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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — Quadrix 2024

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
qg355239
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia da Mão
A incidência de erosão da glenoide após hemiartroplastia do ombro é mais frequente em pacientes mais
  1. Ajovens, com manguito rotador íntegro.
  2. Bvelhos, com manguito rotador íntegro.
  3. Cjovens, com manguito rotador lesionado.
  4. Dvelhos, com manguito rotador lesionado.
  5. Evelhos, independente do manguito rotador.
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GabaritoA — jovens, com manguito rotador íntegro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Erosão da glenoide após hemiartroplastia do ombro

Gabarito: letra A. A erosão da glenoide é mais frequente em pacientes jovens, com manguito rotador íntegro. Isso ocorre porque, nesses pacientes, a cartilagem glenoide é mais resistente e o manguito rotador funcional mantém a cabeça do úmero centrada, concentrando as forças de contato e acelerando o desgaste da glenoide nativa contra o componente metálico da prótese. A literatura ortopédica (cirurgia do ombro) documenta essa associação, que é o oposto do que o senso comum sugeriria.

A hemiartroplastia do ombro é um procedimento em que apenas o lado umeral da articulação é substituído por uma prótese, mantendo-se a glenoide nativa. A erosão da glenoide é a principal complicação de longo prazo dessa técnica, pois a cabeça metálica da prótese articula diretamente contra a cartilagem e o osso da glenoide, que não foram substituídos. O desgaste resultante pode causar dor, perda de função e necessidade de revisão cirúrgica para uma artroplastia total.

O fator decisivo para a incidência dessa erosão é a qualidade da cartilagem glenoide e a biomecânica do contato. Em pacientes jovens, a cartilagem é mais espessa, mais hidratada e mais resistente, o que paradoxalmente aumenta a transmissão de forças para a glenoide, acelerando o desgaste. Além disso, o manguito rotador íntegro mantém a cabeça do úmero centrada na glenoide, otimizando o contato e concentrando as forças de cisalhamento e compressão em uma área menor. Em contraste, pacientes idosos frequentemente têm cartilagem mais fina e degenerada, e a lesão do manguito rotador permite a migração superior da cabeça umeral, reduzindo o contato com a glenoide e, portanto, diminuindo a pressão local e a taxa de erosão.

A lógica por trás dessa relação é biomecânica: a erosão é um fenômeno de desgaste por contato e pressão. Quanto mais eficiente o mecanismo de transmissão de carga (manguito íntegro) e mais resistente o material (cartilagem jovem), maior a energia transferida para a interface e, consequentemente, maior o desgaste. É um caso em que a "qualidade" do tecido e a "função" muscular, paradoxalmente, aceleram a falha do implante. Essa é a pegadinha central da questão: o candidato tende a associar erosão a pacientes idosos e com manguito lesionado, mas a literatura mostra exatamente o oposto.

Na prática clínica, essa informação orienta a escolha do implante: em pacientes jovens com manguito íntegro, muitos cirurgiões preferem a artroplastia total do ombro (com substituição da glenoide) ou a resurfacing da glenoide, justamente para evitar a erosão precoce que ocorreria com a hemiartroplastia. Em pacientes idosos com manguito lesionado, a hemiartroplastia pode ser uma opção adequada, pois a erosão é menos provável e a demanda funcional é menor.

Guarde a fronteira: jovem + manguito íntegro = maior risco de erosão da glenoide; idoso + manguito lesionado = menor risco. É exatamente nessa combinação que as alternativas se dividem.

Erosão da glenoide (hemiartroplastia)
  • 1Maior risco
    • Jovem
    • Manguito íntegro
    • Cartilagem resistente
    • Cabeça centrada → contato concentrado
  • 2Menor risco
    • Idoso
    • Manguito lesionado
    • Cartilagem degenerada
    • Migração superior → contato reduzido
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa correta. Pacientes jovens, com manguito rotador íntegro, apresentam maior incidência de erosão da glenoide após hemiartroplastia. A cartilagem jovem é mais resistente e o manguito íntegro mantém a cabeça do úmero centrada, concentrando as forças de contato e acelerando o desgaste da glenoide nativa contra o componente metálico. A literatura de cirurgia do ombro documenta essa associação, que é um dos principais argumentos para indicar artroplastia total em pacientes jovens e ativos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a erosão é mais frequente em pacientes velhos com manguito íntegro. O erro está na idade: em pacientes idosos, a cartilagem glenoide é mais degenerada e menos resistente, mas a menor demanda funcional e a biomecânica alterada (frequentemente com lesões parciais do manguito) reduzem a transmissão de forças, tornando a erosão menos incidente. A combinação "velho + manguito íntegro" é menos comum e não corresponde ao perfil de maior risco descrito na literatura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a erosão é mais frequente em pacientes jovens com manguito lesionado. O erro está no manguito: a lesão do manguito rotador permite a migração superior da cabeça umeral, reduzindo o contato com a glenoide e, portanto, diminuindo a pressão local e a taxa de erosão. Em pacientes jovens, a lesão do manguito é menos comum e, quando presente, altera a biomecânica de forma a proteger a glenoide do desgaste concentrado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a erosão é mais frequente em pacientes velhos com manguito lesionado. Essa é a combinação que o senso comum sugere, mas a literatura mostra o oposto. A lesão do manguito e a idade avançada reduzem a transmissão de forças para a glenoide, diminuindo a incidência de erosão. Nesse perfil, a hemiartroplastia é frequentemente uma opção adequada, justamente porque a erosão é menos provável.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a erosão é mais frequente em pacientes velhos, independente do manguito rotador. O erro está na generalização: a idade avançada, por si só, não é o fator determinante. A erosão é mais incidente em jovens, e a condição do manguito rotador é um fator modificador importante. A alternativa ignora a influência do manguito e inverte o fator etário, contrariando a evidência ortopédica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão do senso comum. O candidato tende a associar erosão a pacientes idosos e com manguito lesionado, mas a literatura mostra exatamente o oposto: a erosão é mais frequente em jovens com manguito íntegro, pois a cartilagem resistente e a biomecânica eficiente concentram as forças de contato. Memorize essa relação paradoxal para não cair na armadilha.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de artroplastia do ombro, lembre-se do princípio biomecânico: quanto mais eficiente a transmissão de carga (manguito íntegro) e mais resistente o material (cartilagem jovem), maior o desgaste da glenoide nativa. Essa lógica se aplica a outras articulações também, como o quadril, onde a hemiartroplastia em pacientes jovens e ativos também apresenta maior risco de erosão acetabular.

Gabarito: letra A

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