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Questão de Português — Coesão e coerência — Quadrix 2024

PortuguêsCoesão e coerência
Código
qg350320
Banca
Quadrix
Órgão
CRF-AC
Ano
2024
Nível
Médio
Cargo
Auxiliar Administrativo

Texto para os itens de 1 a 7.


1 Na Grécia Antiga, três séculos antes de Cristo, foi

fundada a Escola Estoica. O ideal de seus seguidores era

viver “de acordo com a natureza”, e assumir uma atitude

4 impassível e racional diante dos acontecimentos, fossem

eles marcados pela dor ou pelo prazer. Séculos mais

tarde, de acordo com os valores da cultura judaico-cristã,

7 a dor passou a ser encarada como forma de redimir os

pecados intrínsecos à espécie humana, ou como castigo

pelos erros cometidos. Prova disso está nas súplicas — “A

10 vós suplicamos gemendo e chorando neste vale de

lágrimas” —, ou na ira divina ao punir a desobediência

de Eva no Paraíso: “Entre dores darás à luz os filhos”.

13 Nem os poetas escaparam dessa postura de aceitação

da dor— “Ser mãe é padecer no Paraíso” — como mal

necessário a caminho da redenção.

16 Sob o enfoque da medicina moderna, porém,

a dor é um sinal de alarme e o sofrimento que provoca,

além de absolutamente inútil, debilita o organismo e

19 compromete a qualidade de vida. Mas nem sempre

se pensou assim. Durante muito tempo, as faculdades de medicina e

de enfermagem não capacitaram os

22 alunos para lidar com a dor, fosse ela aguda ou crônica,

e muitos médicos estão despreparados para enfrentar

esse desafio, apesar dos avanços tecnológicos e na área

25 da farmacologia. Não estamos nos referindo aqui às

dores mais leves que passam com a administração de

analgésicos comuns, mas às dores agudas e crônicas, que

28 requerem tratamento mais agressivo e especializado.

Hoje, infelizmente, a despeito de todo o

progresso terapêutico, essas dores ainda não recebem a

31 abordagem necessária e estão se transformando em um

problema de saúde pública no Brasil.


Internet: <www.drauziovarella.uol.com.br>(com adaptações).

Em relação à pontuação do período do texto “Não estamos nos referindo aqui às dores mais leves que passam com a administração de analgésicos comuns, mas às dores agudas e crônicas, que requerem tratamento mais agressivo e especializado” (linhas de 25 a 28), uma alteração que manteria a coerência e a correção gramatical do trecho seria a inserção de vírgula após
  1. A“aqui” (linha 25).
  2. B“leves” (linha 26).
  3. C“analgésicos” (linha 27).
  4. D“mas” (linha 27).
  5. E“tratamento” (linha 28).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — “leves” (linha 26).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação: vírgula após "leves" — oração adjetiva explicativa

Gabarito: letra B. A inserção de vírgula após "leves" é a única alteração que mantém a coerência e a correção gramatical, porque transforma a oração adjetiva restritiva "que passam com a administração de analgésicos comuns" em explicativa, isolando-a corretamente. As demais opções ou separam termos que não podem ser separados ou criam estruturas agramaticais.

O comando pede uma análise de pontuação — mais especificamente, o uso da vírgula — e exige que a alteração proposta mantenha a coerência e a correção gramatical do trecho. Isso significa que não basta a vírgula ser "possível" em algum contexto; ela precisa ser gramaticalmente adequada e não alterar o sentido de forma indevida. A banca testa o conhecimento das regras de uso da vírgula, especialmente em relação às orações adjetivas.

O trecho em questão é:

"Não estamos nos referindo aqui às dores mais leves que passam com a administração de analgésicos comuns, mas às dores agudas e crônicas, que requerem tratamento mais agressivo e especializado"

Aqui, temos duas ocorrências do pronome relativo "que":

  1. "...dores mais leves que passam com a administração de analgésicos comuns" — oração adjetiva restritiva (restringe o sentido de "dores", especificando quais são as leves).

  2. "...dores agudas e crônicas, que requerem tratamento mais agressivo e especializado" — oração adjetiva explicativa (já está isolada por vírgula).

