Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Quadrix 2024
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg355216
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia da Mão
Os expansores teciduais são dispositivos infláveis de silicone utilizados em cirurgia plástica reconstrutiva para promover a reparação ou a cobertura de regiões com tecido cutâneo insuficiente ou doente. Eles são inseridos sob a pele e gradualmente inflados com soro fisiológico ao longo do tempo, estimulando o crescimento de pele adicional. Essa técnica é especialmente útil para tratar áreas de cicatrizes, defeitos congênitos ou após a remoção de tumores, permitindo a reconstrução com tecido autólogo, o que melhora a compatibilidade e a estética do resultado final. Acerca dos expansores teciduais, é correto afirmar que
Aa epiderme tem sua espessura diminuída, com aumento do espaço intercelular.
Bo tecido subcutâneo aumenta, mantendo a espessura contínua em toda a área expandida.
Co músculo aumenta de espessura quando o expansor é insuflado sob ele.
Dnão há formação de cápsula ao redor do expansor, uma vez que o material é compatível com os tecidos humanos.
Ea derme sofre diminuição da espessura de suas camadas papilar e reticular.
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GabaritoE — a derme sofre diminuição da espessura de suas camadas papilar e reticular.
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Expansores teciduais: alterações histológicas induzidas pela expansão
Gabarito: letra E. A expansão tecidual promove afinamento da derme, com redução da espessura das camadas papilar e reticular, enquanto a epiderme, embora adelgaçada, mantém sua arquitetura e pode até apresentar aumento da atividade proliferativa — é esse o efeito histológico central que a alternativa correta descreve.
Os expansores teciduais são dispositivos de silicone inseridos sob a pele e insuflados progressivamente com soro fisiológico, gerando uma força mecânica que estimula a "neoformação" de tecido cutâneo. O princípio é o da mecanotransdução: a tensão contínua sobre a pele ativa vias de sinalização celular que aumentam a proliferação de queratinócitos e a síntese de colágeno, permitindo ganho real de área cutânea — não apenas estiramento passivo. Esse fenômeno é a base da reconstrução com tecido autólogo, evitando enxertos extensos ou retalhos complexos.
Histologicamente, as alterações são bem caracterizadas e seguem um padrão previsível. A epiderme sofre afinamento (diminuição da espessura total), mas com aumento da atividade mitótica na camada basal — ou seja, há mais proliferação celular, porém as células ficam mais achatadas e o estrato córneo pode se adelgaçar. A derme é a camada mais afetada: tanto a camada papilar quanto a reticular diminuem de espessura, com reorganização das fibras colágenas e elásticas, que se alinham paralelamente à superfície de expansão. O tecido subcutâneo (hipoderme) sofre atrofia progressiva — a camada de gordura diminui sob pressão do expansor. Já o músculo adjacente, quando o expansor é colocado sob ele, tende a sofrer atrofia por pressão, não hipertrofia. E, ao redor de todo expansor, forma-se invariavelmente uma cápsula fibrosa — resposta fisiológica a qualquer corpo estranho, composta por colágeno e fibroblastos, que pode ser clinicamente relevante em casos de contratura capsular.
A compreensão dessas alterações é essencial na prática cirúrgica: o afinamento dérmico explica por que a pele expandida pode ser mais frágil e suscetível a deiscências, e por que o planejamento da expansão deve respeitar a vascularização local. A cápsula, por sua vez, é um fator que influencia a textura e a mobilidade do tecido reconstruído.
A banca explora exatamente a inversão dos efeitos: troca o afinamento por aumento de espessura, a atrofia por hipertrofia, e nega a formação da cápsula. O candidato que domina o padrão histológico — epiderme adelgaçada, derme afinada, subcutâneo atrófico, músculo atrófico e cápsula presente — resolve a questão sem hesitar. Guarde esse mapa: é ele que separa as alternativas.
Afirma que a epiderme tem sua espessura diminuída, com aumento do espaço intercelular. O primeiro ponto está correto — a epiderme realmente adelgaça —, mas o segundo não: não há aumento do espaço intercelular na epiderme expandida. O que se observa é aumento da atividade proliferativa basal com células mais achatadas, sem edema intercelular significativo. O erro está na associação com o "aumento do espaço intercelular", que não é uma característica da expansão tecidual.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o tecido subcutâneo aumenta, mantendo a espessura contínua em toda a área expandida. É o oposto do que ocorre: o tecido subcutâneo sofre atrofia sob a pressão do expansor, com diminuição da camada de gordura. A espessura não se mantém contínua — há adelgaçamento progressivo na área de expansão. A banca inverte o efeito: troca atrofia por aumento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o músculo aumenta de espessura quando o expansor é insuflado sob ele. Na realidade, a pressão contínua do expansor sobre o músculo subjacente causa atrofia por compressão, não hipertrofia. O músculo perde massa e espessura na área de contato. A alternativa inverte o efeito fisiológico da pressão prolongada sobre o tecido muscular.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que não há formação de cápsula ao redor do expansor, uma vez que o material é compatível com os tecidos humanos. É exatamente o contrário: todo corpo estranho implantado, mesmo biocompatível como o silicone, induz a formação de uma cápsula fibrosa ao redor — resposta granulomatosa de corpo estranho. A biocompatibilidade reduz a intensidade da reação inflamatória, mas não elimina a formação capsular. A cápsula é um achado universal e esperado.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a derme sofre diminuição da espessura de suas camadas papilar e reticular. É exatamente o que ocorre: a derme é a camada mais afetada pela expansão, com afinamento tanto da camada papilar (superficial) quanto da reticular (profunda). As fibras colágenas e elásticas se reorganizam paralelamente à superfície, e a espessura total da derme diminui. Esse é o achado histológico mais característico e consistente da expansão tecidual.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões sobre expansores teciduais, memorize o padrão "E-D-S-M-C": Epiderme adelgaçada (mas proliferativa), Derme afinada (papilar e reticular), Subcutâneo atrófico, Músculo atrófico, Cápsula sempre presente. Se a alternativa trouxer aumento de espessura ou ausência de cápsula, está errada — a banca adora inverter esses dois pontos.