Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — Quadrix 2024
- Código
- qg352425
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRP-MS
- Ano
- 2024
- Nível
- Fundamental
- Cargo
- Serviços Gerais
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- CCerto
- EErrado
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GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). A assertiva está incorreta porque o dito “Entre loucos, quem tem juízo é pato” não joga com o provérbio “Em terra de cego, obedece quem tem juízo”. O jogo intertextual se dá com o provérbio popular “Em terra de cego, quem tem um olho é rei”, como se vê na estrutura paralela: “Entre loucos, quem tem juízo é pato” espelha “Em terra de cego, quem tem um olho é rei” — ambos com a estrutura “Em/Entre [grupo], quem tem [qualidade] é [resultado]”. O provérbio citado na assertiva tem estrutura e sentido diferentes, o que torna a afirmação falsa.
A questão pede que se julgue (Certo/Errado) uma afirmação sobre a tira. O verbo “joga com” indica que se deve verificar se há uma relação intertextual entre o dito da tira e o provérbio mencionado. Isso exige comparar estruturas e sentidos, não apenas localizar uma informação explícita. É uma questão de interpretação que depende do reconhecimento de um diálogo entre textos (intertextualidade).
A tira apresenta o subtítulo “Entre loucos, quem tem juízo é pato”. Esse dito é uma paródia de um provérbio popular conhecido. A paródia é um tipo de intertextualidade que reconstrói um texto anterior, geralmente com intenção crítica ou humorística, mantendo a estrutura mas alterando o sentido.
O provérbio original é:
“Em terra de cego, quem tem um olho é rei.”
A estrutura é: “Em/Entre [lugar/grupo], quem tem [qualidade] é [resultado]”.
O dito da tira segue exatamente essa estrutura:
“Entre loucos, quem tem juízo é pato.”
Aqui, o “lugar” vira “loucos”, a “qualidade” vira “juízo” e o “resultado” vira “pato” (em vez de “rei”). A paródia inverte o valor: em vez de ser “rei” (alguém superior), quem tem juízo entre loucos é “pato” (alguém que se dá mal, que é ridicularizado).
A assertiva afirma que o dito joga com o provérbio “Em terra de cego, obedece quem tem juízo”. Vamos comparar:
Critério | Dito da tira | Provérbio citado na assertiva | Provérbio real (parodiado) |
|---|---|---|---|
Estrutura | “Entre loucos, quem tem juízo é pato” | “Em terra de cego, obedece quem tem juízo” | “Em terra de cego, quem tem um olho é rei” |
Sujeito da oração principal | “quem tem juízo” | “quem tem juízo” (implícito em “obedece”) | “quem tem um olho” |
Verbo principal | “é” (verbo de ligação) | “obedece” (verbo intransitivo) | “é” (verbo de ligação) |
Predicado | “pato” (predicativo do sujeito) | “obedece” (ação) | “rei” (predicativo do sujeito) |
Sentido | Quem tem juízo é ridicularizado | Quem tem juízo deve se submeter | Quem tem um olho se destaca |
A estrutura do dito da tira é idêntica à do provérbio “Em terra de cego, quem tem um olho é rei”: ambas usam o verbo “ser” e um predicativo do sujeito (“pato” / “rei”). Já o provérbio citado na assertiva tem estrutura diferente: usa o verbo “obedecer” (ação) e não apresenta predicativo. Portanto, o jogo intertextual é com o provérbio do “olho” e do “rei”, não com o da assertiva.
A afirmação de que o dito “joga com o provérbio ‘Em terra de cego, obedece quem tem juízo’” é falsa. O jogo intertextual se dá com o provérbio “Em terra de cego, quem tem um olho é rei”, como prova a estrutura paralela. A assertiva troca o provérbio que serve de base para a paródia, citando um que não tem a mesma estrutura nem o mesmo sentido.
A banca troca o provérbio original. O candidato que conhece o ditado popular “Em terra de cego, quem tem um olho é rei” percebe na hora; quem não conhece pode ser levado a aceitar o provérbio citado na assertiva, que parece plausível, mas não é o que a tira parodia.
Em questões de intertextualidade, compare a estrutura sintática e o sentido entre o texto novo e o texto citado. Se a estrutura não for paralela, não há paródia.
Conclusão: a assertiva está errada porque o dito da tira parodia o provérbio “Em terra de cego, quem tem um olho é rei”, e não “Em terra de cego, obedece quem tem juízo”. A banca trocou o provérbio para testar o conhecimento de intertextualidade do candidato.
Gabarito: E (Errado).
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