Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2024
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg184731
Banca
FUNDATEC
Órgão
SES-RJ
Ano
2024
Nível
Superior
A respeito das fístulas do trato intestinal, sabe-se que existem fatores anatômicos, fisiológicos, funcionais considerados favoráveis e desfavoráveis quanto ao seu fechamento e cicatrização. Dos fatores abaixo, qual NÃO é considerado um fator desfavorável ao fechamento da fístula intestinal?
ATrajeto longo, >2 cm.
BTrajeto curto, <2 cm.
CDefeito intestinal, >1 cm.
DObstrução distal intestinal.
EAbscesso adjacente grande.
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GabaritoA — Trajeto longo, >2 cm.
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Fístulas intestinais: fatores que influenciam o fechamento
Gabarito: letra A. A questão pede o fator que NÃO é desfavorável ao fechamento da fístula intestinal. O trajeto longo (>2 cm) é, na verdade, um fator favorável à cicatrização, pois um trajeto fistuloso mais extenso permite melhor drenagem e menor contato direto do conteúdo intestinal com a pele, facilitando o fechamento espontâneo. Os demais fatores listados — trajeto curto, defeito intestinal grande, obstrução distal e abscesso adjacente — são reconhecidamente desfavoráveis.
O fechamento espontâneo de uma fístula intestinal depende de um equilíbrio entre fatores que favorecem e fatores que dificultam a cicatrização. O cirurgião precisa identificar esses fatores para decidir entre o tratamento conservador e a abordagem cirúrgica. Os fatores desfavoráveis são aqueles que impedem ou retardam a cicatrização, como a presença de infecção, obstrução distal, corpo estranho, epitelização do trajeto, doença inflamatória ativa, desnutrição e defeitos grandes na parede intestinal.
O trajeto fistuloso merece atenção especial. Um trajeto longo (>2 cm) é considerado favorável porque o conteúdo intestinal percorre uma distância maior antes de atingir a pele, o que reduz a agressão local e permite que o organismo organize melhor o processo de cicatrização. Já um trajeto curto (<2 cm) é desfavorável, pois o conteúdo intestinal extravasa rapidamente, mantendo a pele e os tecidos adjacentes constantemente irritados e dificultando a formação de tecido de granulação.
A obstrução distal é um fator desfavorável clássico: se o conteúdo intestinal não consegue seguir o trajeto normal, ele será desviado pela fístula, perpetuando o fluxo fistuloso e impedindo a cicatrização. O abscesso adjacente também é desfavorável, pois a infecção local consome os fatores de crescimento e mantém um ambiente inflamatório que inibe a deposição de colágeno. O defeito intestinal grande (>1 cm) é outro fator desfavorável, pois a perda de substância na parede intestinal dificulta a aproximação das bordas e a cicatrização primária.
A pegadinha desta questão está na inversão do conceito: o candidato pode associar "trajeto longo" a algo ruim, mas na fisiologia das fístulas, o trajeto longo é justamente o que favorece o fechamento. É um daqueles casos em que a intuição leva ao erro, e a banca explora exatamente essa inversão.
Guarde o critério: trajeto longo = favorável; trajeto curto = desfavorável. É essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A afirma que o trajeto longo (>2 cm) não é um fator desfavorável. Isso está correto: o trajeto longo é um fator favorável ao fechamento da fístula. Quanto mais longo o trajeto, maior a distância que o conteúdo intestinal precisa percorrer, o que diminui a agressão local e permite melhor organização do processo cicatricial. A banca inverteu o conceito para testar se o candidato domina a fisiologia da cicatrização das fístulas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que o trajeto curto (<2 cm) não é um fator desfavorável. Isso está errado: o trajeto curto é um fator desfavorável, pois o conteúdo intestinal extravasa rapidamente, mantendo a pele e os tecidos adjacentes constantemente irritados, dificultando a cicatrização. O trajeto curto permite que o suco entérico entre em contato direto com a pele, causando lesão química e inflamação local.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que o defeito intestinal (>1 cm) não é um fator desfavorável. Isso está errado: um defeito grande na parede intestinal é um fator desfavorável, pois a perda de substância dificulta a aproximação das bordas e a cicatrização primária. Defeitos maiores que 1 cm raramente fecham espontaneamente e frequentemente necessitam de correção cirúrgica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que a obstrução distal intestinal não é um fator desfavorável. Isso está errado: a obstrução distal é um dos fatores desfavoráveis mais importantes, pois impede o trânsito normal do conteúdo intestinal, desviando-o pela fístula e perpetuando o fluxo fistuloso. Sem a resolução da obstrução, a fístula dificilmente fechará.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que o abscesso adjacente grande não é um fator desfavorável. Isso está errado: o abscesso adjacente é um fator desfavorável, pois a infecção local mantém um ambiente inflamatório que inibe a cicatrização, consome fatores de crescimento e pode perpetuar a fístula. O abscesso precisa ser drenado para que a fístula tenha chance de fechar.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverteu o conceito de trajeto fistuloso. O candidato pode associar "trajeto longo" a algo ruim, mas na fisiologia das fístulas, o trajeto longo é justamente o que favorece o fechamento, pois permite melhor drenagem e menor agressão local. Fique atento: trajeto longo = favorável; trajeto curto = desfavorável. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