Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2024
- Código
- qg263704
- Banca
- INSTITUTO AOCP
- Órgão
- SANEPAR
- Ano
- 2024
- Nível
- Médio
- AV – V – F.
- BF – V – V.
- CV – F – F.
- DF – V – F.
- EV – F – V.
GabaritoC — V – F – F.
Esta questão depende de um texto-base que não está disponível no enunciado. A resolução abaixo ensina o método para julgar cada afirmativa a partir da estrutura do texto original — você deve aplicar o mesmo raciocínio ao texto da sua prova, localizando as passagens que comprovam ou refutam cada item.
Gabarito: letra C (V – F – F). A sequência correta é: V para a primeira afirmativa (a menção a um escritor e jornalista dá embasamento teórico à estrutura expositiva), F para a segunda (o texto não é artigo de opinião, pois não persuade; é expositivo) e F para a terceira (as características das Edge Cities embasam a estrutura expositiva, não a argumentativa). O erro central da banca está em confundir texto dissertativo-expositivo com dissertativo-argumentativo.
A questão pede que você julgue três afirmativas sobre a estrutura do texto — ou seja, sobre a tipologia textual e a função de elementos como a menção a uma autoridade. Não se trata de localizar uma informação explícita (compreensão), mas de interpretar o papel que cada parte desempenha no todo: o que a citação faz? O texto informa ou persuade? As características apresentadas servem a quê? Esse tipo de questão exige que você classifique o texto (expositivo, argumentativo, narrativo etc.) e que relacione as partes ao propósito global.
Sem o texto-base, o método é: identifique o tema (Edge Cities), a tese (se houver) e o movimento argumentativo. Pergunte-se: o autor defende um ponto de vista e tenta convencer o leitor (argumentativo) ou apenas expõe informações, dados e conceitos de forma neutra (expositivo)? No caso de um texto sobre Edge Cities, é provável que haja uma exposição de características, origem do termo, exemplos — típico de texto dissertativo-expositivo, que "apresenta dados e fatos constatáveis sem subjetividade", como se vê no material de apoio. A menção a um escritor e jornalista (autoridade) serve para embasar teoricamente a exposição, dando credibilidade à informação — não para defender uma tese.
A distinção central é entre dissertativo-expositivo e dissertativo-argumentativo:
Critério | Expositivo | Argumentativo |
|---|---|---|
Objetivo | Informar, explicar | Persuadir, convencer |
Ponto de vista | Impessoal, neutro | Tese defendida |
Recursos | Dados, definições, citações de autoridade | Argumentos, contra-argumentos, apelo a valores |
Estrutura | Introdução, desenvolvimento, conclusão (recapitulação) | Introdução (tese), desenvolvimento (argumentos), conclusão (reafirmação) |
A citação de autoridade (escritor/jornalista) é um recurso típico do texto expositivo para embasar teoricamente a informação — ela não transforma o texto em argumentativo. Já o texto argumentativo unifica informar e persuadir porque defende uma tese; o expositivo apenas informa. Por isso, a segunda afirmativa, que diz que o texto "unifica as ações de informar e persuadir para corresponder à sua estrutura de artigo de opinião", é falsa: artigo de opinião é gênero argumentativo, e o texto em questão é expositivo. A terceira afirmativa também é falsa porque as características das Edge Cities embasam a estrutura expositiva (informar sobre o que são), não uma estrutura argumentativa (defender uma posição).
A sequência V – V – F erra ao marcar a segunda afirmativa como verdadeira. O texto não é artigo de opinião; é expositivo. A segunda afirmativa contradiz a tipologia do texto: ela atribui uma finalidade persuasiva que não existe na exposição. O erro é de troca de conceito (confundir expositivo com argumentativo).
A sequência F – V – V erra ao marcar a primeira como falsa. A menção a um escritor e jornalista assegura embasamento teórico à exposição — é um recurso de autoridade que fortalece a credibilidade das informações. A primeira afirmativa é verdadeira. O erro é de contradição com o texto (negar o que ele faz).
A sequência V – F – F é a única coerente com a estrutura do texto: a menção à autoridade embasa a exposição (V); o texto não persuade, logo não é artigo de opinião (F); as características das Edge Cities embasam a estrutura expositiva, não a argumentativa (F). A alternativa não extrapola nem restringe — ela apenas descreve o que o texto faz.
A sequência F – V – F erra ao marcar a primeira como falsa e a segunda como verdadeira. A primeira é verdadeira (a citação embasa a exposição) e a segunda é falsa (não há persuasão). O erro é duplo: contradiz o texto na primeira e troca o conceito na segunda.
A sequência V – F – V erra ao marcar a terceira como verdadeira. As características das Edge Cities embasam a estrutura expositiva, não a argumentativa. A terceira afirmativa extrapola ao atribuir uma finalidade argumentativa que o texto não tem.
A banca explora a confusão entre expor e argumentar. O candidato vê "embasamento teórico" e pensa em argumentação, mas em texto expositivo a citação de autoridade serve para informar com credibilidade, não para defender tese.
Ao julgar afirmativas sobre estrutura, pergunte: o autor defende uma opinião ou apresenta fatos? Se há tese e persuasão, é argumentativo; se há dados e definições neutras, é expositivo. A citação de autoridade, sozinha, não torna o texto argumentativo.
Conclusão: a chave da questão é reconhecer que o texto é dissertativo-expositivo: informa, não persuade. A menção ao escritor/jornalista embasa a exposição (V), mas não há união de informar e persuadir (F), nem estrutura argumentativa (F). Gabarito: letra C.
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