Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Quadrix 2024
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg355247
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Assinale a alternativa que apresenta o achado histopatológico característico de um colesteatoma.
Apresença de cistos glandulares
Bepitélio escamoso queratinizado
Ccélulas tumorais imaturas
Dinflamação granulomatosa crônica
Ecélulas epiteliais colunares ciliadas
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GabaritoB — epitélio escamoso queratinizado
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Colesteatoma: o achado histopatológico característico
Gabarito: letra B. O colesteatoma é uma lesão expansiva e erosiva do osso temporal, cuja característica histopatológica fundamental é a presença de epitélio escamoso queratinizado (estratificado) revestindo uma matriz de tecido conjuntivo, com acúmulo de queratina em seu interior. Essa é a definição clássica da doença, e é exatamente o que a alternativa B descreve.
O colesteatoma não é uma neoplasia verdadeira — não há proliferação de células tumorais imaturas (descartando a letra C) — mas sim uma lesão pseudotumoral, de natureza inflamatória e destrutiva, que se comporta como um tumor pelo seu crescimento localmente invasivo e pela capacidade de erodir estruturas adjacentes (ossículos, cóclea, canal semicircular, nervo facial, etc.). A compreensão desse conceito é essencial para a prática otorrinolaringológica, pois o diagnóstico precoce e o tratamento cirúrgico são fundamentais para evitar complicações graves, como perda auditiva, vertigem, paralisia facial e até complicações intracranianas (meningite, abscesso cerebral).
Histologicamente, o colesteatoma é composto por três elementos principais: (1) a matriz, que é o epitélio escamoso estratificado queratinizado; (2) o perimatriz, uma camada de tecido conjuntivo subepitelial, frequentemente com infiltrado inflamatório crônico; e (3) o conteúdo, que é o material de queratina descamada, que se acumula e causa erosão óssea por pressão e por ação de enzimas (colagenases, citocinas pró-inflamatórias). A presença de inflamação crônica é comum, mas não é o achado característico — ela é uma consequência secundária, não o elemento definidor. Por isso, a letra D, embora possa estar presente em alguns casos, não é a resposta correta.
A origem do colesteatoma pode ser congênita (raro, geralmente na orelha média, atrás de membrana timpânica íntegra) ou adquirida (mais comum, associada a disfunção da tuba auditiva, otite média crônica, retração da membrana timpânica ou perfuração marginal). Independentemente da origem, o epitélio escamoso queratinizado é o achado histopatológico que define a lesão. É importante distinguir o colesteatoma de outras lesões da orelha média, como o granuloma de colesterol (que apresenta cristais de colesterol e inflamação granulomatosa, mas sem epitélio escamoso) e os tumores glômicos (neoplasias vasculares).
A pegadinha desta questão está em confundir o colesteatoma com outras entidades otológicas ou com processos inflamatórios inespecíficos. O candidato que associa "colesteatoma" a "inflamação" pode cair na letra D, mas a inflamação é apenas um componente secundário. O que define a lesão é o epitélio escamoso queratinizado. Da mesma forma, a letra E (células epiteliais colunares ciliadas) descreve o epitélio respiratório normal da tuba auditiva e da orelha média, que é o tecido que o colesteatoma substitui — não o achado da lesão. A letra A (cistos glandulares) não corresponde a nenhuma característica do colesteatoma, sendo um distrator sem fundamento anatômico.
Guarde o critério decisivo: o colesteatoma é definido pela presença de epitélio escamoso queratinizado, não pela inflamação, não por células tumorais, não por epitélio respiratório. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
A presença de cistos glandulares não é característica do colesteatoma. Essa descrição lembra mais lesões císticas de glândulas salivares ou tumores de glândulas, mas não se aplica ao colesteatoma, que é uma lesão epitelial escamosa queratinizada, sem formação de estruturas glandulares.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O colesteatoma é caracterizado histopatologicamente pela presença de epitélio escamoso estratificado queratinizado, que reveste a matriz da lesão e produz o acúmulo de queratina responsável pela erosão óssea. Essa é a definição clássica e universalmente aceita da doença, sendo o achado que confirma o diagnóstico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O colesteatoma não é uma neoplasia maligna, portanto não apresenta células tumorais imaturas. Trata-se de uma lesão pseudotumoral, benigna em sua natureza celular, mas com comportamento localmente destrutivo. A presença de células imaturas seria indicativa de um processo neoplásico verdadeiro, como um carcinoma, o que não se aplica ao colesteatoma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A inflamação granulomatosa crônica pode estar presente em algumas complicações do colesteatoma (como na presença de granuloma de colesterol associado), mas não é o achado histopatológico característico da lesão. O elemento definidor é o epitélio escamoso queratinizado; a inflamação é um componente secundário e inespecífico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Células epiteliais colunares ciliadas descrevem o epitélio respiratório normal que reveste a tuba auditiva e parte da orelha média. O colesteatoma, ao contrário, substitui esse epitélio por epitélio escamoso queratinizado. Portanto, essa alternativa descreve o tecido que é substituído, não o achado da lesão.