A hipertermia maligna é uma potencial desordem farmacogenética letal que afeta indivíduos geneticamente predispostos, que pode ser desencadeada anestésicos inalatórios ou relaxantes musculares. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a classificação desta reação adversa a medicamento (RAM).
ATipo A: relacionado à dose
BTipo B: não relacionado à dose
CTipo C: relacionado à dose e ao tempo de uso
DTipo D: relacionado ao tempo de uso
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GabaritoB — Tipo B: não relacionado à dose
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Classificação de Reações Adversas a Medicamentos (RAM)
Gabarito: letra B. A hipertermia maligna é uma reação adversa do Tipo B, ou seja, não relacionada à dose — é uma resposta idiossincrásica, imprevisível, que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos, independentemente da dose administrada. Essa classificação é amplamente aceita na farmacovigilância e na farmacologia clínica, distinguindo-se das reações do Tipo A, que são previsíveis e dose-dependentes.
A classificação das reações adversas a medicamentos (RAM) é um pilar da farmacovigilância, pois orienta a prevenção, o diagnóstico e a notificação. O sistema mais difundido, proposto por Rawlins e Thompson, divide as RAM em dois grandes grupos: Tipo A (Augmented) e Tipo B (Bizarre). Com o tempo, essa classificação foi ampliada para incluir os Tipos C, D e E, abrangendo reações relacionadas ao tempo de uso, à dose cumulativa e à retirada do medicamento.
A hipertermia maligna é um exemplo clássico de reação do Tipo B. Ela é desencadeada por anestésicos inalatórios (como halotano, sevoflurano, desflurano) e pelo relaxante muscular succinilcolina em pacientes com predisposição genética (mutação no gene do receptor de rianodina, RYR1). A reação é imprevisível, não relacionada à dose e ocorre apenas em indivíduos suscetíveis, o que a enquadra perfeitamente na definição de reação idiossincrásica. O mecanismo envolve uma liberação descontrolada de cálcio no músculo esquelético, levando a hipermetabolismo, rigidez muscular, hipertermia e acidose.
É fundamental distinguir as reações do Tipo B das do Tipo A. As reações do Tipo A são previsíveis, dose-dependentes e representam uma exacerbação do efeito farmacológico do medicamento (ex.: hemorragia com anticoagulantes, hipoglicemia com insulina). Já as do Tipo B são imprevisíveis, não relacionadas à dose e frequentemente envolvem mecanismos imunológicos ou genéticos (ex.: anafilaxia com penicilina, anemia hemolítica com metildopa). Essa distinção é crucial na prática clínica, pois as reações do Tipo A podem ser evitadas ajustando-se a dose, enquanto as do Tipo B exigem a suspensão imediata do fármaco e a identificação do paciente suscetível.
A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que confunde a hipertermia maligna com uma reação dose-dependente (Tipo A) erra a questão. A palavra-chave é "geneticamente predispostos" — isso indica uma reação idiossincrásica, característica do Tipo B. Guarde essa associação: predisposição genética + imprevisibilidade = Tipo B.
Tipo de RAM
Relação com a dose
Previsibilidade
Mecanismo
Exemplo clássico
Tipo A (Augmented)
Dose-dependente
Previsível
Exacerbação do efeito farmacológico
Hemorragia com anticoagulantes
Tipo B (Bizarre)
Não relacionada à dose
Imprevisível
Idiossincrásico (genético ou imunológico)
Hipertermia maligna, anafilaxia com penicilina
Tipo C (Chronic)
Relacionada à dose cumulativa e ao tempo
Previsível (após uso prolongado)
Efeito cumulativo
Osteoporose por corticoides
Tipo D (Delayed)
Não necessariamente à dose
Tardia (após tempo de uso)
Carcinogênese, teratogênese
Câncer por quimioterápicos
Classificação de RAM (Rawlins-Thompson)
1Tipo A (Augmented)
Previsível, dose-dependente
Ex.: hemorragia com anticoagulante
2Tipo B (Bizarre)
Imprevisível, idiossincrásica
Hipertermia maligna (predisposição genética)
3Tipo C (Chronic)
Dose cumulativa e tempo
Ex.: osteoporose por corticoide
4Tipo D (Delayed)
Tardia, relacionada ao tempo
Ex.: carcinogênese
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a hipertermia maligna é uma reação do Tipo A, relacionada à dose. Isso está errado. As reações do Tipo A são previsíveis, dose-dependentes e representam uma exacerbação do efeito farmacológico. A hipertermia maligna, por ser uma reação idiossincrásica em indivíduos geneticamente predispostos, não depende da dose — mesmo uma dose baixa do anestésico pode desencadear a crise em um paciente suscetível. O erro aqui é classificar uma reação imprevisível como previsível.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa B está correta. A hipertermia maligna é uma reação do Tipo B, não relacionada à dose. Ela é imprevisível, idiossincrásica e ocorre apenas em indivíduos com predisposição genética (mutação no gene RYR1). A reação não é uma exacerbação do efeito farmacológico esperado, mas sim uma resposta anormal e qualitativamente diferente, desencadeada por anestésicos inalatórios ou succinilcolina. Essa é a definição clássica de reação do Tipo B.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que a hipertermia maligna é uma reação do Tipo C, relacionada à dose e ao tempo de uso. Isso está errado. As reações do Tipo C são crônicas, relacionadas à dose cumulativa e ao tempo de exposição (ex.: osteoporose por corticoides, nefropatia por analgésicos). A hipertermia maligna é uma reação aguda, imprevisível e não relacionada à dose, ocorrendo em uma única exposição ao anestésico. Não há relação com o tempo de uso ou dose cumulativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que a hipertermia maligna é uma reação do Tipo D, relacionada ao tempo de uso. Isso está errado. As reações do Tipo D são tardias, relacionadas ao tempo de exposição, mas não necessariamente à dose (ex.: carcinogênese, teratogênese). A hipertermia maligna é uma reação aguda, que ocorre imediatamente após a exposição ao anestésico, em indivíduos geneticamente predispostos. Não há relação com o tempo de uso prolongado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato associando a hipertermia maligna a uma reação dose-dependente (Tipo A) ou relacionada ao tempo (Tipos C e D). A chave é identificar a predisposição genética e a imprevisibilidade — características exclusivas do Tipo B. Lembre-se: reação idiossincrásica = Tipo B, independente da dose.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar a classificação de Rawlins e Thompson, use o mnemônico "ABCDE": A (Augmented) = dose-dependente; B (Bizarre) = idiossincrásica, não relacionada à dose; C (Chronic) = relacionada à dose cumulativa e ao tempo; D (Delayed) = tardia, relacionada ao tempo; E (End of use) = relacionada à retirada do medicamento. Na prova, identifique a palavra-chave: "geneticamente predispostos" ou "imprevisível" apontam para o Tipo B.