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Questão de Medicina — Angiologia — Quadrix 2024

MedicinaAngiologia
Código
qg355151
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
O pé diabético é um seguimento específico nos cuidados com o paciente diabético, tendo em vista a complexidade das alterações nas extremidades e na vulnerabilidade dos pés desses pacientes. Com base nessa informação, assinale a alternativa correta.
  1. AAs projeções globais para os próximos anos são de diminuição da prevalência da diabetes, assim como aumento na expectativa de vida da população. Logo, existirão cada vez menos pacientes diabéticos afetados com neuropatias e arteriopatias periféricas.
  2. BNos pacientes diabéticos, o seguimento fêmoro‑poplíteo acaba sendo alvo das lesões ateroscleróticas quando comparado com as artérias de perna que preservam menor grau de calcificação na camada média.
  3. CA neuropatia periférica mais comumente encontrada nos pacientes diabéticos é a polineuropatia simétrica distal que acomete em torno de 50% dos diabéticos, sendo predominantemente sensitiva, com evolução lenta e favorecendo o surgimento de lesões nos pés.
  4. DO início do quadro da neuropatia diabética é predominantemente motor, tendo como principais manifestações as câimbras e dor na panturrilha ao caminhar menos de 50 metros.
  5. EA neuro‑osteoartropatia de Charcot é uma condição patognomônica dos quadros graves de diabetes não controlada e, comumente, apresenta‑se em pacientes com ausência de pulsação nas artérias distais.
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GabaritoC — A neuropatia periférica mais comumente encontrada nos pacientes diabéticos é a polineuropatia simétrica distal que acomete em torno de 50% dos diabéticos, sendo predominantemente sensitiva, com evolução lenta e favorecendo o surgimento de lesões nos pés.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pé diabético: neuropatia e suas manifestações

Gabarito: letra C. A polineuropatia simétrica distal é a forma mais comum de neuropatia periférica no diabetes, acometendo cerca de 50% dos diabéticos, com predomínio sensitivo, evolução lenta e papel central na gênese das lesões do pé diabético. As demais alternativas distorcem a epidemiologia, a anatomia vascular e a fisiopatologia da neuropatia e da artropatia de Charcot.

O pé diabético é uma complicação grave do diabetes mellitus, responsável por mais de 60% das amputações não traumáticas. Sua fisiopatologia envolve três mecanismos principais — neuropático, vascular (isquêmico) e misto — que se combinam para tornar o pé vulnerável a úlceras, infecções e destruição articular. A neuropatia periférica é o fator de risco mais importante: a perda da sensibilidade protetora faz com que traumas repetidos, calosidades e deformidades passem despercebidos, evoluindo para ulceração e infecção. O rastreamento anual com monofilamento de 10 g (Semmes-Weinstein) é a ferramenta padrão para detectar a perda precoce da sensibilidade protetora.

A neuropatia diabética não é uma entidade única, mas um espectro de síndromes. A mais frequente é a polineuropatia simétrica distal, que acomete aproximadamente metade dos diabéticos ao longo da vida. Ela é predominantemente sensitiva — dor, dormência, parestesias e hiperestesias progridem para perda sensitiva — e tem evolução lenta e insidiosa. A perda da propriocepção e da sensibilidade dolorosa leva a marcha anormal, traumatismo repetido e fraturas dos ossos tarsais, podendo resultar nas articulações de Charcot. A neuropatia autônoma é a segunda forma comum, manifestando-se com hipotensão postural, gastroparesia, disfunção erétil e retenção urinária. Formas menos comuns incluem polirradiculopatias, mononeuropatias e amiotrofia diabética.

A doença arterial periférica no diabético tem características próprias. A aterosclerose tende a acometer mais distalmente, com predileção pelas artérias tibiais e fibulares, poupando relativamente o segmento fêmoro-poplíteo. Além disso, a calcificação da camada média (esclerose de Mönckeberg) é frequente, tornando as artérias de perna mais rígidas e menos compressíveis, o que pode elevar falsamente o índice tornozelo-braço. Essa combinação — doença distal e calcificação medial — é um dos motivos pelos quais a avaliação vascular do pé diabético exige métodos complementares além do exame físico.

A artropatia de Charcot é uma condição neuropática, não isquêmica. Ocorre em pacientes com neuropatia periférica grave, como diabéticos e etilistas crônicos, e se caracteriza por destruição articular indolor, deformidade e instabilidade. O pé de Charcot é tipicamente quente, com pulsos presentes e sensibilidade diminuída — o oposto do pé isquêmico, que é frio, pálido e com pulsos ausentes. Confundir essas duas condições é um erro clássico, pois o tratamento é diametralmente oposto: o pé neuropático exige descarga de peso e imobilização, enquanto o pé isquêmico exige revascularização.

