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Questão de Farmácia — Farmacologia — IBFC 2024

FarmáciaFarmacologia
Código
qg218598
Banca
IBFC
Órgão
MGS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Farmacêutico
A hipertermia maligna é uma potencial desordem farmacogenética letal que afeta indivíduos geneticamente predispostos, que pode ser desencadeada anestésicos inalatórios ou relaxantes musculares. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a classificação desta reação adversa a medicamento (RAM).
  1. ATipo A: relacionado à dose
  2. BTipo B: não relacionado à dose
  3. CTipo C: relacionado à dose e ao tempo de uso
  4. DTipo D: relacionado ao tempo de uso
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Tipo B: não relacionado à dose

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação de Reações Adversas a Medicamentos (RAM)

Gabarito: letra B. A hipertermia maligna é uma reação adversa do Tipo B, ou seja, não relacionada à dose — é uma resposta idiossincrásica, imprevisível, que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos, independentemente da dose administrada. Essa classificação é amplamente aceita na farmacovigilância e na farmacologia clínica, distinguindo-se das reações do Tipo A, que são previsíveis e dose-dependentes.

A classificação das reações adversas a medicamentos (RAM) é um pilar da farmacovigilância, pois orienta a prevenção, o diagnóstico e a notificação. O sistema mais difundido, proposto por Rawlins e Thompson, divide as RAM em dois grandes grupos: Tipo A (Augmented) e Tipo B (Bizarre). Com o tempo, essa classificação foi ampliada para incluir os Tipos C, D e E, abrangendo reações relacionadas ao tempo de uso, à dose cumulativa e à retirada do medicamento.

A hipertermia maligna é um exemplo clássico de reação do Tipo B. Ela é desencadeada por anestésicos inalatórios (como halotano, sevoflurano, desflurano) e pelo relaxante muscular succinilcolina em pacientes com predisposição genética (mutação no gene do receptor de rianodina, RYR1). A reação é imprevisível, não relacionada à dose e ocorre apenas em indivíduos suscetíveis, o que a enquadra perfeitamente na definição de reação idiossincrásica. O mecanismo envolve uma liberação descontrolada de cálcio no músculo esquelético, levando a hipermetabolismo, rigidez muscular, hipertermia e acidose.

É fundamental distinguir as reações do Tipo B das do Tipo A. As reações do Tipo A são previsíveis, dose-dependentes e representam uma exacerbação do efeito farmacológico do medicamento (ex.: hemorragia com anticoagulantes, hipoglicemia com insulina). Já as do Tipo B são imprevisíveis, não relacionadas à dose e frequentemente envolvem mecanismos imunológicos ou genéticos (ex.: anafilaxia com penicilina, anemia hemolítica com metildopa). Essa distinção é crucial na prática clínica, pois as reações do Tipo A podem ser evitadas ajustando-se a dose, enquanto as do Tipo B exigem a suspensão imediata do fármaco e a identificação do paciente suscetível.

A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que confunde a hipertermia maligna com uma reação dose-dependente (Tipo A) erra a questão. A palavra-chave é "geneticamente predispostos" — isso indica uma reação idiossincrásica, característica do Tipo B. Guarde essa associação: predisposição genética + imprevisibilidade = Tipo B.

Tipo de RAM

Relação com a dose

Previsibilidade

Mecanismo

Exemplo clássico

Tipo A (Augmented)

Dose-dependente

Previsível

Exacerbação do efeito farmacológico

Hemorragia com anticoagulantes

Tipo B (Bizarre)

Não relacionada à dose

Imprevisível

Idiossincrásico (genético ou imunológico)

Hipertermia maligna, anafilaxia com penicilina

Tipo C (Chronic)

Relacionada à dose cumulativa e ao tempo

Previsível (após uso prolongado)

Efeito cumulativo

Osteoporose por corticoides

Tipo D (Delayed)

Não necessariamente à dose

Tardia (após tempo de uso)

Carcinogênese, teratogênese

Câncer por quimioterápicos

Classificação de RAM (Rawlins-Thompson)
  • 1Tipo A (Augmented)
    • Previsível, dose-dependente
    • Ex.: hemorragia com anticoagulante
  • 2Tipo B (Bizarre)
    • Imprevisível, idiossincrásica
    • Hipertermia maligna (predisposição genética)
  • 3Tipo C (Chronic)
    • Dose cumulativa e tempo
    • Ex.: osteoporose por corticoide
  • 4Tipo D (Delayed)
    • Tardia, relacionada ao tempo
    • Ex.: carcinogênese
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a hipertermia maligna é uma reação do Tipo A, relacionada à dose. Isso está errado. As reações do Tipo A são previsíveis, dose-dependentes e representam uma exacerbação do efeito farmacológico. A hipertermia maligna, por ser uma reação idiossincrásica em indivíduos geneticamente predispostos, não depende da dose — mesmo uma dose baixa do anestésico pode desencadear a crise em um paciente suscetível. O erro aqui é classificar uma reação imprevisível como previsível.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B está correta. A hipertermia maligna é uma reação do Tipo B, não relacionada à dose. Ela é imprevisível, idiossincrásica e ocorre apenas em indivíduos com predisposição genética (mutação no gene RYR1). A reação não é uma exacerbação do efeito farmacológico esperado, mas sim uma resposta anormal e qualitativamente diferente, desencadeada por anestésicos inalatórios ou succinilcolina. Essa é a definição clássica de reação do Tipo B.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a hipertermia maligna é uma reação do Tipo C, relacionada à dose e ao tempo de uso. Isso está errado. As reações do Tipo C são crônicas, relacionadas à dose cumulativa e ao tempo de exposição (ex.: osteoporose por corticoides, nefropatia por analgésicos). A hipertermia maligna é uma reação aguda, imprevisível e não relacionada à dose, ocorrendo em uma única exposição ao anestésico. Não há relação com o tempo de uso ou dose cumulativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que a hipertermia maligna é uma reação do Tipo D, relacionada ao tempo de uso. Isso está errado. As reações do Tipo D são tardias, relacionadas ao tempo de exposição, mas não necessariamente à dose (ex.: carcinogênese, teratogênese). A hipertermia maligna é uma reação aguda, que ocorre imediatamente após a exposição ao anestésico, em indivíduos geneticamente predispostos. Não há relação com o tempo de uso prolongado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato associando a hipertermia maligna a uma reação dose-dependente (Tipo A) ou relacionada ao tempo (Tipos C e D). A chave é identificar a predisposição genética e a imprevisibilidade — características exclusivas do Tipo B. Lembre-se: reação idiossincrásica = Tipo B, independente da dose.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar a classificação de Rawlins e Thompson, use o mnemônico "ABCDE": A (Augmented) = dose-dependente; B (Bizarre) = idiossincrásica, não relacionada à dose; C (Chronic) = relacionada à dose cumulativa e ao tempo; D (Delayed) = tardia, relacionada ao tempo; E (End of use) = relacionada à retirada do medicamento. Na prova, identifique a palavra-chave: "geneticamente predispostos" ou "imprevisível" apontam para o Tipo B.

Gabarito: letra B

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