Residente Médico - Especialidade: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Em relação à síndrome da veia cava superior, assinale a alternativa correta.
AAs veias centrais diferem das periféricas por possuírem menor calibre, elevado volume sanguíneo, baixa pressão, baixa complacência e presença de poucas ou nenhuma válvula.
BAs neoplasias malignas se tornaram a principal causa da síndrome da veia cava superior, sendo os tumores tiroidianos a etiologia mais comum.
COs sintomas mais comumente encontrados na síndrome são: disfonia equimose em região torácica e pletora facial.
DA radiografia de tórax pode apresentar alterações como diminuição do mediastino, massa hilar à esquerda, derrame pleural, infiltrado bilateral difuso e atelectasia do lobo superior.
EOs sinais e sintomas associados à congestão venosa das extremidades superiores, cabeça e pescoço, são extremamente variáveis e estão diretamente relacionados ao ponto de obstrução, e à velocidade com que ela se desenvolve, possibilitando ou não o surgimento de circulação colateral compensatória.
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GabaritoE — Os sinais e sintomas associados à congestão venosa das extremidades superiores, cabeça e pescoço, são extremamente variáveis e estão diretamente relacionados ao ponto de obstrução, e à velocidade com que ela se desenvolve, possibilitando ou não o surgimento de circulação colateral compensatória.
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Síndrome da Veia Cava Superior
Gabarito: letra E. A alternativa correta descreve com precisão a fisiopatologia da síndrome da veia cava superior (SVCS): os sinais e sintomas são variáveis e dependem diretamente do ponto de obstrução e da velocidade com que ela se desenvolve, sendo que a obstrução lenta permite o desenvolvimento de circulação colateral compensatória, enquanto a obstrução rápida cursa com quadro mais grave e abrupto. Essa relação entre a velocidade de instalação e a compensação clínica é o conceito central que a banca explora.
A síndrome da veia cava superior é um conjunto de sinais e sintomas decorrentes da obstrução do fluxo sanguíneo na veia cava superior, geralmente por compressão extrínseca (tumores) ou trombose intravascular. A VCS é um vaso de paredes finas e baixa pressão, o que a torna facilmente compressível por massas adjacentes. As causas malignas mais comuns são o câncer de pulmão e o linfoma, e não os tumores tireoidianos, como afirma a alternativa B.
A apresentação clínica é extremamente variável e depende de dois fatores principais: a localização da obstrução e a sua velocidade de instalação. Quando a obstrução se desenvolve lentamente, o organismo tem tempo de desenvolver uma rede de circulação colateral — veias como a ázigo, o plexo mamário interno, o plexo venoso paraespinhal, a veia torácica lateral e o sistema venoso esofágico — que desviam o sangue e atenuam os sintomas. Por outro lado, uma obstrução rápida não permite essa compensação, resultando em quadro clínico mais grave e de instalação súbita. A veia ázigo é a colateral mais importante, e a obstrução abaixo do seu nível é menos tolerada.
Os sintomas mais frequentes são dispneia (60-70%) e edema facial ou de pescoço (50%). Tosse, dor, edema de membros superiores e disfagia são menos comuns. Os sintomas costumam ser posicionais, exacerbados pela inclinação do corpo para frente ou pelo decúbito. No exame físico, podem ser encontrados distensão venosa jugular e na parede torácica, edema facial, pletora, cianose e edema de membros superiores. A radiografia de tórax geralmente é anormal, sendo o alargamento mediastinal (64%) e o derrame pleural (26%) os achados mais comuns — e não a diminuição do mediastino, como afirma a alternativa D. O exame de escolha para o diagnóstico é a tomografia computadorizada de tórax com contraste, que revela a localização e o tamanho das massas, a trombose intravascular e a drenagem venosa colateral.
A alternativa A apresenta uma descrição incorreta das veias centrais. As veias centrais, ao contrário do que afirma, possuem maior calibre, elevado volume sanguíneo, baixa pressão, alta complacência e poucas ou nenhuma válvula. A alternativa C também está incorreta, pois a disfonia não é um sintoma comum da SVCS, e a equimose em região torácica não faz parte do quadro clássico, que inclui pletora facial, edema e distensão venosa.
A pegadinha desta questão está em exigir do candidato o conhecimento da fisiopatologia da SVCS, especialmente a relação entre a velocidade de instalação da obstrução e o desenvolvimento de circulação colateral. A banca mistura conceitos de anatomia vascular, etiologia, sintomas e exames de imagem, testando a capacidade de distinguir o que é verdadeiro do que é falso em cada contexto.
Síndrome da Veia Cava Superior: Fisiopatologia (Obstrução do fluxo na VCS, Compressão extrínseca (tumores), Trombose intravascular); Sintomas (variáveis) (Dependem do ponto de obstrução, Dependem da velocidade de instalação, Obstrução lenta → circulação colateral, Obstrução rápida → quadro grave); Causas mais comuns (Câncer de pulmão, Linfoma); Exames (RX: alargamento mediastinal, TC com contraste (escolha))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa inverte as características das veias centrais. As veias centrais (como a veia cava superior) possuem maior calibre, elevado volume sanguíneo, baixa pressão, alta complacência e poucas ou nenhuma válvula. A alternativa afirma exatamente o oposto ao dizer que possuem "menor calibre" e "baixa complacência". A alta complacência é justamente o que torna a VCS facilmente compressível por massas adjacentes, um ponto-chave na fisiopatologia da síndrome.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Embora as neoplasias malignas sejam a principal causa da SVCS, a etiologia mais comum não são os tumores tireoidianos, mas sim o câncer de pulmão e o linfoma. A alternativa troca a etiologia mais frequente, induzindo o candidato ao erro. Os tumores tireoidianos podem causar compressão mediastinal, mas não são a causa mais comum da SVCS.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa lista sintomas que não são os mais comuns da SVCS. A disfonia não é um sintoma frequente, e a equimose em região torácica não faz parte do quadro clássico. Os sintomas mais comuns são dispneia (60-70%) e edema facial ou de pescoço (50%). A pletora facial é um sinal que pode estar presente, mas a combinação com disfonia e equimose torna a alternativa incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa descreve achados radiológicos que não correspondem aos mais comuns da SVCS. A radiografia de tórax geralmente mostra alargamento mediastinal (64%) e derrame pleural (26%), e não "diminuição do mediastino" ou "massa hilar à esquerda". A atelectasia do lobo superior pode ocorrer em casos de compressão brônquica, mas não é um achado típico da SVCS. A alternativa inverte o achado mais comum (alargamento em vez de diminuição do mediastino).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a fisiopatologia da SVCS. Os sinais e sintomas são extremamente variáveis e dependem do ponto de obstrução e da velocidade com que ela se desenvolve. A obstrução lenta permite o desenvolvimento de circulação colateral compensatória, atenuando os sintomas, enquanto a obstrução rápida não permite essa compensação, resultando em quadro mais grave. Essa é a descrição precisa do mecanismo da doença, conforme a literatura médica.