A banca explora exatamente essas fronteiras: a epidemiologia da neuropatia, a distribuição da aterosclerose, o padrão sensitivo versus motor da neuropatia e a fisiopatologia neuropática da artropatia de Charcot. Guarde esses quatro eixos — é neles que as alternativas se dividem.

Característica

Polineuropatia Simétrica Distal (C)

Doença Arterial Periférica (B/D)

Neuro-Osteoartropatia de Charcot (E)

Mecanismo predominante

Neuropático (sensitivo)

Isquêmico (vascular)

Neuropático (destruição articular)

Início/evolução

Lento e insidioso

Progressivo (claudicação)

Indolor, com deformidade

Sensibilidade

Diminuída (perda protetora)

Preservada (dor isquêmica)

Diminuída

Pulsos distais

Presentes

Ausentes/diminuídos

Presentes

Localização das lesões

Pés (traumas repetidos)

Artérias tibiais/fibulares (distais)

Articulações tarsais

Temperatura do pé

Normal/quente

Fria, pálida

Quente

Pé diabético
  • 1Neuropatia (principal)
    • Polineuropatia simétrica distal
      • ~50% dos diabéticos
      • Predomínio sensitivo
      • Evolução lenta
    • Autônoma
      • Hipotensão postural
      • Gastroparesia
  • 2Doença arterial periférica
    • Aterosclerose distal
      • Tibiais e fibulares
    • Esclerose de Mönckeberg
      • Calcificação da camada média
  • 3Artropatia de Charcot
    • Neuropática (não isquêmica)
    • Pulsos presentes
    • Pé quente
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que as projeções globais são de diminuição da prevalência de diabetes e que haverá menos pacientes com neuropatias e arteriopatias. É o oposto da realidade epidemiológica: a prevalência de diabetes está aumentando globalmente, impulsionada pelo envelhecimento populacional, obesidade e sedentarismo. Com mais diabéticos e maior expectativa de vida, o número absoluto de pacientes com complicações crônicas — neuropatia, retinopatia, nefropatia e doença arterial periférica — tende a aumentar, não diminuir. O erro está na inversão da tendência epidemiológica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o seguimento fêmoro-poplíteo é o principal alvo das lesões ateroscleróticas no diabético e que as artérias de perna preservam menor grau de calcificação. É o inverso do padrão clássico: no diabetes, a aterosclerose é mais distal, acometendo preferencialmente as artérias tibiais e fibulares (de perna), e a calcificação da camada média é mais acentuada nas artérias distais, não menor. A esclerose de Mönckeberg torna os vasos rígidos e pouco compressíveis, dificultando a avaliação pelo índice tornozelo-braço. A alternativa inverte tanto a localização predominante quanto o grau de calcificação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão a polineuropatia simétrica distal: é a forma mais comum de neuropatia periférica no diabetes, acomete cerca de 50% dos diabéticos, é predominantemente sensitiva, tem evolução lenta e favorece o surgimento de lesões nos pés. A perda da sensibilidade protetora — tátil, térmica e dolorosa — é o mecanismo central que permite que traumas repetidos, calosidades e deformidades evoluam silenciosamente para úlceras. O rastreamento anual com monofilamento de 10 g visa justamente detectar essa perda antes que as lesões se instalem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o início da neuropatia diabética é predominantemente motor, com câimbras e dor na panturrilha ao caminhar menos de 50 metros. Há dois erros: (1) o início é predominantemente sensitivo, não motor — dor, dormência e parestesias precedem a fraqueza muscular; (2) a dor na panturrilha ao caminhar curtas distâncias é descrição de claudicação intermitente, sintoma de doença arterial periférica (isquemia), não de neuropatia. A alternativa confunde o padrão sensitivo da neuropatia com o sintoma isquêmico da claudicação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a neuro-osteoartropatia de Charcot é patognomônica de diabetes não controlada e que se apresenta com ausência de pulsação nas artérias distais. Dois erros: (1) a artropatia de Charcot não é exclusiva do diabetes — ocorre em qualquer neuropatia periférica grave, como no etilismo crônico, sífilis (tabes dorsalis) e outras condições; (2) o pé de Charcot é neuropático, não isquêmico — os pulsos distais estão presentes (ou até ampliados, pelo aumento do fluxo sanguíneo local), o pé é quente e com sensibilidade diminuída. A ausência de pulsação é característica do pé isquêmico, não do neuropático. A alternativa mistura as duas fisiopatologias.

Gabarito: letra C — a única que descreve corretamente a epidemiologia e a fisiopatologia da polineuropatia simétrica distal no diabetes.

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