A oração adjetiva restritiva não pode ser isolada por vírgula, pois isso a transformaria em explicativa, alterando o sentido: passaria a indicar que todas as dores leves passam com analgésicos comuns (o que não é o caso, pois o texto fala de dores leves que passam, mas há outras que não). Já a oração explicativa deve ser isolada por vírgula, pois acrescenta uma informação acessória sobre as dores agudas e crônicas.

A alternativa B propõe inserir vírgula após "leves", o que isolaria a oração "que passam com a administração de analgésicos comuns" como explicativa. Isso é gramaticalmente correto e mantém a coerência, pois a oração passa a explicar uma característica das dores leves, sem restringir o conjunto. As demais alternativas:

  • A) "aqui": separaria o adjunto adverbial "aqui" do restante da oração, criando uma pausa desnecessária e quebrando a fluidez, sem necessidade gramatical.

  • C) "analgésicos": separaria o núcleo do objeto indireto "de analgésicos comuns" do seu complemento, o que é incorreto, pois não se separa o núcleo de seu complemento por vírgula.

  • D) "mas": a conjunção adversativa "mas" já é precedida de vírgula; inserir outra após ela separaria a conjunção do restante da oração, o que é agramatical.

  • E) "tratamento": separaria o núcleo do objeto direto "tratamento mais agressivo e especializado" do seu adjunto adnominal, o que é incorreto.

Portanto, a única alteração que mantém a coerência e a correção gramatical é a inserção de vírgula após "leves", transformando a oração restritiva em explicativa.

Oração adjetiva
  • 1Restritiva
    • Sem vírgula
    • Restringe o sentido
  • 2Explicativa
    • Com vírgula
    • Acrescenta informação acessória
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Inserir vírgula após "aqui" separaria o adjunto adverbial "aqui" do verbo "referindo", criando uma pausa desnecessária. O adjunto adverbial de lugar "aqui" está diretamente ligado ao verbo, e não há razão gramatical para isolá-lo. A frase ficaria: "Não estamos nos referindo, aqui, às dores..." — embora seja possível em alguns contextos, aqui quebraria a fluidez e não é necessário, pois o adjunto é curto e está em posição natural. A banca considera essa alteração inadequada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A vírgula após "leves" isola a oração adjetiva "que passam com a administração de analgésicos comuns", transformando-a de restritiva em explicativa. Isso é gramaticalmente correto e mantém a coerência, pois a oração passa a explicar uma característica das dores leves, sem restringir o conjunto. A frase ficaria: "Não estamos nos referindo aqui às dores mais leves, que passam com a administração de analgésicos comuns, mas às dores agudas e crônicas..." — a vírgula é obrigatória para isolar a oração explicativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Inserir vírgula após "analgésicos" separaria o núcleo do objeto indireto "de analgésicos comuns" do seu complemento "comuns". Não se separa o núcleo de um termo de seu complemento por vírgula. A frase ficaria: "...com a administração de analgésicos, comuns..." — o que é agramatical, pois "comuns" ficaria solto e sem função clara.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A conjunção adversativa "mas" já é precedida de vírgula. Inserir outra vírgula após "mas" separaria a conjunção do restante da oração, o que é agramatical. A frase ficaria: "...mas, às dores agudas e crônicas..." — a vírgula após a conjunção é desnecessária e quebra a coesão, pois "mas" deve estar diretamente ligado ao termo que introduz.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Inserir vírgula após "tratamento" separaria o núcleo do objeto direto "tratamento mais agressivo e especializado" do seu adjunto adnominal "mais agressivo e especializado". Não se separa o núcleo de um termo de seu adjunto adnominal por vírgula. A frase ficaria: "...que requerem tratamento, mais agressivo e especializado" — o que é agramatical, pois "mais agressivo e especializado" ficaria solto e sem função clara.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a diferença entre oração adjetiva restritiva e explicativa. A restritiva não pode ser isolada por vírgula; a explicativa deve ser. A alternativa B transforma a restritiva em explicativa, o que é permitido, mas as demais criam separações indevidas entre termos que não podem ser separados.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar questões de vírgula, identifique primeiro a função sintática do termo que seria isolado. Se for uma oração adjetiva, verifique se é restritiva (sem vírgula) ou explicativa (com vírgula). Se for um adjunto adverbial, verifique se é curto e está em posição natural (sem vírgula) ou deslocado (com vírgula). Nunca separe o núcleo de um termo de seu complemento ou adjunto adnominal.

Gabarito: letra B

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