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Questão de Nutrição — Bioquímica, Digestão, Metabolismo e Absorção de Nutrientes — INSTITUTO AOCP 2024

NutriçãoBioquímica, Digestão, Metabolismo e Absorção de Nutrientes
Código
qg263431
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UFS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Nutricionista - Classe E
O leite de vaca é o mais consumido no Brasil e na maioria dos outros países. Apesar de o consumo de produtos lácteos ser frequente na população, algumas pessoas, ao beber ou comer produtos lácteos de origem bovina, apresentam alguns sintomas gastrintestinais, como diarreia, dores abdominais, gases e enjoo. Com o melhoramento genético em gado, a produção de um determinado tipo de leite vem sendo executada como alternativa dietética entre indivíduos que reportam desconforto gastrintestinal por consumo de leite de vaca (não associado à lactose). Qual é esse leite?
  1. ALeite tipo A.
  2. BLeite tipo B.
  3. CLeite tipo C.
  4. DLeite A1.
  5. ELeite A2.
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GabaritoE — Leite A2.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Leite A2: alternativa para desconforto gastrintestinal não associado à lactose

Gabarito: letra E. O leite produzido como alternativa dietética para indivíduos com desconforto gastrintestinal ao consumir leite de vaca, sem que haja intolerância à lactose, é o leite A2 — obtido por melhoramento genético de gado que produz apenas a β-caseína A2, em vez da variante A1, associada a sintomas como diarreia, dor abdominal e gases. A questão explora exatamente essa distinção entre os tipos de β-caseína, e não a classificação do leite por tipo (A, B, C) nem a intolerância à lactose.

A β-caseína é uma das principais proteínas do leite bovino, e existe em duas variantes genéticas principais: a A1 e a A2. A diferença entre elas está em um único aminoácido na posição 67 da cadeia proteica: na variante A1 há uma histidina, enquanto na A2 há uma prolina. Essa pequena diferença estrutural altera a forma como a proteína é digerida no trato gastrintestinal. Durante a digestão da β-caseína A1, é liberado um peptídeo opioide chamado BCM-7 (beta-casomorfina-7), que tem sido associado a sintomas gastrintestinais como inflamação, dor abdominal, distensão, gases e alteração do trânsito intestinal em algumas pessoas. Já a β-caseína A2, por ter prolina nessa posição, não gera o BCM-7 na mesma proporção, sendo considerada mais tolerável.

O leite A2 é produzido a partir de vacas selecionadas geneticamente que apresentam apenas o alelo A2 para a β-caseína. O melhoramento genético do gado permite, assim, obter um leite com perfil proteico diferente do leite convencional, que geralmente contém uma mistura de β-caseína A1 e A2. Essa é a razão pela qual o enunciado menciona o melhoramento genético como ferramenta para a produção desse leite alternativo. É importante destacar que o leite A2 não é isento de lactose — ele contém a mesma quantidade de lactose do leite comum. Portanto, não é indicado para pessoas com intolerância à lactose, mas sim para aquelas que relatam desconforto ao consumir leite de vaca sem ter essa intolerância, possivelmente relacionado à β-caseína A1.

A confusão mais comum nesse tema é associar o desconforto gastrintestinal exclusivamente à lactose, quando na verdade a proteína do leite — especificamente a β-caseína A1 — também pode ser a responsável. Outra confusão frequente é misturar a classificação do leite por tipo (A, B, C), que se refere à qualidade higiênico-sanitária e ao processo de obtenção, com a classificação por variante proteica (A1/A2). São critérios completamente diferentes: os tipos A, B e C dizem respeito à ordenha, refrigeração e transporte, enquanto A1 e A2 referem-se à genética da β-caseína. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Leite de vaca
  • 1Classificação sanitária (tipos A, B, C)
    • Ordenha, refrigeração, transporte
    • Sem relação com proteína
  • 2Classificação proteica (β-caseína)
    • Variante A1
      • Histidina na posição 67
      • Libera BCM-7 (desconforto)
    • Variante A2
      • Prolina na posição 67
      • Não libera BCM-7 (alternativa)
      • Produzido por melhoramento genético
      • Não é isento de lactose
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O leite tipo A é classificado pela legislação brasileira como aquele obtido por ordenha mecânica, em propriedade com registro no serviço de inspeção, e que é envasado na própria propriedade de origem. Essa classificação diz respeito à qualidade higiênico-sanitária do leite, não à sua composição proteica. Não há relação entre o tipo A e a produção de β-caseína A2 ou a tolerância gastrintestinal. A alternativa confunde a classificação sanitária com a variante genética da proteína.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O leite tipo B é outra classificação higiênico-sanitária, referente a leite obtido em propriedade com ordenha mecânica, mas que pode ser transportado a granel para ser processado em usina de beneficiamento. Assim como o tipo A, essa classificação não tem qualquer relação com a variante da β-caseína ou com o desconforto gastrintestinal. A alternativa erra ao sugerir que o tipo B seria a alternativa dietética mencionada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O leite tipo C é a classificação de menor exigência sanitária entre os tipos A, B e C, obtido por ordenha manual ou mecânica e transportado a granel. Novamente, trata-se de classificação higiênico-sanitária, sem relação com a composição proteica ou com a tolerância digestiva. A alternativa não corresponde ao leite produzido por melhoramento genético para reduzir o desconforto gastrintestinal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O leite A1 refere-se à variante da β-caseína que contém histidina na posição 67 e que, durante a digestão, libera o peptídeo BCM-7, associado a sintomas gastrintestinais. O leite A1 é justamente o tipo de leite que pode causar desconforto em algumas pessoas, não a alternativa dietética para evitá-lo. A alternativa inverte a lógica: quem busca evitar o desconforto deve optar pelo leite A2, não pelo A1.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O leite A2 é produzido por vacas selecionadas geneticamente que possuem apenas a β-caseína A2, com prolina na posição 67. Essa variante não gera o peptídeo BCM-7 na mesma proporção que a A1, sendo associada a menor desconforto gastrintestinal em pessoas sensíveis. O melhoramento genético do gado permite a produção desse leite como alternativa dietética para indivíduos que relatam sintomas ao consumir leite de vaca convencional, sem que haja intolerância à lactose. É exatamente o que o enunciado descreve.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a classificação do leite por tipo (A, B, C — qualidade sanitária) e a classificação por variante proteica (A1/A2 — genética da β-caseína). O candidato que conhece apenas a classificação sanitária tende a marcar uma das três primeiras alternativas, mas a chave da questão está na proteína: o leite A1 é o que pode causar desconforto, e o A2 é a alternativa para quem sofre com isso. Fique atento: o leite A2 não é isento de lactose — ele contém lactose normalmente, então não serve para intolerantes à lactose.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, lembre-se da associação: A1 = desconforto (libera BCM-7) e A2 = alternativa (não libera BCM-7). Na prova, quando a questão falar em "melhoramento genético" e "desconforto não associado à lactose", a resposta quase sempre será leite A2. Já os tipos A, B e C são sempre sobre qualidade sanitária — se a questão mencionar ordenha, refrigeração ou inspeção, aí sim estamos falando desses tipos.

Gabarito: letra E

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