Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Quadrix 2024
- Código
- qg355230
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- SES - SP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Residente Médico - Especialidade: Cirurgia da Mão
- AKD I.
- BKD II.
- CKD III.
- DKD IV.
- EKD V.
GabaritoC — KD III.
Gabarito: letra C. O padrão mais frequente de luxação de joelho, segundo a classificação de Schenck, é o KD III (lesão de ambos os ligamentos cruzados, associada à lesão do ligamento colateral medial ou lateral). Essa classificação, baseada no padrão de lesão ligamentar, é amplamente utilizada na prática ortopédica para orientar o tratamento e o prognóstico dessas lesões complexas.
A luxação do joelho é uma lesão de alta energia, frequentemente associada a trauma automobilístico ou esportivo, que resulta em deslocamento da articulação tíbio-femoral. A classificação de Schenck, descrita em 1992, organiza essas lesões em cinco tipos (KD I a KD V), com base nos ligamentos acometidos. O tipo KD III, que envolve a lesão de ambos os ligamentos cruzados (LCA e LCP) e de um dos ligamentos colaterais (LCM ou LCL), é o mais comum, representando cerca de 40% dos casos. Essa predominância se deve ao mecanismo de trauma, que frequentemente combina forças em valgo ou varo com hiperextensão ou translação tibial, lesando múltiplas estruturas.
A importância clínica dessa classificação reside na sua correlação com o tratamento e o prognóstico. Luxações do tipo KD I (lesão de um único ligamento cruzado) e KD II (lesão de ambos os cruzados, sem lesão colateral) são menos comuns e, muitas vezes, podem ser tratadas de forma conservadora ou com reconstrução ligamentar seletiva. Já as luxações KD III, IV e V, por envolverem lesões mais extensas, frequentemente requerem reconstrução ligamentar múltipla e estão associadas a maior risco de complicações, como lesão neurovascular (principalmente da artéria poplítea) e instabilidade residual. O reconhecimento precoce do padrão de lesão é crucial para a decisão terapêutica e para a prevenção de sequelas.
Na prática, o ortopedista deve estar atento à possibilidade de redução espontânea da luxação, o que pode mascarar a gravidade da lesão. Por isso, a avaliação clínica e por imagem (radiografias, ressonância magnética) é fundamental para identificar o padrão de lesão ligamentar e classificar corretamente a luxação. A classificação de Schenck, portanto, não é apenas um sistema de categorização, mas uma ferramenta que guia a abordagem terapêutica e a comunicação entre os profissionais.
A pegadinha desta questão está em confundir a frequência dos tipos de luxação. O candidato pode ser tentado a escolher o KD I, por ser o tipo mais simples, ou o KD V, por ser o mais grave, mas a literatura é clara: o KD III é o mais frequente. Essa é uma informação clássica de provas de ortopedia, e a banca explora exatamente essa inversão de conceitos.
O KD I é definido como luxação com lesão de um único ligamento cruzado (LCA ou LCP), sem lesão dos ligamentos colaterais. Embora seja um tipo de luxação, não é o mais frequente. A banca pode tentar confundir o candidato ao apresentar o tipo mais simples como o mais comum, mas a literatura indica que o padrão mais comum é o KD III.
O KD II é caracterizado pela lesão de ambos os ligamentos cruzados (LCA e LCP), sem lesão dos ligamentos colaterais. Esse tipo é menos frequente que o KD III, pois o mecanismo de trauma que lesa ambos os cruzados geralmente também acomete as estruturas colaterais. A alternativa está incorreta por não corresponder ao padrão mais comum.
O KD III é o tipo mais frequente de luxação de joelho, caracterizado pela lesão de ambos os ligamentos cruzados (LCA e LCP) associada à lesão de um dos ligamentos colaterais (LCM ou LCL). Essa combinação de lesões é a mais comum na prática clínica, representando cerca de 40% dos casos. A alternativa está correta e é o gabarito da questão.
O KD IV é definido pela lesão de ambos os ligamentos cruzados (LCA e LCP) associada à lesão de ambos os ligamentos colaterais (LCM e LCL). Esse tipo é mais grave e menos frequente que o KD III, pois envolve lesão de todas as estruturas ligamentares principais do joelho. A alternativa está incorreta por não corresponder ao padrão mais comum.
O KD V é caracterizado pela luxação com fratura associada, envolvendo a lesão ligamentar e a fratura de uma das estruturas ósseas do joelho (fêmur, tíbia ou patela). Esse tipo é o mais grave e o menos frequente, pois representa uma lesão de altíssima energia. A alternativa está incorreta por não corresponder ao padrão mais comum.
A classificação de Schenck é uma ferramenta essencial para o ortopedista, pois permite uma comunicação precisa sobre o padrão de lesão e orienta o tratamento. O conhecimento da frequência de cada tipo é um detalhe que pode ser cobrado em provas, e o candidato deve estar atento a essa informação.
A banca explora a inversão de frequência: o candidato pode ser tentado a escolher o tipo mais simples (KD I) ou o mais grave (KD V), mas o mais comum é o KD III. Lembre-se: a lesão de ambos os cruzados associada à lesão de um colateral é o padrão mais frequente.
Gabarito: letra C
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