Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — INSTITUTO AOCP 2024

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg263336
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UFS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Classe E
A meningite pode apresentar-se como doença aguda de evolução rápida ou como infecção subaguda que piora de forma progressiva. Os sintomas clínicos clássicos consistem em febre, cefaleia e rigidez de nuca. Sobre a meningite, assinale a alternativa correta.
  1. AO sinal de Kernig deve ser pesquisado com o paciente em decúbito ventral.
  2. BOs sinais de Kernig e Brudzinski, devido à alta sensibilidade, estão sempre presentes na doença.
  3. CNo líquido cerebrospinal (LCS) de pacientes com meningite bacteriana, as alterações típicas incluem redução da pressão de abertura, predomínio de linfócito, redução da concentração de glicose e redução dos níveis de proteína.
  4. DA meningite viral comumente apresenta envolvimento do parênquima cerebral levando a sintomas neurológicos focais.
  5. EEm adultos jovens e saudáveis com meningite bacteriana, os patógenos mais frequentemente envolvidos incluem Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Em adultos jovens e saudáveis com meningite bacteriana, os patógenos mais frequentemente envolvidos incluem Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Meningite: etiologia, sinais meníngeos e líquido cerebrospinal

Gabarito: letra E. Em adultos jovens e saudáveis com meningite bacteriana, os patógenos mais frequentemente envolvidos são Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae — exatamente o que afirma a alternativa. As demais opções erram ao descrever a técnica do sinal de Kernig, a sensibilidade dos sinais meníngeos, o padrão liquórico da meningite bacteriana e o envolvimento do parênquima cerebral na meningite viral.

A meningite é a inflamação das leptomeninges (pia-máter e aracnoide) e do espaço subaracnóideo, que contém o líquido cerebrospinal (LCS). Ela se manifesta classicamente com a tríade febre, cefaleia e rigidez de nuca, mas a apresentação pode variar conforme o agente etiológico, a idade e o estado imunológico do paciente. A distinção entre meningite bacteriana e viral é crucial, pois a bacteriana é uma emergência médica com alta mortalidade se não tratada precocemente, enquanto a viral costuma ser autolimitada.

Os sinais de Kernig e Brudzinski são manobras semiológicas que indicam irritação meníngea. O sinal de Kernig é pesquisado com o paciente em decúbito dorsal: o examinador flexiona o quadril e o joelho do paciente a 90° e, em seguida, tenta estender o joelho; a resistência ou dor à extensão indica positividade. O sinal de Brudzinski é pesquisado com o paciente em decúbito dorsal: a flexão passiva do pescoço provoca flexão involuntária dos quadris e joelhos. É importante destacar que a sensibilidade desses sinais é baixa — em torno de 5% em adultos —, ou seja, sua ausência não exclui meningite, e sua presença, embora específica, não é obrigatória.

O líquido cerebrospinal é o exame fundamental para o diagnóstico. Na meningite bacteriana, o padrão típico é: pressão de abertura elevada, pleocitose com predomínio de neutrófilos (polimorfonucleares), glicose reduzida (hipoglicorraquia) e proteína elevada (hiperproteinorraquia). Já na meningite viral, o padrão é: pressão normal ou levemente elevada, pleocitose com predomínio de linfócitos, glicose normal ou levemente reduzida e proteína normal ou levemente elevada. A alternativa C inverte completamente esse padrão, descrevendo o oposto do que ocorre na meningite bacteriana.

Quanto à etiologia, a meningite bacteriana em adultos jovens e saudáveis é causada principalmente por Streptococcus pneumoniae (pneumococo), Neisseria meningitidis (meningococo) e Haemophilus influenzae tipo b. Em recém-nascidos, predominam Streptococcus agalactiae (estreptococo do grupo B), Escherichia coli e Listeria monocytogenes. Em idosos e imunossuprimidos, Listeria monocytogenes e bacilos gram-negativos ganham importância. A meningite viral, por sua vez, é mais comumente causada por enterovírus, seguidos por herpes-vírus (HSV-2, VZV) e arbovírus.

