Questão de Português — Interpretação de Textos — IF-MT 2024
PortuguêsInterpretação de Textos
- Código
- qg240639
- Banca
- IF-MT
- Órgão
- IF-MT
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico - Literatura
Filho de pai alemão e mãe brasileira, Ricardo Guilherme Dicke nasceu em Vila Raizama, no município de Chapada dos Guimardes/MT. Aos 29 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou filosofia na UFR), especializando-se em “Heidegger e o Problema do Absoluto” e “Fenomenologia” de Merleau Ponty, além de cursar o mestrado em filosofia da arte, tendo frequentado, ainda, a Escola Superior de Museologia. Dicke publicou seu primeiro livro, Caminhos de Sol e de Lua, no começo da década de 1960. Em 1968 publicou O Deus de Caim, obra que alcançou o quarto lugar no Prémio Walmap de Literatura. Ao voltar para Cuiabá/ MT, aliou o seu trabalho como professor e romancista. Dentre as suas obras, destaca-se Cerimônias do esquecimento (1995). A partir da leitura de seu excerto, só NÃO se pode afirmar que:
- AO narrador, subjetivamente, se apropria das sombras, ajustando sua intensidade a medida que a noite avança, incorporando detalhes como as nuances de luz, as tonalidades de violeta e o brilho da lua. Esses elementos conferem as coisas cores diferentes das que normalmente têm sob a luz solar, podendo tornar cinza brumosa[s] as borboletas, e favorecer a visualização do estremece[r] das estrelas.
- BO uso do verbo “estremeciam” é apropriado para a atmosfera sugerida no texto, que evoca uma sensação de enfraquecimento ou dissolução. Esse emprego está em sintonia com o sentimento de angustia de um eu que fala de si para si, e que dialoga em segunda pessoa através de duas ações - “pensaste” e “olhaste”. Esse diálogo interno aborda o tema da solidão, que leva a deterioração das relações interpessoais e da morte, que representa a decomposição da matéria e a efemeridade da existência humana. Esses elementos compõem a reflexão sobre aqueles que experimentam o silêncio profundo e único da terra nos lábios e na língua, uma metáfora eufémica para o sepultamento do corpo.
- CHá uma sinestesia que aproxima dois estados de ser: 1°) A sensação de estar completamente mergulhado no crepúsculo, tanto interna quanto externamente, que é normalmente uma experiência visual, mas aqui é absorvida por todos os sentidos, tornando-se parte do ser, que se desdobra e cai. 2°) As sombras violetas que desaparecem no esterco também são uma representação de algo que não é mais matéria, mas sim um reflexo, tornando-se tangível a medida que se dissolve na matéria decomposta.
- DA assonância das consoantes bilabiais que se assemelham a /p/ e das consoantes nasais, como nas palavras “pensaste”, “esperavam”, “empapado”, “crepúsculo”, “sombra”, “silêncio”, “profundo” e “existência”, cria um efeito semelhante a um eco. Isso cria um efeito de ressonância nas ideias de “noturnidade”, “ensombrecimento”, desconhecimento e dualidade que permeiam o parágrafo em uma dimensão que se sobrepõe ao fenômeno e ao imaterial sem hesitação.
- EUm dos elementos notáveis é o uso de técnicas que envolvem a representação da deformidade, especialmente na construção das representações de seres, tempo, espaço e emoções, usando uma substancia maleável e mutável. Essas abordagens delineiam um estilo na narrativa de Dicke que possibilitou sua analise sob a perspectiva de uma técnica de composição comum as artes visuais e que é encontrada no movimento artístico conhecido como Expressionismo.