Questão de Direito Processual Penal — Procedimento comum sumaríssimo - Lei nº 9.099 de 1995 - Lei dos Juizados Especiais Criminais - JECRIM — INSTITUTO AOCP 2024
Direito Processual Penal›Procedimento comum sumaríssimo - Lei nº 9.099 de 1995 - Lei dos Juizados Especiais Criminais - JECRIM
Código
qg263047
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
TRF - 2ª REGIÃO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Técnico Judiciário - Área Administrativa - Agente da Polícia Judicial
Considerando as disposições acerca dos Juizados Especiais Criminais (Lei nº 9.099/1995) e a jurisprudência dos Tribunais Superiores, assinale a alternativa correta.
AO Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) não possui natureza investigativa, podendo ser lavrado por integrantes da polícia judiciária ou da polícia administrativa.
BA homologação da transação penal prevista na Lei nº 9.099/1995 faz coisa julgada material e, caso descumpridas suas cláusulas, cabe ao juiz da causa, a requerimento do Ministério Público, substituir a transação penal realizada pela respectiva sentença penal condenatória.
CA competência do Juizado regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu e, não sendo este conhecido, será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração penal.
DTratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à representação, a homologação do acordo de composição dos danos civis não acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação.
EA suspensão condicional do processo e a transação penal aplicam-se na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.
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GabaritoA — O Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) não possui natureza investigativa, podendo ser lavrado por integrantes da polícia judiciária ou da polícia administrativa.
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Juizados Especiais Criminais – Lei 9.099/1995
Gabarito: letra A. O Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) não possui natureza investigativa, podendo ser lavrado por integrantes da polícia judiciária ou da polícia administrativa. A alternativa B está incorreta porque a transação penal, uma vez homologada, não faz coisa julgada material e, se descumprida, o Ministério Público pode oferecer denúncia, não havendo substituição por sentença condenatória. A alternativa C inverte a regra de competência: o lugar da infração é o critério primário, e o domicílio do réu é subsidiário. A alternativa D contraria o art. 74, parágrafo único, da Lei 9.099/1995, que prevê a renúncia ao direito de queixa ou representação. A alternativa E está incorreta porque a Lei Maria da Penha veda a aplicação da suspensão condicional do processo e da transação penal.
A Lei 9.099/1995 instituiu os Juizados Especiais Cíveis e Criminais para conciliação, processo, julgamento e execução das causas de sua competência, orientando-se pelos critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade. No âmbito criminal, o procedimento é o sumaríssimo, aplicável às infrações de menor potencial ofensivo. O TCO é o instrumento que substitui o inquérito policial para essas infrações, sendo lavrado pela autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência, sem caráter investigativo, pois se destina apenas a registrar o fato e encaminhar as partes ao Juizado.
A transação penal é um instituto despenalizador que consiste na aplicação antecipada de pena restritiva de direitos ou multa, proposta pelo Ministério Público e aceita pelo autor do fato. Não gera reincidência nem maus antecedentes, e seu descumprimento autoriza o oferecimento de denúncia, não a conversão em sentença condenatória. A composição dos danos civis, por sua vez, é um acordo entre vítima e autor, homologado por sentença irrecorrível, que, nos crimes de ação penal privada ou pública condicionada à representação, acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação, extinguindo a punibilidade.
A competência dos Juizados Especiais Criminais é determinada pelo lugar da infração, conforme a regra geral do Código de Processo Penal. O domicílio ou residência do réu é critério subsidiário, aplicável apenas quando não for conhecido o lugar da infração. A Lei Maria da Penha, por sua vez, estabelece um microssistema de proteção à mulher, vedando a aplicação dos institutos despenalizadores da Lei 9.099/1995 aos crimes de violência doméstica e familiar, conforme entendimento consolidado nos Tribunais Superiores.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) é o registro simplificado da ocorrência de infração de menor potencial ofensivo, lavrado pela autoridade policial, conforme o art. 69 da Lei 9.099/1995. Diferentemente do inquérito policial, o TCO não possui natureza investigativa, pois não se destina a apurar a autoria e materialidade do fato, mas apenas a documentar a ocorrência e encaminhar as partes ao Juizado. A doutrina e a jurisprudência admitem que o TCO possa ser lavrado por integrantes da polícia judiciária ou da polícia administrativa, desde que no exercício de suas funções.
Art. 69Lei-9099
Art. 69 — "A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários."
Alternativa B — ❌ Incorreta
A transação penal, prevista no art. 76 da Lei 9.099/1995, é um acordo entre o Ministério Público e o autor do fato, homologado pelo juiz, que aplica imediatamente pena restritiva de direitos ou multa. A homologação não faz coisa julgada material, pois se trata de um título executivo que, se descumprido, autoriza o Ministério Público a oferecer denúncia, retomando o curso do processo. Não há previsão legal de substituição da transação por sentença penal condenatória. O erro da alternativa está em afirmar que a homologação faz coisa julgada material e que o descumprimento enseja a conversão em condenação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa inverte a ordem dos critérios de competência. Conforme o art. 70 do Código de Processo Penal, a competência é determinada pelo lugar da infração. O art. 72 do mesmo diploma estabelece que, não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu. Portanto, o critério primário é o lugar do crime, e o domicílio do réu é subsidiário. A alternativa afirma o contrário, configurando erro.
Art. 72CPP
Art. 72 — "Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu."
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa contraria expressamente o art. 74, parágrafo único, da Lei 9.099/1995. A composição dos danos civis, homologada pelo juiz, nos crimes de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à representação, acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação, extinguindo a punibilidade. A alternativa afirma o contrário, ou seja, que a homologação não acarreta a renúncia, o que é incorreto.
Art. 74Lei-9099
Art. 74 — "A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente."
Parágrafo único — "Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação."
Alternativa E — ❌ Incorreta
A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, estabelecendo um microssistema de proteção. O art. 41 da referida lei veda a aplicação da Lei 9.099/1995 aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, o que inclui a suspensão condicional do processo e a transação penal. Portanto, a alternativa está incorreta ao afirmar que esses institutos se aplicam aos delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os critérios de competência e os efeitos dos institutos despenalizadores. Na alternativa C, inverte a regra do art. 72 do CPP, fazendo o candidato acreditar que o domicílio do réu é o critério primário. Na alternativa B, atribui à transação penal o efeito de coisa julgada material, quando na verdade o descumprimento autoriza o oferecimento de denúncia. Fique atento a essas inversões clássicas.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, lembre-se: TCO não investiga, apenas registra; transação penal descumprida = denúncia; composição civil homologada = renúncia (em ação privada ou pública condicionada); competência = lugar do crime primeiro, domicílio do réu depois; Lei Maria da Penha = sem Lei 9.099/1995. Esses são os pontos mais cobrados em provas sobre o JECRIM.