Residente Médico - Especialidade: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
A respeito das tromboses venosas profundas e da síndrome pós‑trombótica, assinale a alternativa correta.
AAs tromboses venosas profundas distais tendem a ser mais graves e envolvem maior morbidade ao paciente quando comparado às tromboses venosas profundas proximais.
BNaqueles pacientes com trombose venosa profunda aguda que já estão em uso da terapia anticoagulante em dose plena e apresentam resolução das queixas álgicas apesar de edema residual no membro, não há benefício no uso adjunto das meias de compressão elástica.
CAs tromboses venosas profundas distais tendem a evoluir com síndromes pós‑trombóticas mais comumente e com maior gravidade, quando comparadas às tromboses venosas profundas próximas.
DA probabilidade de ocorrer embolia pulmonar grave é igual nas tromboses venosas agudas proximais e distais.
EApesar da anticoagulação corretamente instituída nas tromboses venosas profundas, até 50% dos pacientes podem apresentar síndrome pós‑trombótica no prazo de 3 a 5 anos, sendo metade delas severas.
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GabaritoE — Apesar da anticoagulação corretamente instituída nas tromboses venosas profundas, até 50% dos pacientes podem apresentar síndrome pós‑trombótica no prazo de 3 a 5 anos, sendo metade delas severas.
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Trombose venosa profunda e síndrome pós-trombótica
Gabarito: letra E. Apesar da anticoagulação corretamente instituída, até 50% dos pacientes com TVP podem desenvolver síndrome pós-trombótica (SPT) em 3 a 5 anos, sendo metade dos casos severos. As demais alternativas invertem a relação entre TVP proximal e distal: as proximais são mais graves, com maior risco de embolia pulmonar e SPT, enquanto as distais tendem a ser menos graves e frequentemente resolvem espontaneamente.
A trombose venosa profunda (TVP) é a formação de coágulo sanguíneo no sistema venoso profundo, mais comumente nos membros inferiores. Sua principal complicação aguda é a embolia pulmonar (EP), e a sequela crônica mais importante é a síndrome pós-trombótica (SPT), caracterizada por dor, edema, hiperpigmentação, lipodermatosclerose e, em casos graves, úlcera venosa. A SPT ocorre pela combinação de obstrução venosa residual e refluxo por incompetência valvular, resultando em hipertensão venosa crônica.
A distinção entre TVP proximal e distal é fundamental. As tromboses proximais (veias poplítea, femoral, ilíaca) acometem cerca de 80% dos casos sintomáticos e apresentam maior risco de recorrência, embolia pulmonar e evolução para SPT. Já as distais (veias da panturrilha, como tibiais e fibulares) têm comportamento mais benigno: cerca de 80% resolvem-se espontaneamente sem anticoagulação, e apenas 15-20% propagam-se para o sistema proximal em uma semana. Essa diferença de prognóstico é o cerne da questão.
A profilaxia da SPT inclui o uso de meias de compressão elástica, especialmente nos pacientes com sintomas residuais. A alternativa B afirma que não há benefício no uso adjunto das meias quando o paciente já usa anticoagulação plena e apresenta resolução da dor com edema residual — isso está incorreto, pois é justamente nesses pacientes com edema residual que as meias de compressão estão indicadas para reduzir o risco de SPT.
A alternativa D também erra ao afirmar que a probabilidade de embolia pulmonar grave é igual entre TVP proximais e distais. As TVP proximais têm risco significativamente maior de EP, especialmente as iliofemorais, devido ao maior volume de trombo e à localização em veias de maior calibre.
A pegadinha central desta questão é a inversão da relação de gravidade entre TVP proximal e distal. A banca explora a confusão comum de que tromboses "menores" (distais) seriam mais graves por serem mais "silenciosas" — mas a literatura é clara: proximais são mais graves. Guarde essa fronteira: proximal = maior risco de EP e SPT; distal = menor risco, frequentemente autolimitada.
TVP proximal vs distal: Proximal (poplítea, femoral, ilíaca) (Maior risco de EP, Maior risco de SPT, Mais grave); Distal (tibiais, fibulares) (80% resolvem espontaneamente, Menor risco de EP, Menor risco de SPT); Síndrome pós-trombótica (Até 50% em 3-5 anos, Metade dos casos severa, Meias de compressão indicadas)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as TVP distais tendem a ser mais graves e envolvem maior morbidade que as proximais. É exatamente o oposto: as TVP proximais são mais graves, com maior risco de embolia pulmonar, recorrência e síndrome pós-trombótica. As distais, em sua maioria, resolvem-se espontaneamente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que não há benefício no uso adjunto das meias de compressão elástica em pacientes com TVP aguda em anticoagulação plena que apresentam resolução da dor mas edema residual. Está incorreto: as meias de compressão elástica são indicadas justamente para pacientes com sintomas residuais (edema) após TVP, com o objetivo de reduzir o risco de síndrome pós-trombótica. A presença de edema residual é a principal indicação para o uso das meias.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que as TVP distais evoluem mais comumente e com maior gravidade para síndrome pós-trombótica que as proximais. É o contrário: as TVP proximais (especialmente iliacofemorais) têm incidência muito maior de SPT — cerca de 70-95% em 10 anos nas iliacofemorais, contra aproximadamente 20% nas distais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a probabilidade de embolia pulmonar grave é igual entre TVP proximais e distais. Incorreto: as TVP proximais têm risco significativamente maior de EP, pois o trombo em veias de maior calibre (femoral, ilíaca) tem maior potencial de embolização para a circulação pulmonar. As distais, por serem menores e em veias de menor calibre, têm menor risco de EP grave.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que, apesar da anticoagulação corretamente instituída, até 50% dos pacientes podem apresentar síndrome pós-trombótica em 3 a 5 anos, sendo metade delas severas. Este dado é consistente com a literatura: a SPT é uma complicação frequente mesmo com tratamento adequado, ocorrendo em até 50% dos pacientes, e cerca de 5-10% desenvolvem formas graves (úlcera venosa). A anticoagulação previne a extensão do trombo e a EP, mas não elimina o dano valvular já ocorrido, que é a base fisiopatológica da SPT.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a relação de gravidade entre TVP proximal e distal nas alternativas A, C e D. O candidato desatento pode pensar que tromboses "menores" (distais) são mais perigosas por serem "silenciosas" — mas a literatura é clara: proximais são mais graves, com maior risco de EP e SPT. Memorize: proximal = mais grave; distal = menos grave, frequentemente autolimitada.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de TVP, lembre-se da regra dos 80%: 80% das TVP sintomáticas são proximais; 80% das TVP distais resolvem espontaneamente. E para SPT, grave o número: até 50% dos pacientes desenvolvem SPT em 3-5 anos, mesmo com anticoagulação adequada.