Questão de Controle Externo — Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal - STF — IMPARH 2024
Controle Externo›Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal - STF
Código
qg257055
Banca
IMPARH
Órgão
PGM de Fortaleza - CE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista de Procuradoria
Maria das Dores, moradora do bairro Passaré, portadora de graves doenças cardiovasculares é hipossuficiente e não ostenta condições de custear seu tratamento médico-hospitalar sem prejuízo da própria subsistência. A respeito dos direitos e deveres individuais, coletivos e sociais, assinale a opção correta à luz do entendimento jurisprudencial firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ).
AÉ impossível a concessão de tutela antecipada contra a Fazenda Pública Municipal para obrigá-la a custear cirurgia cardíaca à Maria das Dores, considerando as restrições orçamentárias do Município de Fortaleza.
BA reserva do possível deve predominar em detrimento da dignidade da pessoa humana, não fazendo jus Maria das Dores a qualquer contraprestação municipal.
CÉ possível a concessão de decisão judicial contra a Fazenda Pública para obrigá-la a custear cirurgia cardíaca a Maria das Dores, a qual não consegue ter acesso, com dignidade, a tratamento que lhe assegure o direito à vida, podendo ser fixada multa cominatória (astreintes) para tal fim, ou até mesmo determinar o bloqueio de verbas públicas. O direito fundamental, nestes casos, prevalece sobre as restrições financeiras e patrimoniais contra o Município de Fortaleza.
DPor força da supremacia do interesse público sobre o privado, Maria das Dores não terá satisfeito seu direito à saúde, quer pela via administrativa, quer pela via jurisdicional.
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GabaritoC — É possível a concessão de decisão judicial contra a Fazenda Pública para obrigá-la a custear cirurgia cardíaca a Maria das Dores, a qual não consegue ter acesso, com dignidade, a tratamento que lhe assegure o direito à vida, podendo ser fixada multa cominatória (astreintes) para tal fim, ou até mesmo determinar o bloqueio de verbas públicas. O direito fundamental, nestes casos, prevalece sobre as restrições financeiras e patrimoniais contra o Município de Fortaleza.
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Direito à saúde vs. reserva do possível — jurisprudência do STF
Gabarito: alternativa C. O STF e o STJ consolidaram o entendimento de que o Poder Judiciário pode determinar que a Fazenda Pública (inclusive municipal) custeie tratamento médico de urgência a pessoa hipossuficiente, mesmo diante de restrições orçamentárias, pois o direito à vida e à saúde prevalece sobre a reserva do possível. É cabível a fixação de astreintes e, em casos excepcionais, até o bloqueio de verbas públicas.
A banca testa o conhecimento da jurisprudência dominante sobre a tutela jurisdicional do direito à saúde. Vejamos cada alternativa:
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que é impossível a concessão de tutela antecipada contra a Fazenda Pública Municipal. Errado. A jurisprudência pacífica do STF (ADI 3769, RE 657718, entre outros) admite medidas de urgência para garantir tratamento de saúde, principalmente quando há risco de morte e o requerente é hipossuficiente. A falta de previsão orçamentária não é obstáculo absoluto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sustenta que a reserva do possível deve predominar em detrimento da dignidade da pessoa humana. Incorreta. A reserva do possível não pode ser invocada para anular o mínimo existencial. O STF, no julgamento do REsp 1.114.034 (Tema 106) e da ADPF 45, firmou que a dignidade da pessoa humana e o direito à vida são cláusulas pétreas e prevalecem sobre limitações financeiras.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente o posicionamento consolidado: é possível decisão judicial obrigando a Fazenda Pública a custear a cirurgia, com fixação de multa cominatória (astreintes) e até bloqueio de verbas, excepcionalmente. O direito fundamental à saúde prevalece sobre as restrições orçamentárias. Essa é a orientação do STF (RE 226.834, STA 175, SL 47, entre outros).
Alternativa D — ❌ Incorreta
A supremacia do interesse público sobre o privado não é absoluta no caso concreto. O interesse público deve ser interpretado à luz dos direitos fundamentais, e o direito à vida é prioritário. Maria das Dores tem direito a ver seu direito à saúde satisfeito, tanto pela via administrativa quanto pela judicial.
PEGA ESSA DICA!
Memorize a jurisprudência do STF sobre o tema: o direito à saúde é exigível do Estado, mesmo sem previsão orçamentária, quando há risco à vida e o paciente é hipossuficiente. A "reserva do possível" só pode ser alegada após garantir o mínimo existencial.