Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Quadrix 2024
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg355197
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia da Mão
Um paciente recém‑nascido estava com dificuldade respiratória, retronagtismo, dessaturações na oximetria e fenda palatina. À broncoscopia, ele apresentou obstrução supraglótica da base da língua.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e o tratamento adequados.
Asequência Pierre Robin; posicionamento pronado, placa oral ou cânula nasofaríngea, adesão língua‑lábio, distração osteogênica e traqueostomia
Bsequência Pierre Robin; intubação nasofaríngea, distração osteogênica e adesão língua‑lábio e traqueostomia
Csíndrome de Nager; adesão língua‑lábio, distração osteogênica e traqueostomia
Dsíndrome de Nager; traqueostomia, adesão língua‑lábio e distração osteogênica
Esequência Pierre Robin; cânula nasofaríngea, traqueostomia, adesão língua‑lábio, distração osteogênica
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GabaritoA — sequência Pierre Robin; posicionamento pronado, placa oral ou cânula nasofaríngea, adesão língua‑lábio, distração osteogênica e traqueostomia
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Sequência de Pierre Robin: Diagnóstico e Manejo da Obstrução de Vias Aéreas
Gabarito: letra A. O quadro clínico descrito — recém-nascido com dificuldade respiratória, retronagnatia (queixo retraído), dessaturação, fenda palatina e obstrução supraglótica da base da língua à broncoscopia — é a apresentação clássica da sequência de Pierre Robin, e o tratamento inicial e definitivo envolve, em ordem de complexidade, posicionamento pronado, placa oral ou cânula nasofaríngea, adesão língua-lábio, distração osteogênica e traqueostomia. A alternativa A é a única que traz o diagnóstico correto e a sequência terapêutica completa e hierarquizada.
A sequência de Pierre Robin é uma condição congênita caracterizada pela tríade clássica: micrognatia/retrognatia (mandíbula pequena e retraída), glossoptose (língua deslocada para trás e para baixo) e fenda palatina (geralmente em forma de U). A obstrução de vias aéreas ocorre porque a língua, sem o suporte da mandíbula, colapsa contra a parede posterior da faringe, obstruindo a passagem do ar em nível supraglótico. Essa obstrução é agravada pela sucção inspiratória, que puxa a língua ainda mais para trás. O diagnóstico é essencialmente clínico, mas a broncoscopia confirma o nível da obstrução e exclui outras causas, como laringomalácia ou estenose subglótica.
O manejo é escalonado e visa, em primeiro lugar, manter a via aérea pérvia. As opções terapêuticas, da menos para a mais invasiva, são:
Posicionamento pronado (decúbito ventral): é a medida inicial e mais simples. Ao deitar o bebê de bruços, a gravidade ajuda a manter a língua anteriorizada, aliviando a obstrução. É eficaz em cerca de 70% dos casos.
Placa oral ou cânula nasofaríngea: quando o posicionamento não é suficiente, uma placa intraoral (que empurra a língua para frente) ou uma cânula nasofaríngea (que contorna a obstrução) podem ser utilizadas. A cânula nasofaríngea é particularmente útil em casos moderados.
Adesão língua-lábio (glossopexia): procedimento cirúrgico que fixa a língua ao lábio inferior, mantendo-a anteriorizada. Indicado quando as medidas conservadoras falham.
Distração osteogênica da mandíbula: técnica cirúrgica que alonga a mandíbula, corrigindo a retrognatia e, consequentemente, a posição da língua. É o tratamento definitivo mais eficaz em casos graves.
Traqueostomia: reservada para os casos mais graves, refratários a todas as outras medidas, ou quando há outras comorbidades que impeçam a correção cirúrgica.
A banca explora a confusão entre a sequência de Pierre Robin e a síndrome de Nager (que também cursa com micrognatia e fenda palatina, mas é uma síndrome acrofacial, com malformações de membros — como ausência de polegares — e outras anomalias craniofaciais). Além disso, as alternativas tentam embaralhar a ordem do tratamento, omitindo etapas ou invertendo a hierarquia. O candidato deve reconhecer que o tratamento é progressivo: medidas conservadoras primeiro, cirurgias intermediárias depois, e traqueostomia como último recurso.
Guarde a sequência terapêutica como uma escada: posicionamento → placa/cânula → adesão → distração → traqueostomia. É exatamente essa ordem que as alternativas tentam distorcer.
1Posicionamento pronado
2Placa oral ou cânula nasofaríngea
3Adesão língua-lábio
4Distração osteogênica
5Traqueostomia
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa apresenta o diagnóstico correto (sequência de Pierre Robin) e a lista completa e hierarquizada de opções terapêuticas: posicionamento pronado, placa oral ou cânula nasofaríngea, adesão língua-lábio, distração osteogênica e traqueostomia. A ordem apresentada reflete a progressão natural do manejo, da medida mais conservadora à mais invasiva, o que está de acordo com a prática clínica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O diagnóstico está correto (sequência de Pierre Robin), mas o tratamento está incompleto: omite o posicionamento pronado e a placa oral, que são as primeiras medidas a serem tentadas. A intubação nasofaríngea (cânula) é uma opção, mas não é a primeira linha, e a lista não segue a hierarquia correta. A alternativa falha ao não incluir o passo inicial do manejo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O diagnóstico está errado: o quadro descrito é de sequência de Pierre Robin, não de síndrome de Nager. A síndrome de Nager é uma síndrome acrofacial que cursa com malformações de membros (como polegares ausentes ou hipoplásicos) e outras anomalias, além da micrognatia e fenda palatina. O tratamento listado (adesão, distração, traqueostomia) é aplicável à Pierre Robin, mas não à Nager, que tem abordagem multidisciplinar diferente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Mesmo erro da alternativa C: o diagnóstico de síndrome de Nager está incorreto. Além disso, a ordem do tratamento está invertida — a traqueostomia é o último recurso, não o primeiro. A hierarquia correta começa com medidas conservadoras (posicionamento, placa/cânula) e só então evolui para procedimentos cirúrgicos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O diagnóstico está correto (sequência de Pierre Robin), mas o tratamento está incompleto e desordenado: omite o posicionamento pronado e a placa oral, que são as primeiras medidas. A ordem apresentada (cânula, traqueostomia, adesão, distração) não segue a progressão lógica — a traqueostomia aparece antes da adesão e da distração, quando deveria ser o último recurso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o diagnóstico (Pierre Robin × Nager) e embaralha a ordem do tratamento. A síndrome de Nager é uma síndrome acrofacial com malformações de membros — ausência de polegares é um sinal clássico —, enquanto a Pierre Robin é definida pela tríade micrognatia, glossoptose e fenda palatina. Além disso, o tratamento é uma escada: sempre comece pelo posicionamento pronado e só chegue à traqueostomia se tudo mais falhar. Fique atento à ordem e à completude da lista.