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Questão de Medicina — Angiologia — Quadrix 2024

MedicinaAngiologia
Código
qg355166
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Uma paciente de 48 anos de idade compareceu ao pronto atendimento com dor abdominal epigástrica, que piorou no período pós‑prandial, há aproximadamente 12 meses. Ela relatou ter procurado atendimento por múltiplas vezes, sem elucidação adequada do quadro. Já foi realizada a colecistectomia, sem indícios de melhora. Houve perda de 10 kg nos últimos 3 meses devido a esse quadro. Relatou piora da dor nos últimos dias, o que a fez procurar o atendimento de urgência. A paciente estava em bom estado, lactato 0,9. Exames cardiológicos estavam normais. Foi realizada angiotomografia, que evidenciou a imagem a seguir.Q31.png 428×285Com base nessa situação hipotética e na imagem acima, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e a conduta adequados para o caso.
  1. AIsquemia mesentérica aguda. O paciente deverá ser submetido à trombectomia mecânica para a aspiração dos trombos.
  2. BSíndrome de Dunbar (compressão crônica do tronco celíaco pelo ligamento arqueado mediano do fígado). O ligamento arqueado deve ser ressecado e, dias após – caso não haja melhora sintomática –, pode ser realizada uma angioplastia.
  3. CDissecção crônica de artéria mesentérica. Como os sintomas estão se mantendo, deve ser realizado o bypass gastroepiploico direito para a artéria mesentérica superior.
  4. DIsquemia mesentérica crônica. Deve ser realizada angioplastia com implante de stent.
  5. ETrombose de veia mesentérica superior. Deve ser iniciada anticoagulação plena imediata e avaliar a realização de laparoscopia para a investigação de viabilidade de intestinos.
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GabaritoB — Síndrome de Dunbar (compressão crônica do tronco celíaco pelo ligamento arqueado mediano do fígado). O ligamento arqueado deve ser ressecado e, dias após – caso não haja melhora sintomática –, pode ser realizada uma angioplastia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Dunbar: compressão do tronco celíaco pelo ligamento arqueado mediano

Gabarito: letra B. O quadro clínico — dor epigástrica pós-prandial crônica, perda de peso, ausência de melhora após colecistectomia, com exames cardiológicos e lactato normais — associado à angiotomografia evidenciando estenose extrínseca do tronco celíaco, é clássico da Síndrome de Dunbar (compressão do tronco celíaco pelo ligamento arqueado mediano). A conduta é a ressecção do ligamento arqueado, com angioplastia reservada para casos de persistência sintomática.

A Síndrome de Dunbar, também chamada de síndrome do ligamento arqueado mediano ou síndrome de compressão do tronco celíaco, é uma condição em que o ligamento arqueado mediano do diafragma comprime o tronco celíaco, causando obstrução parcial do fluxo sanguíneo para as vísceras abdominais. Essa compressão é mais comum em mulheres jovens e magras, e o quadro clínico típico inclui dor epigástrica ou em andar superior do abdome, frequentemente desencadeada ou piorada pela alimentação (angina intestinal), além de perda de peso, náuseas e vômitos. A dor é crônica e pode levar o paciente a múltiplas consultas e investigações, como ocorreu com a paciente do caso, que já havia sido submetida a colecistectomia sem melhora — um cenário comum, pois a dor da Síndrome de Dunbar pode mimetizar cólica biliar.

O diagnóstico é feito por exames de imagem, sendo a angiotomografia o método de escolha, que demonstra a estenose do tronco celíaco com aspecto de "gancho" ou "J invertido", causada pela compressão extrínseca. O tratamento de primeira linha é cirúrgico, com a secção (ressecção) do ligamento arqueado mediano, liberando o tronco celíaco. A angioplastia com stent é uma opção em casos selecionados, geralmente quando há persistência dos sintomas após a cirurgia ou quando a cirurgia não é possível. A alternativa B descreve exatamente essa sequência: ressecção do ligamento e, se não houver melhora, angioplastia.

