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Questão de Medicina — Nefrologia — INSTITUTO AOCP 2024

MedicinaNefrologia
Código
qg263344
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UFS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Classe E
Homem, 24 anos, apresenta quadro de alteração na função renal e proteinúria. Após a realização de uma biópsia renal e complementação com exames laboratoriais, foi iniciado o tratamento com tafamidis meglumina, um medicamento incorporado ao Sistema Único de Saúde que é utilizado para
  1. Aamiloidose por transtirretina (ATTR).
  2. Blúpus eritematoso sistêmico.
  3. Cartrite reumatoide.
  4. Dleishmaniose visceral.
  5. Edoença de Lyme.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — amiloidose por transtirretina (ATTR).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Amiloidose por transtirretina (ATTR) e o tafamidis

Gabarito: letra A. O tafamidis meglumina é um estabilizador da proteína transtirretina (TTR), utilizado no tratamento da amiloidose por transtirretina (ATTR), tanto na forma hereditária com polineuropatia (ATTR-PN) quanto na cardiomiopatia amiloide (ATTR-CM). O contexto clínico do enunciado — alteração da função renal e proteinúria — é uma pista que aponta para o acometimento sistêmico da amiloidose, e o medicamento citado é específico para essa doença, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) das Amiloidoses associadas à Transtirretina do Ministério da Saúde.

A amiloidose é um grupo de doenças caracterizadas pelo depósito extracelular de proteínas fibrilares insolúveis em diversos tecidos e órgãos. Na amiloidose por transtirretina (ATTR), a proteína TTR, produzida principalmente no fígado, sofre mutações (forma hereditária) ou se deposita na forma selvagem (não mutada, relacionada à idade), formando fibrilas amiloides que se acumulam em nervos periféricos, coração, rins e outros órgãos. O acometimento renal, com proteinúria e alteração da função renal, pode ocorrer em ambos os tipos, embora seja mais comum na forma hereditária.

O tafamidis atua como um estabilizador da TTR, impedindo que a proteína se dissocie em monômeros e forme as fibrilas amiloides. Ele é aprovado e incorporado ao SUS para o tratamento da polineuropatia amiloide familiar relacionada à transtirretina (ATTR-PN) e da cardiomiopatia amiloide associada à transtirretina (ATTR-CM), conforme o PCDT. O medicamento é apresentado em duas formulações: tafamidis meglumina (cápsulas de 20 mg) para ATTR-PN e tafamidis (cápsulas de 61 mg) para ATTR-CM.

A questão explora o conhecimento sobre a indicação precisa de um medicamento de alto custo incorporado ao SUS. As alternativas incorretas apresentam doenças reumatológicas, infecciosas e parasitárias que não têm relação com o mecanismo de ação do tafamidis. A chave para acertar é associar o nome do fármaco à doença-alvo: tafamidis → transtirretina → amiloidose.

PCDT das Amiloidoses associadas à Transtirretina (ATTR):

"Tafamidis meglumina no tratamento da polineuropatia amiloidótica familiar relacionada à proteína transtirretina [Relatório de Recomendação nº 339/2018; Portaria SCTIE/MS nº 2/2018]."

Tafamidis meglumina
  • 1Mecanismo
    • Estabiliza transtirretina (TTR)
    • Impede formação de fibrilas amiloides
  • 2Indicação
    • Amiloidose por transtirretina (ATTR)
      • Hereditária (ATTR-PN)
      • Cardiomiopatia (ATTR-CM)
  • 3Acometimento sistêmico
    • Rins (proteinúria)
    • Coração
    • Nervos periféricos
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O tafamidis meglumina é um estabilizador da transtirretina (TTR), proteína que, quando mal dobrada, forma fibrilas amiloides. Ele é indicado para o tratamento da amiloidose por transtirretina (ATTR), tanto na forma hereditária com polineuropatia (ATTR-PN) quanto na cardiomiopatia amiloide (ATTR-CM). O contexto do enunciado — proteinúria e alteração da função renal — é compatível com o acometimento renal da amiloidose, e o medicamento citado é específico para essa doença.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune que pode causar nefrite lúpica, com proteinúria e alteração da função renal. No entanto, o tratamento da nefrite lúpica envolve imunossupressores como corticoide, ciclofosfamida, micofenolato de mofetila, azatioprina e tacrolimo — nunca tafamidis. O tafamidis não tem nenhum papel no LES, pois seu mecanismo de ação é estabilizar a transtirretina, não modular o sistema imunológico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A artrite reumatoide é uma doença autoimune inflamatória crônica que afeta principalmente as articulações. Seu tratamento inclui anti-inflamatórios, corticoides, DMARDs sintéticos (como metotrexato) e biológicos (como anti-TNF). O tafamidis não é utilizado na artrite reumatoide, pois não possui ação anti-inflamatória ou imunomoduladora.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A leishmaniose visceral é uma doença parasitária causada pelo protozoário Leishmania, transmitida pela picada do mosquito-palha. O tratamento é feito com antimoniato de meglumina, anfotericina B, miltefosina ou paromomicina. O tafamidis não tem atividade antiparasitária e não é utilizado no tratamento da leishmaniose.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A doença de Lyme é uma infecção bacteriana causada pela Borrelia burgdorferi, transmitida pela picada de carrapatos. O tratamento é feito com antibióticos como doxiciclina, amoxicilina ou ceftriaxona. O tafamidis não é um antibiótico e não tem indicação no tratamento da doença de Lyme.

Gabarito: letra A — o tafamidis meglumina é utilizado para o tratamento da amiloidose por transtirretina (ATTR).

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