Questão de Medicina Legal — Tanatologia Forense — IADES 2024
Medicina Legal›Tanatologia Forense
Código
qg205982
Banca
IADES
Órgão
POLÍCIA CIENTÍFICA - GO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Legista de 3ª Classe - Especialista em Anatomia Patológica
Considere que um homem de 83 anos de idade, etilista de longa data, tenha apresentado episódios repetidos de vômitos, seguidos de hematêmese. Foi internado para investigação diagnóstica e tratamento, porém evoluiu com infecção hospitalar, sepse bacteriana e morte. Ao exame necroscópico, foram observadas características no esôfago compatíveis com síndrome de Mallory Weiss.Assinale a alternativa que corresponde ao trecho do relatório de necrópsia que descreve alterações associadas a essa síndrome.
AO exame da mucosa esofágica evidencia, em terço distal, veias varicosas rotas, parcialmente recobertas por coágulos.
BForam observadas lacerações longitudinais superficiais na mucosa da junção gastroesofágica, estendendo-se proximalmente até o terço inferior do esôfago.
CA avaliação do esôfago mostra perfuração transmural, medindo 3 cm em seu maior eixo, localizada proximalmente a 2,5 cm da junção gastroesofágica.
DO terço inferior da mucosa esofágica se destaca por exibir trecho de coloração vermelha/salmão.
EO terço médio do esôfago apresenta erosões, kissing ulcers e múltiplas pequenas ulcerações.
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GabaritoB — Foram observadas lacerações longitudinais superficiais na mucosa da junção gastroesofágica, estendendo-se proximalmente até o terço inferior do esôfago.
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Tanatologia Forense – Síndrome de Mallory–Weiss
Gabarito: letra B. A descrição clássica da síndrome de Mallory–Weiss é de lacerações longitudinais e superficiais na mucosa da junção gastroesofágica, decorrentes de esforços repetidos de vômito – exatamente o que consta na alternativa B. As demais alternativas descrevem outras entidades: varizes esofágicas (A), perfuração esofágica (C), esôfago de Barrett (D) e esofagite erosiva (E).
A síndrome de Mallory–Weiss ocorre quando episódios de vômitos vigorosos provocam pequenas rupturas na mucosa da transição esofagogástrica, levando a sangramento (hematêmese). Ao exame necroscópico, as lesões são vistas como fissuras lineares e rasas, que se estendem do estômago proximal para o terço inferior do esôfago. Não há varizes rotas (A), perfuração transmural (C), epitélio colunar metaplásico (D) nem úlceras múltiplas (E).
Síndrome de Mallory-Weiss
1Causa
Vômitos vigorosos repetidos
2Lesão
Lacerações longitudinais superficiais
Local: junção gastroesofágica
Extensão: terço inferior do esôfago
3Consequência
Hematêmese (sangramento)
4Diagnóstico diferencial
Varizes esofágicas (veias rotas)
Boerhaave (perfuração transmural)
Esôfago de Barrett (epitélio colunar)
Esofagite erosiva (úlceras/erosões)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Descreve veias varicosas rotas no terço distal do esôfago, características de varizes esofágicas, comuns em hepatopatas e não na síndrome de Mallory–Weiss.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Menciona lacerações longitudinais superficiais na mucosa da junção gastroesofágica com extensão proximal, que é a descrição típica da síndrome de Mallory–Weiss. O paciente da questão, etilista e com vômitos, tem fatores predisponentes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Descreve perfuração transmural do esôfago, que corresponde à síndrome de Boerhaave (perfuração esofágica espontânea), não a lacerações mucosas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Refere-se ao esôfago de Barrett: substituição do epitélio escamoso por epitélio colunar (coloração vermelha/salmão), consequência de refluxo gastroesofágico crônico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Descreve erosões e úlceras (kissing ulcers) no terço médio, compatíveis com esofagite erosiva (ex.: por refluxo ou medicamentosa), não com lacerações lineares.
PEGA ESSA DICA!
Para a síndrome de Mallory–Weiss, lembre-se dos três V: Vômito, Violento, Vertical (laceração longitudinal). E a localização é sempre na junção gastroesofágica.