Residente Médico - Especialidade: Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular
Um paciente de 80 anos de idade, com fibrilação arterial, evoluiu com oclusão arterial aguda, tendo sido avaliada pelo cirurgião vascular e indicada embolectomia. Após inguinotomia, durante a dissecção da artéria femoral profunda, observou‑se um sangramento venoso significativo entre a artéria femoral superficial e a artéria femoral profunda.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a veia que mais provavelmente foi lesionada.
Acircunflexa femoral lateral
Bepigástrica superficial
Cepigástrica inferior
Dpudenda externa
Ecircunflexa ilíaca superficial
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GabaritoA — circunflexa femoral lateral
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Anatomia cirúrgica da região inguinal: veia circunflexa femoral lateral
Gabarito: letra A. O sangramento venoso significativo entre a artéria femoral superficial e a artéria femoral profunda, durante a dissecção para embolectomia, é mais provavelmente da veia circunflexa femoral lateral, que cruza o espaço entre essas duas artérias para drenar na veia femoral comum. As demais alternativas (epigástrica superficial, epigástrica inferior, pudenda externa e circunflexa ilíaca superficial) são veias superficiais da parede abdominal ou da região genital, que não têm relação topográfica com o plano profundo entre as artérias femorais.
A região inguinal é uma área de grande importância cirúrgica, especialmente para o acesso vascular. O conhecimento da anatomia topográfica é essencial para evitar lesões iatrogênicas durante procedimentos como a embolectomia. A tríade femoral (veia, artéria e nervo) está contida no trígono femoral, delimitado pelo ligamento inguinal, músculo sartório e músculo adutor longo. A artéria femoral comum bifurca-se, na região distal do trígono, em artéria femoral superficial (que segue para o canal dos adutores) e artéria femoral profunda (que é o principal ramo para a coxa). É nesse ponto de bifurcação que a veia circunflexa femoral lateral, um ramo da veia femoral comum, cruza o plano entre as duas artérias, sendo particularmente vulnerável durante a dissecção cirúrgica.
A veia circunflexa femoral lateral é um vaso profundo que acompanha a artéria de mesmo nome, um ramo da artéria femoral profunda. Ela drena o sangue dos músculos vasto lateral e reto femoral, além de contribuições da região lateral da coxa. Sua localização, cruzando o espaço entre a artéria femoral superficial e a artéria femoral profunda, a torna um ponto de sangramento significativo quando lesada. O cirurgião deve estar atento a essa anatomia para evitar complicações hemorrágicas durante o acesso à artéria femoral.
As demais veias listadas são superficiais e pertencem a outros territórios:
Veia epigástrica superficial: drena a parede abdominal inferior e desemboca na veia safena magna ou diretamente na veia femoral, mas em um plano mais superficial, próximo ao ligamento inguinal.
Veia epigástrica inferior: é um vaso profundo da parede abdominal, que acompanha a artéria de mesmo nome, mas não tem relação com o trígono femoral.
Veia pudenda externa: drena a região genital externa e também é superficial, desembocando na veia safena magna.
Veia circunflexa ilíaca superficial: drena a região do quadril e da parede abdominal lateral, sendo também superficial.
A pegadinha da questão está em confundir as veias superficiais da região inguinal com as veias profundas que acompanham o sistema arterial femoral. O sangramento descrito é profundo, entre as artérias, o que direciona para a veia circunflexa femoral lateral. A banca explora o conhecimento da anatomia cirúrgica e a capacidade de distinguir os planos anatômicos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece veias superficiais da região inguinal (epigástrica superficial, pudenda externa, circunflexa ilíaca superficial) para confundir com a veia profunda que cruza o plano entre as artérias femorais. O sangramento profundo e significativo entre a artéria femoral superficial e a profunda é a pista-chave: apenas a veia circunflexa femoral lateral tem essa localização anatômica. As demais são superficiais e não estariam nesse plano cirúrgico.
Veias da região inguinal
1Profundas
Circunflexa femoral lateral
Cruza entre artéria femoral superficial e profunda
Lesionada na dissecção (sangramento significativo)
2Superficiais
Epigástrica superficial
Parede abdominal inferior
Pudenda externa
Região genital externa
Circunflexa ilíaca superficial
Quadril e parede abdominal lateral
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A veia circunflexa femoral lateral é um ramo da veia femoral comum que cruza o espaço entre a artéria femoral superficial e a artéria femoral profunda. Durante a dissecção para embolectomia, essa veia é particularmente vulnerável a lesões, resultando em sangramento venoso significativo. Sua localização profunda e sua relação direta com a bifurcação arterial femoral a tornam a resposta mais provável.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A veia epigástrica superficial é uma veia superficial da parede abdominal inferior, que drena para a veia safena magna ou diretamente para a veia femoral, mas em um plano subcutâneo, longe do plano profundo entre as artérias femorais. Não há relação topográfica com o local do sangramento descrito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A veia epigástrica inferior é um vaso profundo da parede abdominal, que acompanha a artéria epigástrica inferior, mas não tem relação com o trígono femoral. Ela está localizada na parede abdominal, não na região da bifurcação da artéria femoral.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A veia pudenda externa é uma veia superficial que drena a região genital externa e desemboca na veia safena magna. Sua localização é superficial e medial, não no plano profundo entre as artérias femorais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A veia circunflexa ilíaca superficial é uma veia superficial que drena a região do quadril e da parede abdominal lateral, desembocando na veia safena magna. Não tem relação com o plano profundo da bifurcação da artéria femoral.