Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Biossegurança em Medicina — INSTITUTO AOCP 2024

MedicinaBiossegurança em Medicina
Código
qg263394
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UFS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Veterinário - Cirurgia de Pequenos Animais Classe E
Quanto aos cuidados com os instrumentais cirúrgicos, assinale a alternativa correta.
  1. AOs instrumentais devem ser esterilizados com as travas e dobradiças fechadas, pois as travas podem se expandir e rachar.
  2. BÉ recomendado o uso de água deionizada e esterilizada para enxaguar os materiais, pois a água não tratada pode conter endotoxinas e causar manchas.
  3. CPara a limpeza dos instrumentais, é necessário usar detergentes com o pH ácido.
  4. DO soro fisiológico pode ser utilizado para evitar a corrosão dos instrumentais.
  5. EO teste da borracha é utilizado para identificar biofilme na superfície dos instrumentais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — É recomendado o uso de água deionizada e esterilizada para enxaguar os materiais, pois a água não tratada pode conter endotoxinas e causar manchas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidados com instrumentais cirúrgicos: limpeza, enxágue e esterilização

Gabarito: letra B. O enxágue final dos instrumentais deve ser feito com água deionizada e esterilizada, pois a água comum (não tratada) pode conter endotoxinas — fragmentos de bactérias gram-negativas que resistem à esterilização — e sais minerais que causam manchas e corrosão no aço cirúrgico. Essa é uma recomendação clássica de biossegurança no processamento de artigos hospitalares, e é exatamente o que a alternativa B afirma.

O processamento de instrumentais cirúrgicos segue uma sequência rigorosa: limpeza (remoção de matéria orgânica), enxágue, secagem, embalagem e esterilização. Cada etapa tem regras próprias, e a banca explora justamente os erros mais comuns cometidos na prática — como fechar travas antes da esterilização, usar detergente com pH errado ou confundir soluções. Vamos entender cada ponto para não cair nas armadilhas.

A limpeza é a etapa mais importante: sem ela, nenhum método de esterilização é eficaz, pois a matéria orgânica protege os microrganismos. Para a limpeza, recomenda-se o uso de detergentes neutros ou levemente alcalinos (pH entre 7 e 9), que removem a sujeira sem danificar o metal. Detergentes ácidos são contraindicados porque podem corroer o aço inoxidável e danificar o instrumental. Já o enxágue deve ser abundante, e o enxágue final idealmente com água deionizada ou destilada, para evitar a deposição de sais minerais (que causam manchas) e a contaminação por endotoxinas presentes na água comum.

Na esterilização, os instrumentais com travas e dobradiças devem ser esterilizados abertos (com as travas destravadas), para que o agente esterilizante (vapor, calor seco ou óxido de etileno) entre em contato com todas as superfícies. Se fechados, as travas podem não ser esterilizadas adequadamente e podem até rachar devido à expansão térmica. O soro fisiológico (NaCl 0,9%) não deve ser usado para evitar corrosão — na verdade, o cloreto de sódio é corrosivo para o aço inoxidável; para isso, usam-se lubrificantes específicos (óleos ou soluções à base de silicone). Por fim, o teste da borracha não é um teste de biofilme; ele é usado para verificar a eficácia da limpeza de canais/lúmens (passagem de uma gaze ou escova), enquanto o biofilme é identificado por métodos específicos de cultura ou coloração.

A pegadinha central desta questão é a inversão de recomendações: a banca troca o que deve ser feito (travas abertas, água deionizada, detergente neutro) pelo que não deve (travas fechadas, água comum, detergente ácido). Guarde o par correto de cada etapa — é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

  1. 1Limpeza (detergente neutro)
  2. 2Enxágue (água deionizada)
  3. 3Secagem
  4. 4Embalagem
  5. 5Esterilização (travas abertas)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os instrumentais devem ser esterilizados com travas e dobradiças fechadas. É o oposto da recomendação: devem ser esterilizados abertos (destravados), para que o agente esterilizante alcance todas as superfícies. Se fechadas, as travas podem não ser esterilizadas e podem rachar com a expansão térmica — o que a alternativa apresenta como justificativa é, na verdade, a razão para não fechá-las.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Recomenda o uso de água deionizada e esterilizada para o enxágue final, pois a água não tratada pode conter endotoxinas (lipopolissacarídeos de bactérias gram-negativas, resistentes à esterilização) e sais que causam manchas no instrumental. É exatamente a conduta correta no processamento de artigos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a limpeza deve usar detergentes com pH ácido. O correto é usar detergentes neutros ou levemente alcalinos (pH 7–9), que removem matéria orgânica sem corroer o aço. Detergentes ácidos danificam o instrumental e não são recomendados para limpeza de artigos cirúrgicos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o soro fisiológico pode ser usado para evitar corrosão. O soro fisiológico (NaCl 0,9%) é corrosivo para o aço inoxidável, pois o cloreto de sódio acelera a oxidação. Para prevenir corrosão, usam-se lubrificantes específicos (à base de silicone ou óleos próprios para instrumentais), não soro fisiológico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o teste da borracha identifica biofilme. O teste da borracha (ou teste de passagem de gaze/escova) é usado para verificar a permeabilidade/limpeza de canais e lúmens de instrumentais ocos, não para detectar biofilme. A detecção de biofilme exige métodos microbiológicos específicos (cultura, coloração, microscopia).

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte as recomendações de processamento: troca "travas abertas" por "fechadas", "detergente neutro" por "ácido", "água deionizada" por "água comum" e ainda inventa usos para o soro fisiológico e o teste da borracha. O candidato que decora o "senso comum" (fechar travas para proteger, usar soro para lubrificar) cai direto nas alternativas erradas. A regra de ouro: na dúvida, lembre que o processamento busca máxima exposição ao agente esterilizante e mínima contaminação química/microbiana — travas abertas, água purificada, detergente neutro.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte o fluxo mental do processamento: limpeza (detergente neutro) → enxágue (água deionizada) → secagem → embalagem → esterilização (travas abertas). Se uma alternativa contrariar qualquer etapa desse fluxo, ela está errada. E lembre: soro fisiológico é para uso em tecidos, nunca em instrumentais — é corrosivo.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/qg263394