Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2024
- Código
- qg184729
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- SES-RJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Adiretas – mais
- Bfemorais – menos
- Cindiretas – mais
- Ddiretas – menos
- Eindiretas – menos
GabaritoC — indiretas – mais
Gabarito: letra C. As hérnias inguinais indiretas são o tipo mais comum em ambos os gêneros, e os homens têm mais chance de desenvolver hérnia do que as mulheres — a proporção é de cerca de 9:1 em favor do sexo masculino. Essa é a classificação anatômica clássica (lateral aos vasos epigástricos) e a epidemiologia descrita na literatura cirúrgica.
As hérnias inguinais representam cerca de 75% a 80% de todas as hérnias da parede abdominal, sendo o tipo mais frequente na prática cirúrgica. Elas se subdividem em três tipos principais, conforme a localização do defeito em relação aos vasos epigástricos inferiores: indiretas (defeito lateral aos vasos, através da fosseta inguinal externa, acompanhando o cordão espermático), diretas (defeito medial aos vasos, no trígono de Hasselbach, através da fosseta inguinal média) e mistas (componentes direto e indireto associados).
A distinção entre os tipos é fundamental para o raciocínio clínico e cirúrgico. As hérnias indiretas são as mais comuns em todas as idades, especialmente em crianças e adultos jovens, e estão relacionadas à persistência do conduto peritoneovaginal (processo vaginal patente). Já as hérnias diretas são mais frequentes em adultos e idosos, associadas à fraqueza da parede posterior do canal inguinal, e raramente encarceram. As hérnias femorais, por sua vez, são mais comuns em mulheres (4 a 5 vezes mais frequentes que em homens) e correspondem a cerca de 8% das hérnias inguinocrurais.
A epidemiologia é o ponto central desta questão: a hérnia inguinal predomina amplamente no sexo masculino, com proporção de 9:1 em relação ao feminino. Essa diferença é atribuída a fatores anatômicos e embriológicos — a migração testicular e a passagem do cordão espermático pelo canal inguinal deixam um ponto de fragilidade natural. Nas mulheres, o canal inguinal contém apenas o ligamento redondo, o que confere maior resistência à região.
A pegadinha da banca está em inverter a relação de prevalência entre os tipos de hérnia e o gênero. O candidato pode confundir e marcar "diretas" como o tipo mais comum, ou "menos" chance em homens, quando o correto é exatamente o oposto. A hérnia indireta é a mais prevalente em ambos os sexos, e os homens são mais acometidos que as mulheres.
Guarde o par indireta + mais: é exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.
Afirma que as hérnias diretas são as mais comuns e que homens têm mais chance. O erro está no primeiro termo: as hérnias diretas são menos frequentes que as indiretas, predominando em adultos e idosos, mas não são o tipo mais comum em ambos os gêneros. A hérnia indireta é a mais prevalente.
Afirma que as hérnias femorais são as mais comuns e que homens têm menos chance. Duplo erro: as hérnias femorais correspondem a apenas cerca de 8% das hérnias inguinocrurais e são mais comuns em mulheres, não em homens. Além disso, a prevalência masculina é maior, não menor.
Correta ao afirmar que as hérnias indiretas são o tipo mais comum em ambos os gêneros e que homens têm mais chance de desenvolver hérnia do que mulheres. A proporção é de aproximadamente 9:1 em favor do sexo masculino, e as hérnias indiretas são as mais frequentes, correspondendo a cerca de 50% a 60% de todas as hérnias inguinais.
Afirma que as hérnias diretas são as mais comuns e que homens têm menos chance. O primeiro termo está errado (diretas não são as mais comuns), e o segundo também (homens têm mais chance, não menos).
Afirma que as hérnias indiretas são as mais comuns (correto), mas que homens têm menos chance (errado). O erro está na segunda lacuna: a prevalência masculina é maior, não menor.
Gabarito: letra C
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