Questão de Química — Substâncias e suas propriedades — IBFC 2024
- Código
- qg218356
- Banca
- IBFC
- Órgão
- IMBEL
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Engenheiro - Engenheiro em Metalurgia
- AV - F - F
- BF - V - F
- CV - V - V
- DF - V - V
- EV - V - F
GabaritoA — V - F - F
Gabarito: letra A (V – F – F). A primeira afirmativa está correta, pois define com precisão o que é um material cristalino: átomos organizados em um arranjo periódico e repetitivo em longas distâncias. A segunda é falsa, porque a ligação metálica é não direcional — os elétrons deslocalizados formam uma nuvem que envolve os cátions, sem direcionamento específico. A terceira também é falsa, pois as células unitárias mais comuns são cubos (cúbica simples, de corpo centrado, de face centrada), não tetraedros.
Para entender a questão, é preciso dominar dois conceitos centrais da ciência dos materiais: o que define um sólido cristalino e como se caracteriza a ligação metálica. Um material cristalino é aquele em que os átomos, íons ou moléculas se repetem de forma ordenada e periódica nas três dimensões, formando uma rede cristalina. Essa periodicidade é o que distingue os cristais dos materiais amorfos, como o vidro, cujos átomos se organizam de maneira desordenada. A definição da primeira afirmativa é exatamente a que se encontra nos livros de ciência dos materiais — por isso ela é verdadeira.
A ligação metálica, por sua vez, é o que mantém unidos os átomos de um metal. No modelo do "mar de elétrons", os átomos doam seus elétrons de valência, que passam a circular livremente por todo o retículo cristalino, formando uma nuvem eletrônica deslocalizada. Essa nuvem atrai igualmente todos os cátions, sem preferência por direção — a ligação é, portanto, não direcional. É justamente essa característica que explica a maleabilidade e a ductibilidade dos metais: as camadas de átomos podem deslizar umas sobre as outras sem romper a ligação, pois a nuvem eletrônica se reorganiza. Se a ligação fosse direcional, como a covalente, os metais seriam quebradiços, o que não ocorre. A segunda afirmativa inverte essa lógica ao afirmar que a ligação é direcional — por isso é falsa.
A terceira afirmativa trata das células unitárias, que são as menores unidades repetitivas de uma estrutura cristalina. A maioria dos metais e de muitos compostos iônicos cristaliza em estruturas cúbicas: cúbica simples (CS), cúbica de corpo centrado (CCC) e cúbica de face centrada (CFC). Existem também estruturas hexagonais (HC), mas a forma geométrica predominante é o cubo, não o tetraedro. A afirmativa diz que as células unitárias são "tetraedros com conjuntos de faces perpendiculares", o que é um erro duplo: a forma típica é cúbica, e as faces de um cubo são perpendiculares entre si, mas isso não se aplica a tetraedros. Portanto, a afirmativa é falsa.
A banca explora aqui uma confusão comum: associar a ligação metálica a algo "direcional" por causa da robustez dos metais, quando na verdade a robustez vem da força da ligação não direcional e da mobilidade eletrônica. Além disso, troca a forma geométrica da célula unitária (cubo) por tetraedro, que é a geometria de algumas moléculas, não de células unitárias metálicas. Guarde esses dois pontos: ligação metálica = não direcional; célula unitária típica = cúbica.
A definição está correta: material cristalino é aquele com arranjo periódico e repetitivo de átomos ao longo de grandes distâncias atômicas. É exatamente o conceito de rede cristalina, que se contrapõe ao material amorfo. A afirmativa reproduz a definição clássica da ciência dos materiais.
A ligação metálica é não direcional. Os elétrons deslocalizados formam uma nuvem que envolve os cátions, sem direcionamento específico. Essa característica é que confere maleabilidade e ductibilidade aos metais. A afirmativa erra ao dizer que a ligação é direcional — o que daria aos metais um comportamento quebradiço, típico de materiais com ligações direcionais, como os covalentes.
As células unitárias mais comuns são cúbicas (CS, CCC, CFC) e, em alguns casos, hexagonais. A afirmativa erra ao dizer que são tetraedros. Além disso, a expressão "conjuntos de faces perpendiculares" não se aplica a tetraedros, que têm faces triangulares, não perpendiculares entre si. A forma correta é o cubo, cujas faces são perpendiculares.
Gabarito: letra A (V – F – F).
Link permanente: /questoes/qg218356