Questão de Português — Sintaxe — Quadrix 2024
- Código
- qg350484
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRF-BA
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Farmacêutico Fiscal

- CCerto
- EErrado

GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). A assertiva está incorreta porque, em "estima-se", o "se" é partícula apassivadora (ou pronome apassivador), e não índice de indeterminação do sujeito. A prova está na possibilidade de converter a construção para a voz passiva analítica: "estima-se" equivale a "é estimado", o que revela a presença de um sujeito paciente (a oração subordinada substantiva subjetiva que vem em seguida), e não de um sujeito indeterminado.
A questão pede um julgamento sobre a função sintática da partícula "se" no trecho "estima-se". Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o conteúdo, mas de reconhecer o valor morfossintático do pronome na construção específica em que aparece. O comando é direto: "o emprego da partícula 'se' indica que o sujeito da oração é indeterminado". Para resolver, é preciso saber distinguir os dois usos mais cobrados do "se": o índice de indeterminação do sujeito (IIS) e a partícula apassivadora (PA).
A distinção clássica depende da transitividade do verbo:
Partícula apassivadora (PA): ocorre com verbo transitivo direto (VTD) ou transitivo direto e indireto (VTDI). O "se" apenas apassiva a oração; o termo que acompanha o verbo é o sujeito paciente. Ex.: "Vendem-se casas" = "casas são vendidas".
Índice de indeterminação do sujeito (IIS): ocorre com verbo intransitivo (VI), verbo transitivo indireto (VTI) ou verbo de ligação (VL). Não há sujeito expresso; o "se" indetermina o agente. Ex.: "Precisa-se de empregados", "Vive-se bem aqui".
No caso de "estima-se", o verbo estimar é transitivo direto (quem estima, estima algo). Portanto, o "se" é partícula apassivadora. A oração completa seria algo como "estima-se que o desenvolvimento da fitoterapia...", em que a oração subordinada substantiva subjetiva funciona como sujeito paciente da forma verbal "estima-se". A prova da passividade é a conversão: "é estimado que o desenvolvimento da fitoterapia...".
Para não errar, faça o teste da passiva: se a construção com "se" puder ser reescrita com "ser + particípio" ("estima-se" → "é estimado"), o "se" é apassivador. Se não puder ("precisa-se" → não existe "é precisado"), é índice de indeterminação.
A banca explora a confusão clássica entre os dois valores do "se". O candidato que decora apenas que "se + verbo na 3ª pessoa do singular = sujeito indeterminado" cai na pegadinha. Mas a regra é mais fina: o que determina é a transitividade do verbo. Como "estimar" é VTD, o "se" é apassivador, e o sujeito é determinado (paciente), não indeterminado.
A afirmativa está errada. Em "estima-se", o "se" é partícula apassivadora, pois o verbo "estimar" é transitivo direto. A oração apresenta sujeito paciente (a oração subordinada substantiva subjetiva), e não sujeito indeterminado. A conversão para a voz passiva analítica comprova: "estima-se" = "é estimado". Portanto, o emprego do "se" não indica sujeito indeterminado.
Conclusão: a questão testa a distinção entre partícula apassivadora e índice de indeterminação do sujeito. A chave é a transitividade do verbo: VTD/VTDI → PA; VI/VTI/VL → IIS. Como "estimar" é VTD, o "se" é apassivador, e a assertiva está errada.
Gabarito: E (Errado).
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