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Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Quadrix 2024

MedicinaOtorrinolaringologia
Código
qg355245
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Um paciente de 47 anos de idade apresentou‑se com queixa de sonolência diurna, roncos noturnos e apneias, que foram presenciadas por sua esposa há 3 anos. O IMC marcava 28,7 kg/m². À oroscopia, havia amígdalas grau 4 de Brodsky e Mallampati modificado classe I. PO paciente encontrava‑se sem deformidades craniofaciais.Com base nessa situação hipotética e de acordo com o estadiamento de Friedman, trata‑se de um paciente estágio
  1. AII e, portanto, com grande chance de sucesso de tratamento com a uvulopalatofaringoplastia.
  2. BII e, portanto, sem indicação de realização de uvulopalatofaringoplastia.
  3. CII e, portanto, com pequena chance de sucesso de tratamento com a uvulopalatofaringoplastia.
  4. DI e, portanto, com pequena chance de sucesso de tratamento com a uvulopalatofaringoplastia.
  5. EI e, portanto, com grande chance de sucesso de tratamento com a uvulopalatofaringoplastia.
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GabaritoE — I e, portanto, com grande chance de sucesso de tratamento com a uvulopalatofaringoplastia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estadiamento de Friedman na apneia obstrutiva do sono

Gabarito: letra E. O paciente apresenta amígdalas grau 4 de Brodsky e Mallampati classe I, o que o classifica como estágio I de Friedman — e, nesse estágio, a chance de sucesso da uvulopalatofaringoplastia (UPFP) é grande. O estadiamento de Friedman combina o grau de tonsilas palatinas com a classificação de Mallampati modificada para prever a resposta cirúrgica, e é exatamente essa combinação que define o estágio e o prognóstico.

O estadiamento de Friedman é uma ferramenta clínica usada na síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) para estratificar os pacientes quanto à probabilidade de sucesso da cirurgia de vias aéreas superiores, especialmente a uvulopalatofaringoplastia. Ele se baseia em dois parâmetros anatômicos: o tamanho das amígdalas, graduado pela escala de Brodsky (graus 0 a 4), e a posição do palato mole e da língua, avaliada pela classificação de Mallampati modificada (classes I a IV). A lógica é que obstruções mais periféricas, como amígdalas grandes, são mais acessíveis cirurgicamente do que obstruções centrais, como colapso de base de língua.

O estadiamento divide os pacientes em quatro estágios (I a IV). O estágio I é definido por amígdalas grau 3 ou 4 (grandes) e Mallampati classe I ou II (palato alto e boa visualização). O estágio II ocorre quando há amígdalas grau 3 ou 4 com Mallampati classe III ou IV, ou amígdalas grau 1 ou 2 com Mallampati classe I ou II. O estágio III é caracterizado por amígdalas grau 1 ou 2 com Mallampati classe III ou IV. O estágio IV é reservado para pacientes com obesidade mórbida (IMC > 40 kg/m²), deformidades craniofaciais graves ou comorbidades significativas. A chance de sucesso da UPFP é inversamente proporcional ao estágio: no estágio I, a resposta cirúrgica é excelente (cerca de 80%); no estágio II, é intermediária (cerca de 40%); no estágio III, é baixa (cerca de 10%); e no estágio IV, a cirurgia isolada não é indicada.

No caso apresentado, o paciente tem IMC de 28,7 kg/m² (sobrepeso, mas não obesidade), amígdalas grau 4 de Brodsky (hipertrofia importante) e Mallampati modificado classe I (palato alto, boa visualização). Não há deformidades craniofaciais. Essa combinação — amígdalas grandes e Mallampati classe I — encaixa-se perfeitamente no estágio I de Friedman. Como o estágio I é o de melhor prognóstico cirúrgico, a UPFP tem grande chance de sucesso. A pegadinha da questão está em associar o estágio I a uma chance pequena de sucesso, invertendo a lógica do estadiamento: quanto mais baixo o estágio, melhor a resposta à cirurgia.

Guarde a relação entre o estágio e o prognóstico: estágio I = grande chance, estágio II = chance intermediária, estágio III = pequena chance, estágio IV = sem indicação. É exatamente essa gradação que as alternativas tentam confundir.

Estágio de Friedman

Amígdalas (Brodsky)

Mallampati modificado

Chance de sucesso da UPFP

I

Grau 3 ou 4

Classe I ou II

Grande

II

Grau 3 ou 4

Classe III ou IV

Intermediária

II

Grau 1 ou 2

Classe I ou II

Intermediária

III

Grau 1 ou 2

Classe III ou IV

Pequena

IV

Obesidade mórbida, deformidades craniofaciais graves ou comorbidades significativas

Sem indicação

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente é estágio II e que há grande chance de sucesso com a UPFP. O erro é duplo: primeiro, o paciente é estágio I, não II; segundo, a grande chance de sucesso é característica do estágio I, não do II. No estágio II, a chance de sucesso é intermediária, não grande.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente é estágio II e que não há indicação de UPFP. O erro está na classificação (é estágio I) e na conclusão: mesmo no estágio II, a UPFP pode ser indicada, embora com chance intermediária de sucesso. A ausência de indicação é típica do estágio IV, não do II.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente é estágio II e que há pequena chance de sucesso com a UPFP. O erro está na classificação (é estágio I) e na chance de sucesso: pequena chance é característica do estágio III, não do II. No estágio II, a chance é intermediária.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Acerta a classificação (estágio I), mas erra o prognóstico: afirma que há pequena chance de sucesso. No estágio I, a chance de sucesso da UPFP é grande, não pequena. Essa alternativa inverte a relação entre estágio e prognóstico.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Classifica corretamente o paciente como estágio I de Friedman (amígdalas grau 4 + Mallampati classe I) e associa a esse estágio uma grande chance de sucesso com a UPFP. Essa é a combinação esperada: estágio I é o de melhor prognóstico cirúrgico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão entre estágio e prognóstico. O candidato pode decorar que "estágio I = bom" e "estágio III = ruim", mas aqui a armadilha está em trocar a chance de sucesso: oferecer "estágio I com pequena chance" (letra D) para confundir quem sabe a classificação, mas não a consequência. Lembre-se: quanto menor o estágio, maior a chance de sucesso da UPFP.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de estadiamento de Friedman, monte uma tabela mental rápida: estágio I (amígdalas 3-4 + Mallampati I-II) = grande chance; estágio II (amígdalas 3-4 + Mallampati III-IV, ou amígdalas 1-2 + Mallampati I-II) = chance intermediária; estágio III (amígdalas 1-2 + Mallampati III-IV) = pequena chance; estágio IV (obesidade mórbida, deformidades) = sem indicação. Decore a combinação de amígdalas e Mallampati, e a chance de sucesso virá junto.

Gabarito: letra E

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