Análise da questão sobre a ferramenta linguística em "do que pouco se fala"
Gabarito: letra D. A oração "do que pouco se fala" constrói uma crítica generalizada porque omite quem pratica a ação de falar, efeito típico da voz passiva sintética (com o pronome "se") que suprime o agente. No texto, a passagem "Mas do que pouco se fala" refere-se ao fato de que pouco se menciona o brasileiro Bento de Assis, sem especificar quem fala, generalizando a crítica à sociedade.
A questão cobra o conhecimento de que o pronome "se" pode atuar como partícula apassivadora, transformando o verbo transitivo indireto "falar" (falar de algo) em voz passiva. Nessa construção, o sujeito paciente (aquilo de que se fala) é retomado por "do que", e o agente fica subentendido, ou seja, omitido. Esse apagamento do agente é o que confere o tom de crítica ampla, impessoal.
Vejamos cada alternativa:
Alternativa A — ❌ Incorreta
A indeterminação do sujeito pela terceira pessoa do plural ocorreria se a frase fosse "do que pouco falam", sem o "se". Como há o pronome "se", a estrutura é diversa. O texto não usa o plural para indeterminar, mas sim a passiva sintética.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O "se" recíproco indicaria ação mútua (ex.: "eles se abraçam"). Em "do que pouco se fala", não há reciprocidade; o "se" é apassivador, ligado a um verbo transitivo indireto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O sujeito desinencial (ou elíptico) ocorre quando a terminação verbal já indica a pessoa, sem pronome explícito. Em "pouco se fala", o verbo está na 3ª pessoa do singular, mas o "se" impede que se considere um sujeito desinencial — o sujeito é paciente (aquilo de que se fala), não agente.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Na voz passiva sintética, o verbo é acompanhado de "se" (partícula apassivadora), e o agente da passiva não é expresso. A oração "do que pouco se fala" equivale a "pouco é falado disso", omitindo quem fala. Essa omissão generaliza a ação, produzindo a crítica sem apontar um responsável específico. É exatamente o que o enunciado descreve.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Verbos impessoais (como "haver" no sentido de existir, ou verbos que indicam fenômenos da natureza) não admitem sujeito. "Falar" não é impessoal; pode ter sujeito agente ou paciente. Na oração em análise, há sujeito paciente ("do que" = aquilo de que se fala), logo não há inexistência de sujeito.
Gabarito: letra D — a omissão do agente da passiva na voz passiva sintética é o recurso que gera a crítica generalizada.