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Questão de Português — Interpretação de Textos — IBFC 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg221678
Banca
IBFC
Órgão
Prefeitura de Fortaleza - CE
Ano
2024
Nível
Superior
Texto- Patrimônio Arqueológico – CE

(Texto adaptado especificamente para este concurso. O texto original está disponível em http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/542/ acesso em 01 mar-24)



      O estado do Ceará tem grande potencial arqueológico, tendo em vista que, até dezembro de 2014, foram cadastrados 528 sítios. Esse dado é resultado de significativa ocorrência desses sítios no período pré-colonial. A extensa quantidade de sítios cerâmicos e líticos, além de notável presença de grafismos rupestres, agregaram ainda mais valor etnocultural para o local.


    Dentre as áreas de interesse arqueológico, destacam-se os sítios em regiões litorâneas com vestígios históricos e pré-coloniais, identificados nas proximidades de rios como o Jaguaribe e o Acaraú. As regiões do centro-norte do Estado (Forquilha, Sobral e Iraçuba), a região de Cariri (Crato e Nova Olinda) e o sertão central (Quixadá e Quixeramobim) são palcos de manifestações rupestres que foram objeto de pesquisa em estudos acadêmicos.


    Nos municípios de Tauá, Arneiroz e Morada Nova, foram identificados numerosos sítios líticos formados por grupos caçadores-coletores, assim denominados em razão do sustento obtido pela caça de animais selvagens e pela coleta de plantas silvestres. Já no município de Mauriti, na porção leste do Cariri, foram localizadas aldeias ceramistas, com destaque para a aldeia TupiGuarani Anauá, datada do século XIV.


     Parte significativa dos sítios arqueológicos cearense foi descoberta em projetos de licenciamento arqueológico, fato que alertou para o potencial das pesquisas preventivas na região. O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) tem investido em projetos de etnoarqueologia, na identificação e no registro de coleções particulares de bens arqueológicos.


    O Instituto Iphan financiou, em 2012, escavações arqueológicas na comunidade da Serra do Evaristo, localizada na área do Maciço de Baturité. Um conjunto de urnas funerárias encontrado parcialmente na superfície motivou a pesquisa e o projeto de escavação do sítio funerário para atender à comunidade quilombola da Serra do Evaristo, certificada pela Fundação Palmares. A importância social e o significativo potencial informativo desse enclave arqueológico da Serra do Evaristo atraíram interessados em parcerias futuras para continuidade da pesquisa, como a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que atua na região.


(...)


Bens Arqueológicos Tombados

     O Brasil possui bens arqueológicos tombados em todo o território, sendo onze sítios e seis coleções arqueológicas localizadas em museus. O país reconhece a importância dos bens arqueológicos como elementos representantes dos grupos humanos responsáveis pela formação identitária da sociedade brasileira. Esse contexto está explícito na legislação que protege como bem da União todo achado arqueológico e estabelece que qualquer nova descoberta deva ser imediatamente comunicada às Superintendências do Iphan ou diretamente ao Instituto. Por meio dos bens arqueológicos, é possível identificar conhecimentos e tecnologias que indicam anos de adaptação humana ao ambiente, além da produção de saberes tradicionais brasileiros.


      O patrimônio arqueológico do Brasil está sob proteção legal desde 1937, com o Decreto-Lei nº 25. No entanto, em 1961, a Lei Federal nº 3.924, de 26 de julho de 1961 estabeleceu proteção específica e, em 1988, a Constituição Brasileira também reconheceu os bens arqueológicos como patrimônios da União, incluindo-os no conjunto do Patrimônio Cultural Brasileiro. Desta forma, a destruição, mutilação e inutilização física do patrimônio cultural são infrações puníveis por lei.


     Os bens arqueológicos, a exemplo da coleção arqueológica do Ceará, estão disponíveis para visitação no Museu da Escola Normal Justiniano de Serra, situado em Fortaleza. Podem-se observar: um vaso de cerâmica, um trabalho indígena que foi encontrado na Gruta de Ubajara; uma coleção de 68 peças formadas por arcos e flechas de índios do Mato Grosso; uma coleção formada por 22 peças de adornos indígenas, bem como quatro machados de pedra indígenas dentre diversos artefatos. Compreender a relevância desses objetos é reconhecer que a história de ancestrais brasileiros também é nossa”.
Analise as afirmativas abaixo.I. Somente o Iphan recebeu o raro adereço.II. O Iphan recebeu somente o raro adereço.III. O Iphan recebeu o raro adereço somente.Assinale a alternativa que contenha o mesmo significado da oração: “O Iphan, e mais nenhum outro Instituto, recebeu o raro adereço”.
  1. AI apenas.
  2. BII apenas.
  3. CIII apenas.
  4. DI e III apenas.
  5. EII e III apenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — I apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Posição do advérbio "somente" e seu escopo

Gabarito: letra A. A única afirmativa que preserva o sentido original de "O Iphan, e mais nenhum outro Instituto, recebeu o raro adereço" é a I — "Somente o Iphan recebeu o raro adereço". Isso porque a colocação de "somente" antes do sujeito determina que a exclusividade recai sobre o sujeito (apenas o Iphan, nenhum outro instituto). Já nas frases II e III, o advérbio modifica o objeto ou o verbo, alterando o sentido para "o Iphan recebeu apenas o raro adereço (e mais nada)", o que é diferente da ideia original.

Análise dos itens:

Item I — ✅ Correta

"Somente o Iphan recebeu o raro adereço." Aqui, "somente" antecede o sujeito, indicando que nenhum outro instituto recebeu o adereço. É a paráfrase exata da oração original.

Item II — ❌ Incorreta

"O Iphan recebeu somente o raro adereço." Com "somente" após o verbo, o advérbio modifica o objeto direto: significa que o Iphan recebeu apenas aquele adereço (e não outros objetos), e não que exclusivamente o Iphan o recebeu. O sentido é distinto.

Item III — ❌ Incorreta

"O Iphan recebeu o raro adereço somente." A posição final é ambígua, mas a interpretação mais natural é a mesma de II: o advérbio incide sobre o verbo/objeto, indicando que o Iphan recebeu somente aquele adereço (e nada mais). Não reproduz a exclusividade do sujeito.

Conclusão: Somente o item I é correto, o que corresponde à alternativa A.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a mudança de escopo do advérbio conforme sua posição na frase. Muitos candidatos confundem as duas interpretações, achando que "somente" sempre significa a mesma coisa. Lembre-se: antes do sujeito → exclusividade do sujeito; depois do verbo/objeto → exclusividade do objeto/ação.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescritura com advérbios como "só", "somente", "apenas", grife o termo que o advérbio está modificando. Pergunte: "o que é exclusivo?" — se a resposta for o sujeito, o advérbio deve vir antes dele.

Gabarito: letra A

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