Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — Quadrix 2024
- Código
- qg352401
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRP-MS
- Ano
- 2024
- Nível
- Fundamental
- Cargo
- Serviços Gerais
Texto para o item.


- CCerto
- EErrado
Texto para o item.


GabaritoC — Certo
Gabarito: E (Errado). A afirmação de que o emprego de "em liberdade" em oposição a "manicômio" indica a opinião negativa que se tem a respeito dessa instituição não é correta. O texto apenas estabelece uma oposição semântica entre os dois termos, mas não expressa, nem deixa implícita, uma opinião negativa sobre o manicômio. A oposição é entre o espaço fechado (manicômio) e a condição de liberdade, mas isso não autoriza concluir que o autor avalia negativamente a instituição.
O comando pede uma inferência ("é correto afirmar que... indica"), ou seja, exige que a conclusão esteja ancorada em pistas do texto. A pista é a oposição entre "fora dos muros do manicômio" e "em liberdade". Essa oposição sugere que o manicômio é um lugar de não-liberdade, mas não que o autor tenha uma opinião negativa sobre ele. A liberdade é apresentada como algo positivo, mas isso não implica juízo negativo sobre a instituição em si. O texto pode simplesmente descrever uma mudança de local de atendimento, sem avaliar o manicômio.
A técnica central aqui é distinguir oposição semântica de opinião do autor. A oposição entre dois termos (liberdade × manicômio) é um recurso linguístico que cria contraste, mas o juízo de valor (negativo) é uma extrapolação — o texto não diz que o manicômio é ruim, apenas que o paciente passou a ter atenção fora dele e em liberdade.
"o paciente psiquiátrico passava a ter essa atenção fora dos muros do manicômio e consequentemente em liberdade"
O trecho mostra que "fora dos muros do manicômio" e "em liberdade" são colocados em relação de consequência ("consequentemente"), mas não há nenhuma palavra que expresse reprovação, crítica ou avaliação negativa do manicômio. A inferência de opinião negativa é subjetiva e não marcada linguisticamente — é um subentendido que o candidato pode criar, mas que o texto não obriga.
A alternativa afirma que a oposição indica opinião negativa sobre o manicômio. Isso extrapola o texto. O texto apenas contrapõe dois espaços/condições: o manicômio (lugar fechado) e a liberdade. A oposição é semântica, não axiológica (não atribui valor). Não há pista linguística de que o autor considere o manicômio negativo — ele pode simplesmente estar descrevendo uma mudança de paradigma de atendimento. A alternativa acrescenta uma opinião que não está no texto.
A alternativa correta é a E (Errado), pois a afirmação do item é falsa. O texto não sustenta a inferência de opinião negativa. A oposição entre "em liberdade" e "manicômio" apenas estabelece um contraste entre dois estados, mas não implica juízo de valor sobre a instituição. Para que houvesse opinião negativa, seria necessário um termo avaliativo (ex.: "lugar terrível", "instituição ultrapassada") ou um contexto que deixasse clara a crítica — o que não ocorre.
Em questões de inferência, pergunte-se: "o texto obriga a essa conclusão?" Se a conclusão é apenas possível ou subjetiva, mas não é decorrência necessária das pistas, a inferência é inválida. Aqui, a opinião negativa é uma possibilidade, não uma necessidade.
Conclusão: A banca cobra a distinção entre oposição semântica (contraste entre termos) e opinião do autor (juízo de valor). A oposição entre "em liberdade" e "manicômio" não autoriza concluir que o autor tem opinião negativa sobre o manicômio. Portanto, o item está errado.
Gabarito: E (Errado)
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