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Questão de Medicina — Angiologia — Quadrix 2024

MedicinaAngiologia
Código
qg355148
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Um paciente, 33 anos de idade, foi ao ambulatório de cirurgia vascular, ele relatou dor e parestesia na perna durante a caminhada com pouco mais de 100 m. Ele também disse que estava sedentário há alguns anos e já havia sentido esporadicamente dores semelhantes, reforçou que, no momento, a dor no pé e na perna é constante durante a caminhada, porém melhora durante o treino de corrida. Ele negou tabagismo, trauma local, etilismo e comorbidades.Exame físico vascular:• MID: Pulso femoral, poplíteo, tibial posterior e pedioso presente. Ausência de pulsos distais ao realizar dorsiflexão passiva da perna. TEC < 3 seg. Sinal da bandeira positivo. Normotérmico. Sensibilidade preservada. Pele íntegra.• MIE: Pulso femoral, poplíteo, tibial posterior e pedioso presente. TEC < 3 seg. Sinal da bandeira positivo. Normotérmico. Sensibilidade preservada. Pele íntegra.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico adequado para esse caso clínico.
  1. Asíndrome de aprisionamento de artéria poplítea
  2. Btromboangeite obliterante
  3. Coclusão arterial aguda
  4. Ddoença de Behçet
  5. Eaneurisma de artéria poplítea roto
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GabaritoA — síndrome de aprisionamento de artéria poplítea

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome do aprisionamento da artéria poplítea

Gabarito: letra A. O quadro clínico — dor e parestesia na perna desencadeadas pela caminhada, com melhora durante a corrida, em paciente jovem e sem fatores de risco cardiovascular — associado ao exame físico com ausência de pulsos distais à dorsiflexão passiva e sinal da bandeira positivo é altamente sugestivo de síndrome do aprisionamento da artéria poplítea (PAES). A fisiopatologia envolve compressão extrínseca da artéria poplítea por estruturas musculotendíneas anômalas, tipicamente a cabeça medial do gastrocnêmio, que se manifesta em adultos jovens e atletas.

A síndrome do aprisionamento da artéria poplítea é uma causa incomum de claudicação em pacientes jovens, sem os fatores de risco clássicos para doença arterial obstrutiva periférica (DAP), como tabagismo, diabetes e dislipidemia. A compressão ocorre durante a contração muscular ou em determinadas posições do joelho, como a dorsiflexão passiva do pé, que tensiona o músculo gastrocnêmio e comprime a artéria contra estruturas ósseas ou tendíneas. Isso explica o achado clínico de ausência de pulsos distais à dorsiflexão passiva, um teste provocativo clássico para essa condição. O sinal da bandeira (ou sinal de Ishikawa) refere-se à palpação de um pulso poplíteo que desaparece com a dorsiflexão ativa ou passiva do pé, reforçando o diagnóstico.

A apresentação clínica típica é a claudicação intermitente em paciente jovem, geralmente do sexo masculino, com dor na panturrilha desencadeada por exercício e aliviada pelo repouso. No entanto, o caso apresenta uma peculiaridade: a dor melhora durante a corrida. Isso pode ocorrer porque, durante a corrida, a biomecânica do membro inferior pode alterar a relação entre o músculo gastrocnêmio e a artéria poplítea, aliviando temporariamente a compressão. Essa variação sintomática é um achado que, embora não seja patognomônico, reforça a suspeita de uma causa mecânica e dinâmica, como a PAES.

O diagnóstico diferencial inclui outras causas de claudicação em jovens, como a tromboangeíte obliterante (doença de Buerger), que ocorre quase exclusivamente em tabagistas; a oclusão arterial aguda, que se apresenta com dor súbita, palidez, ausência de pulsos e déficit neurológico; a doença de Behçet, uma vasculite sistêmica com manifestações orais, genitais e oculares; e o aneurisma de artéria poplítea roto, que cursa com dor intensa, massa pulsátil e sinais de isquemia aguda. A ausência de tabagismo, trauma e comorbidades, aliada à preservação dos pulsos em repouso e à provocação pelo movimento, direciona o diagnóstico para a PAES.

