Aconsiste em uma forma de redimir os pecados intrínsecos à espécie humana.
Btornou-se mais intensa e incômoda para o ser humano com o passar dos séculos.
Cé/era proporcional aos erros cometidos, segundo os valores da cultura judaico-cristã.
Dfoi, durante muito tempo, encarada com resignação.
Eé uma das maiores causas de súplicas e a inspiração de muitos poetas.
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GabaritoD — foi, durante muito tempo, encarada com resignação.
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A dor e a resignação histórica no texto
Gabarito: letra D. A alternativa correta afirma que a dor "foi, durante muito tempo, encarada com resignação", o que é uma paráfrase direta da passagem em que o autor descreve a postura de aceitação da dor como "mal necessário a caminho da redenção". As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou contradizem o que ele afirma, ou restringem indevidamente o alcance das ideias apresentadas.
O comando pede que se identifique o que o texto afirma sobre a dor — uma questão de compreensão/recorrência, não de inferência. Isso significa que a resposta correta deve ser uma reescritura fiel de uma ideia explicitamente presente no texto, sem acréscimos, sem deduções e sem opiniões do candidato. O caminho é localizar a passagem que sustenta cada alternativa e verificar se ela diz exatamente o que a alternativa propõe.
O texto percorre a história da dor: na Grécia Antiga, a Escola Estoica pregava uma atitude impassível; na cultura judaico-cristã, a dor passou a ser vista como redenção de pecados ou castigo; os poetas aceitavam a dor como mal necessário; e, sob a medicina moderna, a dor é um sinal de alarme, cujo sofrimento é inútil e debilitante. A tese central é que a dor foi historicamente aceita com resignação, mas hoje deveria ser tratada como problema de saúde pública.
A técnica decisiva é o teste da paráfrase: a alternativa correta deve reescrever com outras palavras uma ideia que está literalmente no texto. A letra D faz exatamente isso ao usar "resignação" para resumir a "postura de aceitação" descrita no texto. As demais falham porque acrescentam informações que o texto não traz (extrapolação), invertem o sentido (contradição) ou restringem o alcance de uma afirmação (generalização indevida).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação — alternativas que parecem verdadeiras no mundo real (como a letra A, que ecoa a cultura judaico-cristã) mas que o texto apresenta como uma visão histórica, não como uma verdade absoluta. A letra D é a única que se limita a parafrasear o que está escrito.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a dor "consiste em uma forma de redimir os pecados intrínsecos à espécie humana". O texto, porém, apresenta essa ideia como uma visão histórica da cultura judaico-cristã, não como uma definição universal da dor:
"Séculos mais tarde, de acordo com os valores da cultura judaico-cristã, a dor passou a ser encarada como forma de redimir os pecados intrínsecos à espécie humana"
O verbo "passou a ser encarada" indica uma mudança de perspectiva ao longo do tempo, e a expressão "de acordo com os valores" delimita o ponto de vista. A alternativa extrapola ao transformar essa visão particular em uma característica essencial da dor ("consiste em"). O texto não diz que a dor é isso; diz que assim foi vista em determinado contexto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a dor "tornou-se mais intensa e incômoda para o ser humano com o passar dos séculos". O texto não faz essa comparação entre a intensidade da dor em diferentes épocas. Ele fala sobre como a dor foi encarada (com resignação, como redenção, como sinal de alarme), não sobre sua intensidade física. Essa é uma extrapolação — o candidato pode até achar plausível, mas o texto não oferece nenhuma pista que autorize essa conclusão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a dor "é/era proporcional aos erros cometidos, segundo os valores da cultura judaico-cristã". O texto diz que a dor era vista como "castigo pelos erros cometidos", mas não afirma que havia proporcionalidade entre a dor e os erros. A palavra "proporcional" é um acréscimo do examinador — o texto não diz que a dor era medida ou graduada conforme a gravidade do erro. Essa é uma extrapolação que introduz um detalhe ausente.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que a dor "foi, durante muito tempo, encarada com resignação". O texto sustenta essa ideia em duas passagens:
"O ideal de seus seguidores era viver 'de acordo com a natureza', e assumir uma atitude impassível e racional diante dos acontecimentos"
"Nem os poetas escaparam dessa postura de aceitação da dor — 'Ser mãe é padecer no Paraíso' — como mal necessário a caminho da redenção."
A expressão "postura de aceitação" é exatamente o que a alternativa resume como "resignação". O texto mostra que, da Grécia Antiga até a cultura judaico-cristã, a dor foi aceita como algo natural, necessário ou redentor — ou seja, foi encarada com resignação. A alternativa é uma paráfrase fiel da ideia central do texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a dor "é uma das maiores causas de súplicas e a inspiração de muitos poetas". O texto menciona súplicas e poetas como exemplos da postura de aceitação da dor, não como uma relação de causa e efeito:
"Prova disso está nas súplicas — 'A vós suplicamos gemendo e chorando neste vale de lágrimas' —, ou na ira divina ao punir a desobediência de Eva no Paraíso"
"Nem os poetas escaparam dessa postura de aceitação da dor"
O texto não diz que a dor é a "maior causa" de súplicas nem que é a "inspiração" dos poetas. Ele usa esses exemplos para ilustrar como a dor era aceita. A alternativa extrapola ao transformar exemplos em relações causais e ao usar o superlativo "maiores", que o texto não sustenta.
Conclusão: a questão testa a capacidade de distinguir a paráfrase fiel (letra D) das extrapolações que acrescentam ideias ausentes (letras A, B, C e E). A regra de ouro: pergunte sempre "o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige que eu acrescente algo de fora?". A letra D é a única que se limita a reescrever o que está escrito.