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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — INSTITUTO AOCP 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg263386
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UFS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Veterinário - Cirurgia de Pequenos Animais Classe E
Pedro atende um cão, com 07 dias de vida, da raça Poodle, apresentando cianose. Durante o exame físico, foi identificado murmúrio sistólico do tipo de ejeção. Foi realizada uma radiografia em que foram encontradas hipertrofia ventricular direita, dilatação da arterial pulmonar e hipoperfusão pulmonar. Foi realizado ecocardiograma em que foram evidenciados hipertrofia ventricular direita, dimensões reduzidas da cavidade ventricular esquerda, defeito septal interventricular e estenose da valva pulmonar. Qual é o diagnóstico dessa enfermidade?
  1. APersistência do ducto arterioso.
  2. BDefeito do septo atrioventricular – DSAV.
  3. CTetralogia de Fallot.
  4. DAtresia tricúspide.
  5. EAnomalia de Ebstein.
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GabaritoC — Tetralogia de Fallot.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tetralogia de Fallot: a tríade clássica de cianose, sopro e alterações radiológicas

Gabarito: letra C. O quadro descrito — cianose neonatal, sopro sistólico de ejeção, hipertrofia ventricular direita, dilatação da artéria pulmonar, hipoperfusão pulmonar, defeito septal interventricular e estenose pulmonar — é a assinatura clássica da Tetralogia de Fallot, a cardiopatia congênita cianótica mais comum. A combinação de estenose pulmonar com comunicação interventricular (CIV) é o que define a doença e a distingue das demais alternativas.

A Tetralogia de Fallot é uma cardiopatia congênita cianótica caracterizada por quatro alterações anatômicas: estenose da via de saída do ventrículo direito (que pode ser infundibular, valvar ou supravalvar), comunicação interventricular (CIV), dextroposição da aorta (aorta que "cavalga" o septo interventricular) e hipertrofia ventricular direita (que é secundária à sobrecarga de pressão). A fisiopatologia central é o shunt direita-esquerda: o sangue venoso (dessaturado) do ventrículo direito desvia-se através da CIV para a aorta, contornando a circulação pulmonar, o que causa a cianose. A estenose pulmonar limita o fluxo sanguíneo para os pulmões, resultando em hipoperfusão pulmonar — exatamente o que foi visto na radiografia do paciente.

O exame físico revela sopro sistólico de ejeção na borda esternal esquerda, decorrente da estenose pulmonar (o turbilhonamento do sangue através da via de saída estreitada). A radiografia de tórax mostra hipertrofia ventricular direita (aumento da área cardíaca), dilatação da artéria pulmonar (pelo aumento do fluxo que tenta passar pela estenose) e hipoperfusão pulmonar (diminuição da vasculatura pulmonar periférica). O ecocardiograma confirma a CIV, a estenose pulmonar e a hipertrofia ventricular direita, além de mostrar dimensões reduzidas da cavidade ventricular esquerda — consequência do menor retorno venoso pulmonar, já que o fluxo pulmonar está diminuído.

A apresentação clínica varia conforme a gravidade da estenose pulmonar. Em neonatos com estenose grave, a cianose é intensa e precoce, podendo ocorrer crises hipoxêmicas ("tet spells"). Em casos mais leves, a cianose pode ser discreta ou até ausente (Tetralogia de Fallot "rosa"), mas o padrão clássico descrito no enunciado — cianose + sopro + alterações radiológicas e ecocardiográficas — é inconfundível.

A banca explora a confusão com outras cardiopatias congênitas que também cursam com cianose e sopro. A chave para diferenciar é a combinação específica de estenose pulmonar + CIV + hipertrofia ventricular direita, que só a Tetralogia de Fallot apresenta. As demais alternativas têm padrões distintos: a persistência do ducto arterioso (PCA) cursa com sopro contínuo em maquinaria e, quando cianótica, é por inversão do shunt (síndrome de Eisenmenger); o DSAV tem sopro holossistólico e sobrecarga biventricular; a atresia tricúspide tem hipoplasia do ventrículo direito e sopro contínuo do ducto; a anomalia de Ebstein tem sopro de regurgitação tricúspide e cardiomegalia com "coração em saco".

Guarde a tríade que decide a questão: estenose pulmonar + CIV + hipertrofia ventricular direita = Tetralogia de Fallot. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A persistência do ducto arterioso (PCA) é um shunt esquerda-direita que, em condições normais, não causa cianose. O sopro é contínuo em maquinaria (sistólico-diastólico), e a radiografia mostra hiperfluxo pulmonar (vasculatura aumentada), não hipoperfusão. A cianose só ocorre quando há inversão do shunt (síndrome de Eisenmenger), o que não é o caso de um cão de 7 dias com estenose pulmonar e CIV. O ecocardiograma não evidenciaria CIV nem estenose pulmonar como achados principais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O defeito do septo atrioventricular (DSAV) envolve CIA do tipo ostium primum, CIV de entrada e fenda nas valvas mitral e tricúspide. O sopro é holossistólico (de regurgitação AV), não sistólico de ejeção. A radiografia mostra cardiomegalia com hiperfluxo pulmonar (aumento do fluxo esquerda-direita), não hipoperfusão. O ecocardiograma evidenciaria sobrecarga biventricular e regurgitação AV, não estenose pulmonar isolada com hipoplasia do VE.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Tetralogia de Fallot é a única alternativa que reúne todos os achados: cianose neonatal, sopro sistólico de ejeção (estenose pulmonar), hipertrofia ventricular direita, dilatação da artéria pulmonar, hipoperfusão pulmonar, CIV e estenose pulmonar ao ecocardiograma. A hipoplasia do VE é consequência do baixo fluxo pulmonar, que reduz o retorno venoso ao átrio esquerdo e, portanto, o enchimento do VE.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A atresia tricúspide caracteriza-se por ausência da valva tricúspide, hipoplasia do ventrículo direito e CIA obrigatória para a sobrevivência. O sopro é contínuo (do ducto arterioso) ou de CIV, não sistólico de ejeção. A radiografia mostra cardiomegalia com hipofluxo pulmonar, mas o ecocardiograma evidenciaria ventrículo direito hipoplásico, não hipertrofiado, e ausência de valva tricúspide — achados que não batem com o enunciado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A anomalia de Ebstein é uma malformação da valva tricúspide, com deslocamento apical dos folhetos septal e posterior. O sopro é de regurgitação tricúspide (holossistólico), não de ejeção. A radiografia mostra cardiomegalia acentuada ("coração em saco") com hiperfluxo pulmonar ou normal, não hipoperfusão. O ecocardiograma evidenciaria átrio direito gigante e valva tricúspide displásica, não CIV nem estenose pulmonar.

Gabarito: letra C — Tetralogia de Fallot, a cardiopatia congênita cianótica mais comum, definida pela tríade estenose pulmonar + CIV + hipertrofia ventricular direita.

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