A meningite viral, ao contrário do que afirma a alternativa D, é uma doença que acomete predominantemente as meninges, sem envolvimento significativo do parênquima cerebral. Quando há envolvimento do parênquima, o quadro é de encefalite, que se manifesta com sintomas neurológicos focais, alteração do nível de consciência, convulsões e déficits neurológicos. A encefalite por HSV-1 é o exemplo clássico, com predileção pelo lobo temporal. Portanto, a presença de sintomas neurológicos focais sugere encefalite, não meningite viral simples.

A pegadinha central desta questão está na alternativa C, que inverte o padrão liquórico da meningite bacteriana, e na alternativa B, que superestima a sensibilidade dos sinais meníngeos. O candidato que decora o padrão liquórico sem compreender a fisiopatologia pode cair na armadilha. A chave é lembrar que a meningite bacteriana é uma infecção piogênica, com resposta inflamatória neutrofílica, consumo de glicose pelas bactérias e aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica, elevando a proteína.

Característica

Meningite Bacteriana

Meningite Viral

Padrão liquórico (LCS)

Pressão de abertura elevada; predomínio de neutrófilos; glicose reduzida; proteína elevada

Pressão normal/levemente elevada; predomínio de linfócitos; glicose normal/levemente reduzida; proteína normal/levemente elevada

Etiologia mais comum (adultos jovens)

Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis, Haemophilus influenzae

Enterovírus, herpes-vírus (HSV-2, VZV), arbovírus

Envolvimento do parênquima cerebral

Raro (complicação)

Ausente (quando presente, caracteriza encefalite)

Sinais de Kernig e Brudzinski

Baixa sensibilidade (~5% em adultos); ausência não exclui diagnóstico

Baixa sensibilidade; ausência não exclui diagnóstico

1Bacteriana
LCS: neutrófilos, glicose ↓, proteína ↑
Adultos: pneumococo, meningococo, H. influenzae
2Viral
LCS: linfócitos, glicose normal, proteína normal
Acomete meninges (não parênquima)
3Sinais meníngeos
Kernig: decúbito dorsal
Baixa sensibilidade (~5%)
Meningite
LEVELsoulevel.com.br
Meningite: Bacteriana (LCS: neutrófilos, glicose ↓, proteína ↑, Adultos: pneumococo, meningococo, H. influenzae); Viral (LCS: linfócitos, glicose normal, proteína normal, Acomete meninges (não parênquima)); Sinais meníngeos (Kernig: decúbito dorsal, Baixa sensibilidade (~5%))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O sinal de Kernig deve ser pesquisado com o paciente em decúbito dorsal, não em decúbito ventral. A manobra consiste em flexionar o quadril e o joelho do paciente a 90° e tentar estender o joelho; a positividade é a resistência ou dor à extensão. Em decúbito ventral, a manobra não é realizada e não tem valor semiológico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Os sinais de Kernig e Brudzinski têm baixa sensibilidade — em torno de 5% em adultos —, portanto não estão sempre presentes na meningite. Sua ausência não exclui o diagnóstico, e sua presença, embora específica, é inconstante. A alternativa erra ao afirmar que são "sempre presentes" e que têm "alta sensibilidade".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Esta alternativa inverte completamente o padrão liquórico da meningite bacteriana. O correto é: pressão de abertura elevada, predomínio de neutrófilos, glicose reduzida e proteína elevada. A alternativa afirma o oposto: redução da pressão, predomínio de linfócitos, redução da glicose (correto) e redução da proteína (errado). O padrão descrito (linfócitos, glicose normal, proteína normal) é típico da meningite viral, não da bacteriana.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A meningite viral acomete as meninges, não o parênquima cerebral. O envolvimento do parênquima caracteriza encefalite, que se manifesta com sintomas neurológicos focais, alteração do nível de consciência e convulsões. A meningite viral típica (ex.: enterovírus) apresenta febre, cefaleia, rigidez de nuca e fotofobia, sem déficits focais. A alternativa confunde meningite com encefalite.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Em adultos jovens e saudáveis, os patógenos mais frequentes na meningite bacteriana são Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b. Essa é a tríade clássica de agentes etiológicos nessa faixa etária, conforme a literatura médica. A alternativa está correta ao listar exatamente esses três patógenos.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/qg263336