Questão de Medicina — Gastroenterologia — INSTITUTO AOCP 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg263347
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UFS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Classe E
Em qual das patologias a seguir poderia ser utilizado o balão de Sengstaken-Blakemore?
ASíndrome de Ogilvie ou pseudo-obstrução intestinal.
BLitíase renal obstrutiva.
CHemorragia digestiva alta por varizes esofágicas.
DHemorragia digestiva baixa por angiodispasia.
EEpistaxe maciça.
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GabaritoC — Hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Balão de Sengstaken-Blakemore: indicação em hemorragia digestiva alta varicosa
Gabarito: letra C. O balão de Sengstaken-Blakemore é um dispositivo de tamponamento mecânico utilizado como medida temporária de resgate no controle de hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas — situação em que a pressão direta do balão sobre a variz sangrante pode estancar o sangramento até que terapias definitivas (endoscopia, TIPS) sejam realizadas. As demais alternativas descrevem condições sem relação com a fisiopatologia da hipertensão porta varicosa, para as quais o balão não tem qualquer indicação.
O balão de Sengstaken-Blakemore é um tubo com dois balões — um gástrico e um esofágico — que, quando insuflados, comprimem mecanicamente as varizes gastroesofágicas rompidas. Ele não trata a causa do sangramento (a hipertensão porta), apenas tampona temporariamente o ponto de ruptura. Por isso, seu uso é restrito a situações de hemorragia maciça refratária à terapia endoscópica, como ponte até a realização de procedimentos definitivos, como a derivação portossistêmica transjugular intra-hepática (TIPS) ou a cirurgia de shunt portossistêmico. O material de apoio confirma que o tamponamento com balão "aplica uma pressão direta sobre a variz sangrante (balão de Sengstaken-Blakemore, tubo de Minnesota)" e que, "em casos de sangramento maciço em que a terapia endoscópica não está disponível, esse tratamento pode salvar a vida do paciente". Também é destacado que o procedimento "deve ser usado como um procedimento de resgate e ponte até a realização de terapias mais definitivas".
A indicação precisa do balão está, portanto, ancorada na fisiopatologia da hemorragia digestiva alta varicosa, que ocorre no contexto da hipertensão porta — mais comumente por cirrose hepática. As varizes esofágicas são colaterais portossistêmicas que se formam quando a pressão no sistema porta aumenta; quando rompem, produzem hematêmese e melena volumosas. O balão comprime diretamente essas varizes, controlando o sangramento de forma temporária. É importante notar que o balão de Sengstaken-Blakemore não é indicado para hemorragias digestivas baixas (como a angiodisplasia do cólon), nem para sangramentos de outras origens, como epistaxe ou litíase renal — condições que não envolvem varizes esofágicas ou gástricas.
A principal distinção que a questão explora é entre hemorragia digestiva alta (HDA) e hemorragia digestiva baixa (HDB), e entre sangramentos de origem varicosa e não varicosa. O balão de Sengstaken-Blakemore é específico para varizes esofágicas (e, em algumas variações, gástricas). A angiodispasia, citada na alternativa D, é uma malformação vascular que sangra no trato gastrointestinal baixo (cólon, principalmente) e não responde a tamponamento mecânico — seu tratamento envolve colonoscopia com coagulação, embolização angiográfica ou cirurgia. Já a síndrome de Ogilvie (alternativa A) é uma pseudo-obstrução colônica aguda, sem relação com sangramento; a litíase renal (alternativa B) é uma obstrução do trato urinário; e a epistaxe (alternativa E) é um sangramento nasal, tratado com compressão local, cauterização ou tamponamento nasal anterior/posterior — nunca com balão esofágico.
A pegadinha da banca está em associar o balão a qualquer tipo de "hemorragia" ou "sangramento", quando na verdade ele é exclusivo para varizes gastroesofágicas. O candidato que não domina a fisiopatologia pode marcar a alternativa D (hemorragia digestiva baixa) por pensar que o balão serve para "qualquer sangramento digestivo", mas o mecanismo de ação do dispositivo — compressão direta sobre varizes — só faz sentido na HDA varicosa. Guarde o critério decisivo: o balão de Sengstaken-Blakemore é indicado quando há varizes esofágicas sangrando, ou seja, na hemorragia digestiva alta de origem varicosa.
Balão de Sengstaken-Blakemore: Mecanismo (Tamponamento mecânico, Compressão direta da variz); Indicação (HDA por varizes esofágicas, Ponte até terapia definitiva); Não indicado (HDB (angiodispasia), Pseudo-obstrução (Ogilvie), Litíase renal, Epistaxe)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A síndrome de Ogilvie (pseudo-obstrução intestinal aguda) é uma dilatação maciça do cólon sem obstrução mecânica, geralmente associada a distúrbios metabólicos, uso de opioides ou pós-operatório. Não há sangramento nem varizes — o tratamento envolve correção da causa, descompressão colonoscópica ou neostigmina. O balão de Sengstaken-Blakemore não tem qualquer papel aqui.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A litíase renal obstrutiva é uma condição do trato urinário (cálculo obstruindo o ureter ou pelve renal), manifestando-se com cólica renal, hematúria e possível hidronefrose. Não há relação com varizes esofágicas nem com o trato gastrointestinal superior. O balão esofágico é totalmente inapropriado.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas é a indicação clássica do balão de Sengstaken-Blakemore. O dispositivo comprime mecanicamente as varizes rompidas, controlando temporariamente o sangramento até que medidas definitivas (ligadura elástica endoscópica, escleroterapia, TIPS ou cirurgia) sejam realizadas. O material de apoio confirma: "O tamponamento com balão é outra modalidade terapêutica para os sangramentos que não foram resolvidos. Esse balão aplica uma pressão direta sobre a variz sangrante (balão de Sengstaken-Blakemore, tubo de Minnesota)".
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hemorragia digestiva baixa por angiodispasia é um sangramento de origem vascular no cólon (malformações arteriovenosas da mucosa). O balão de Sengstaken-Blakemore atua por compressão direta sobre varizes esofágicas — mecanismo que não se aplica a lesões do intestino grosso. O tratamento da angiodispasia envolve colonoscopia com coagulação, embolização angiográfica ou cirurgia, nunca tamponamento esofágico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A epistaxe maciça é um sangramento nasal, geralmente do plexo de Kiesselbach (anterior) ou das artérias esfenopalatinas (posterior). O tratamento inclui compressão digital, cauterização química ou elétrica, tamponamento nasal anterior/posterior e, em casos graves, embolização ou ligadura arterial. O balão de Sengstaken-Blakemore é um dispositivo esofágico, não nasal — não há indicação para epistaxe.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "hemorragia digestiva" e "hemorragia digestiva varicosa". O balão de Sengstaken-Blakemore não serve para qualquer sangramento digestivo — ele é específico para varizes esofágicas (e gástricas, em variações como o tubo de Linton). A alternativa D (angiodispasia) parece plausível para quem não domina o mecanismo de ação do dispositivo, mas a angiodispasia é uma lesão vascular do cólon, sem varizes, e não responde a tamponamento mecânico. Fique atento: o balão comprime varizes, não "qualquer vaso sangrante".
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre hemorragia digestiva alta, monte um fluxo mental: (1) estabilização hemodinâmica → (2) endoscopia digestiva alta (diagnóstico e tratamento) → (3) se sangramento varicoso refratário → tamponamento com balão (Sengstaken-Blakemore) como ponte → (4) TIPS ou cirurgia. O balão é sempre uma medida temporária de resgate, nunca o tratamento definitivo. Lembre-se: ele só faz sentido onde há varizes — esôfago ou estômago.