A confirmação diagnóstica é feita por exames de imagem, como a ultrassonografia com Doppler, a angiotomografia ou a angiorressonância, que podem demonstrar a compressão dinâmica da artéria poplítea durante a dorsiflexão ou a flexão plantar. O tratamento é cirúrgico, com liberação da estrutura compressiva e, se necessário, reconstrução arterial. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar complicações como trombose, embolização distal e isquemia crônica do membro.

A chave para a resolução desta questão está em correlacionar os achados clínicos e do exame físico com a fisiopatologia de cada alternativa. A presença de pulsos presentes em repouso e a provocação de sintomas e ausência de pulsos com a dorsiflexão passiva são o diferencial para a PAES, enquanto as demais alternativas apresentam características que não se encaixam no quadro descrito.

Síndrome do aprisionamento da artéria poplítea
  • 1Perfil típico
    • Jovem, atleta
    • Sem fatores de risco cardiovascular
  • 2Fisiopatologia
    • Compressão extrínseca da artéria
    • Cabeça medial do gastrocnêmio
  • 3Quadro clínico
    • Claudicação intermitente
    • Dor/parestesia na panturrilha
    • Pulsos presentes em repouso
  • 4Testes provocativos
    • Dorsiflexão passiva → ausência de pulsos
    • Sinal da bandeira positivo
  • 5Diagnóstico
    • Doppler/angioTC/angioRM
  • 6Tratamento
    • Cirúrgico: liberação + reconstrução
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome do aprisionamento da artéria poplítea é a alternativa correta. O paciente jovem, sem fatores de risco cardiovascular, com claudicação intermitente e ausência de pulsos distais à dorsiflexão passiva (teste provocativo) e sinal da bandeira positivo apresenta o quadro clássico dessa condição. A compressão extrínseca da artéria poplítea por estruturas musculares anômalas, como a cabeça medial do gastrocnêmio, causa obstrução dinâmica do fluxo sanguíneo durante o exercício ou em determinadas posições, levando à dor e parestesia. A melhora durante a corrida pode ser explicada pela alteração biomecânica que alivia a compressão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tromboangeíte obliterante (doença de Buerger) é uma vasculite oclusiva que afeta vasos de pequeno e médio calibre, quase exclusivamente em tabagistas jovens. O paciente negou tabagismo, o que torna essa hipótese improvável. Além disso, a doença de Buerger geralmente se manifesta com dor em repouso, ulcerações e gangrena de extremidades, e não com claudicação intermitente provocada por movimento específico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A oclusão arterial aguda é uma emergência que se apresenta com dor súbita e intensa, palidez, ausência de pulsos, parestesia e paralisia do membro (os "5 Ps"). No caso, o paciente tem pulsos presentes em repouso e os sintomas são desencadeados pela caminhada, com melhora ao repouso ou durante a corrida, o que não é compatível com uma oclusão aguda.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A doença de Behçet é uma vasculite sistêmica que cursa com úlceras orais e genitais recorrentes, uveíte e lesões cutâneas. O paciente não apresenta essas manifestações sistêmicas, e a claudicação intermitente isolada, sem outros sinais, não é a apresentação típica da doença.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O aneurisma de artéria poplítea roto é uma complicação grave que se manifesta com dor intensa e súbita na região poplítea, massa pulsátil expansiva, equimose e sinais de isquemia aguda do membro. O paciente não apresenta massa pulsátil, dor súbita ou sinais de rotura, e os pulsos estão presentes em repouso, o que afasta essa hipótese.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a claudicação intermitente da doença arterial obstrutiva periférica (DAP) e a síndrome do aprisionamento da artéria poplítea. O candidato pode ser induzido a pensar em DAP, mas a idade jovem, a ausência de fatores de risco e o teste provocativo positivo (dorsiflexão passiva) são os diferenciais que apontam para a PAES. Fique atento a esses detalhes na hora da prova!

Gabarito: letra A

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