoral). O trígono do risco é onde estão os vasos e nervos que arriscam sangramento e lesão (ilioinguinal, ilio-hipogástrico, vasos espermáticos e ducto deferente). Na prova, leia cada alternativa e confira se todos os nervos citados pertencem ao mesmo triângulo.