Questão de Medicina — Endocrinologia — INSTITUTO AOCP 2024
- Código
- qg263345
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- UFS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Classe E
- AMetformina.
- BDapagliflozina.
- CLinagliptina.
- DGlimepirida.
- EAcarbose.
GabaritoC — Linagliptina.
Gabarito: letra C. A linagliptina é um inibidor da dipeptidil peptidase-4 (iDPP-4), classe que bloqueia a degradação do GLP-1 e do GIP, aumentando a secreção de insulina dependente de glicose e inibindo o glucagon. As demais alternativas pertencem a outras classes: metformina (biguanida), dapagliflozina (inibidora do SGLT2), glimepirida (sulfonilureia) e acarbose (inibidor da α-glicosidase).
Os antidiabéticos orais são a espinha dorsal do tratamento do diabetes mellitus tipo 2, e a banca de concursos médicos adora cobrar a classificação de cada fármaco. A lógica por trás de cada classe é o mecanismo de ação: enquanto a metformina atua como sensibilizador da insulina (reduzindo a produção hepática de glicose e aumentando a captação periférica), os iDPP-4 atuam no eixo das incretinas — hormônios intestinais que amplificam a resposta insulínica após as refeições. O GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon) é rapidamente degradado pela enzima DPP-4; ao inibir essa enzima, os iDPP-4 prolongam a ação do GLP-1 endógeno, resultando em aumento da secreção de insulina glicose-dependente e supressão do glucagon. Essa via é particularmente atraente porque o risco de hipoglicemia é baixo (a secreção de insulina só é estimulada quando a glicemia está elevada) e o efeito sobre o peso é neutro.
Na prática clínica, os iDPP-4 (alogliptina, linagliptina, saxagliptina, sitagliptina e vildagliptina) são opções de segunda linha bem toleradas, com segurança cardiovascular estabelecida, e podem ser usados na doença renal crônica com ajuste de dose — a linagliptina, inclusive, não exige ajuste renal significativo. O exemplo concreto: um paciente com DM2 em uso de metformina que não atinge a meta de HbA1c e tem contraindicação ou intolerância a outras classes pode receber sitagliptina 100 mg 1×/dia. A distinção que mais confunde é entre iDPP-4 e agonistas do receptor de GLP-1: ambos mexem na via das incretinas, mas os agonistas são administrados por injeção subcutânea (com exceção da semaglutida oral) e promovem perda de peso, enquanto os iDPP-4 são orais e peso-neutros. A pegadinha clássica da banca é trocar a classe de um fármaco específico — como fez aqui com a dapagliflozina, que muitos candidatos confundem com iDPP-4 por ser também uma medicação moderna e bem tolerada.
Guarde o mapa das classes: biguanida (metformina), iSGLT2 (dapagliflozina, canagliflozina, empagliflozina), iDPP-4 (gliptinas), sulfonilureias (glimepirida, gliclazida, glibenclamida), glinidas (repaglinida, nateglinida), tiazolidinedionas (pioglitazona), inibidores da α-glicosidase (acarbose, miglitol) e agonistas do GLP-1 (liraglutida, semaglutida, dulaglutida). É exatamente nessa classificação que as alternativas se separam.
Classe | Mecanismo de ação | Exemplos | Característica principal |
|---|---|---|---|
Biguanida | Sensibilizador de insulina (↓ gliconeogênese hepática, ↑ captação periférica) | Metformina | 1ª linha no DM2; risco baixo de hipoglicemia |
iSGLT2 | ↑ excreção urinária de glicose | Dapagliflozina, empagliflozina | Benefício cardiorrenal; sufixo "-gliflozina" |
iDPP-4 | Inibição da enzima DPP-4 → ↑ GLP-1/GIP endógenos | Linagliptina, sitagliptina | Peso-neutro; baixo risco de hipoglicemia; sufixo "-gliptina" |
Sulfonilureia | Fecha canais K-ATP → ↑ secreção de insulina (independente de glicose) | Glimepirida, gliclazida | Risco de hipoglicemia e ganho de peso |
Inibidor da α-glicosidase | Retarda digestão/absorção de carboidratos | Acarbose, miglitol | Efeitos GI (flatulência, diarreia) |
A metformina é uma biguanida, não um iDPP-4. Seu mecanismo é sensibilizar a insulina: reduz a produção hepática de glicose (gliconeogênese) e aumenta a captação periférica de glicose. É a medicação de primeira linha no DM2, mas não pertence à classe dos inibidores da DPP-4.
A dapagliflozina é um inibidor do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), classe que aumenta a excreção urinária de glicose. É uma medicação moderna com benefícios cardiorrenais comprovados, mas não atua na via das incretinas. A confusão é comum porque ambas são classes "novas" e bem toleradas, mas o mecanismo é completamente distinto.
A linagliptina é um inibidor da dipeptidil peptidase-4 (iDPP-4). A classe bloqueia a enzima que degrada o GLP-1 e o GIP, aumentando a secreção de insulina dependente de glicose e inibindo o glucagon. Os membros da classe são alogliptina, linagliptina, saxagliptina, sitagliptina e vildagliptina — todas com sufixo "-gliptina", o que ajuda na identificação.
A glimepirida é uma sulfonilureia, classe de secretagogos da insulina que atua fechando os canais de potássio sensíveis ao ATP nas células beta pancreáticas, estimulando a liberação de insulina independentemente da glicemia. Por isso, apresenta risco significativo de hipoglicemia e ganho de peso — perfil oposto ao dos iDPP-4.
A acarbose é um inibidor da α-glicosidase intestinal, que retarda a digestão e absorção de carboidratos no intestino delgado, reduzindo a glicemia pós-prandial. Seus efeitos colaterais são predominantemente gastrintestinais (flatulência, diarreia, dor abdominal), e não atua na via das incretinas.
A banca explora a associação automática entre "medicamento moderno e bem tolerado" e "iDPP-4". A dapagliflozina (letra B) é o distrator mais perigoso: por ser uma classe recente e com perfil de segurança favorável, muitos candidatos a classificam erroneamente como iDPP-4. A dica infalível é o sufixo: todos os iDPP-4 terminam em "-gliptina" (sitagliptina, saxagliptina, linagliptina, alogliptina, vildagliptina), enquanto os iSGLT2 terminam em "-gliflozina" (dapagliflozina, empagliflozina, canagliflozina).
Para fixar a classificação dos antidiabéticos orais, monte um quadro mental pelos sufixos: -formina (biguanida), -gliflozina (iSGLT2), -gliptina (iDPP-4), -glimepirida/-glibenclamida/-gliclazida (sulfonilureias), -glitazona (tiazolidinedionas), -glinida (glinidas) e acarbose/miglitol (inibidores da α-glicosidase). Na prova, o sufixo resolve a questão em segundos.
Gabarito: letra C.
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