É fundamental distinguir a Síndrome de Dunbar da isquemia mesentérica crônica, que também causa dor pós-prandial e perda de peso, mas é causada por doença aterosclerótica oclusiva das artérias mesentéricas (tronco celíaco, mesentérica superior e inferior), geralmente em pacientes mais velhos com fatores de risco cardiovascular. Na isquemia mesentérica crônica, o tratamento é a revascularização, seja por angioplastia com stent ou cirurgia aberta (bypass). A distinção é feita pela imagem: na Síndrome de Dunbar, a estenose é extrínseca, focal, no tronco celíaco, enquanto na isquemia mesentérica crônica há placas ateroscleróticas.

A banca explora a confusão entre essas duas entidades, além de incluir distratores como isquemia mesentérica aguda e trombose venosa mesentérica, que têm apresentações clínicas diferentes. A paciente do caso tem um quadro crônico (12 meses), com piora recente, mas sem sinais de gravidade aguda (lactato normal, bom estado geral), o que afasta a isquemia aguda. A imagem da angiotomografia é o elemento-chave para o diagnóstico, mostrando a compressão extrínseca do tronco celíaco.

Guarde a diferença entre as síndromes isquêmicas mesentéricas e a Síndrome de Dunbar: a primeira é uma doença oclusiva aterosclerótica, a segunda é uma compressão extrínseca por estrutura ligamentar. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Síndrome de Dunbar
  • 1Causa
    • Compressão extrínseca do tronco celíaco
    • Pelo ligamento arqueado mediano
  • 2Quadro clínico
    • Dor epigástrica pós-prandial
    • Perda de peso
    • Sem melhora após colecistectomia
  • 3Diagnóstico
    • Angiotomografia
    • Estenose em "gancho" ou "J invertido"
  • 4Tratamento
    • Ressecção do ligamento arqueado
    • Angioplastia se persistirem sintomas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A isquemia mesentérica aguda é uma emergência com dor abdominal súbita e intensa, desproporcional ao exame físico, frequentemente com acidose láctica e instabilidade hemodinâmica. A paciente tem um quadro crônico (12 meses), com lactato normal e bom estado geral, o que afasta essa hipótese. Além disso, a conduta de trombectomia mecânica é para casos de oclusão arterial aguda por tromboembolismo, não se aplicando a este cenário.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente a Síndrome de Dunbar e a conduta adequada. A paciente apresenta dor epigástrica pós-prandial crônica, perda de peso, sem melhora após colecistectomia, e a angiotomografia evidencia compressão extrínseca do tronco celíaco. O tratamento é a ressecção do ligamento arqueado mediano, com angioplastia reservada para casos de persistência sintomática.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A dissecção crônica de artéria mesentérica é uma condição rara, geralmente associada a trauma ou doença do tecido conjuntivo, e se manifesta com dor abdominal, mas o diagnóstico é feito por imagem mostrando flap intimal ou dupla luz. A conduta de bypass gastroepiploico direito para a artéria mesentérica superior não é o tratamento padrão para essa condição, e o quadro clínico da paciente não é compatível com dissecção.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A isquemia mesentérica crônica é causada por doença aterosclerótica oclusiva das artérias mesentéricas, geralmente em pacientes mais velhos com fatores de risco cardiovascular. A angioplastia com stent é uma opção de tratamento, mas o diagnóstico da paciente é de Síndrome de Dunbar, não de isquemia mesentérica crônica. A imagem mostra compressão extrínseca, não placa aterosclerótica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A trombose de veia mesentérica superior é uma condição que causa dor abdominal, mas geralmente de início agudo ou subagudo, com distensão abdominal, diarreia e sangramento intestinal. O diagnóstico é feito por angiotomografia mostrando trombose venosa, e o tratamento é anticoagulação plena. A paciente tem um quadro crônico de dor pós-prandial, e a imagem mostra compressão do tronco celíaco, não trombose venosa.

Gabarito: letra B

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