Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Quadrix 2024
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg355249
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Em relação à amigdalite causada por mononucleose infecciosa, assinale a alternativa que apresenta o achado laboratorial mais característico.
Acontagem elevada de neutrófilos
Bpresença de células atípicas na contagem diferencial de linfócitos
Cníveis baixos de transaminases hepáticas
Dpositividade para anticorpos antiestreptolisina O (ASLO)
Eleucopenia com neutropenia acentuada
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GabaritoB — presença de células atípicas na contagem diferencial de linfócitos
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Mononucleose Infecciosa: Diagnóstico Laboratorial
Gabarito: letra B. O achado laboratorial mais característico da amigdalite por mononucleose infecciosa é a presença de células atípicas (linfócitos atípicos) na contagem diferencial de linfócitos, acompanhada de linfocitose. Essa é a alteração hematológica clássica que, somada ao quadro clínico, é altamente sugestiva da doença, conforme a literatura médica de referência.
A mononucleose infecciosa é uma doença viral causada pelo vírus Epstein-Barr (VEB), um herpesvírus da família Herpesviridae. Acomete principalmente crianças e adolescentes, sendo transmitida pelo contato com saliva contaminada — por isso é conhecida como "doença do beijo". O quadro clínico típico inclui febre, odinofagia, linfadenopatia (sobretudo cervical posterior), amigdalite membranosa e hepatoesplenomegalia. O diagnóstico é essencialmente clínico-laboratorial, e o hemograma desempenha papel central: a infecção pelo VEB induz uma resposta imune celular intensa, com proliferação de linfócitos T citotóxicos reativos contra as células B infectadas. Esses linfócitos reativos aparecem no sangue periférico como células atípicas (linfócitos atípicos ou células de Downey), que são o marcador hematológico mais característico da doença.
A literatura descreve critérios hematológicos específicos: linfocitose com mais de 50% de linfócitos no leucograma, sendo pelo menos 10% deles atípicos. Essa combinação é considerada altamente sugestiva de mononucleose infecciosa. O diagnóstico pode ser confirmado pela sorologia para o VEB (IgM anti-VCA na fase aguda) ou pelo monoteste (teste de anticorpos heterófilos), mas o hemograma com linfócitos atípicos é o achado laboratorial mais característico e frequentemente o primeiro a chamar a atenção do clínico.
É importante distinguir a mononucleose de outras causas de amigdalite, especialmente a faringite estreptocócica. Na amigdalite bacteriana por Streptococcus pyogenes, o hemograma costuma mostrar neutrofilia com desvio à esquerda, e a sorologia ASLO pode ser positiva (embora com cinética tardia). Já na mononucleose, a contagem de neutrófilos costuma estar normal ou discretamente reduzida, e o achado marcante é a linfocitose com células atípicas. Essa distinção é crucial, pois o uso de antibióticos betalactâmicos na mononucleose pode desencadear rash maculopapular pruriginoso.
A banca explora exatamente essa confusão entre o perfil hematológico da infecção viral (linfocitose com atipia) e o da infecção bacteriana (neutrofilia). O candidato que não domina o padrão hematológico da mononucleose tende a marcar a alternativa que menciona neutrófilos elevados, que é o achado típico da amigdalite bacteriana, não da viral. Guarde o critério decisivo: na mononucleose, o que chama a atenção no hemograma é a linfocitose com células atípicas, não a neutrofilia.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A contagem elevada de neutrófilos (neutrofilia) é o achado típico de infecções bacterianas, como a faringite estreptocócica. Na mononucleose infecciosa, o padrão hematológico é de linfocitose, não de neutrofilia. A neutrofilia com desvio à esquerda sugere etiologia bacteriana, o que contraria o perfil viral da mononucleose.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A presença de células atípicas na contagem diferencial de linfócitos é o achado laboratorial mais característico da mononucleose infecciosa. O hemograma típico mostra linfocitose (mais de 50% de linfócitos) com pelo menos 10% de linfócitos atípicos. Essas células atípicas são linfócitos T reativos à infecção pelo vírus Epstein-Barr e representam o marcador hematológico clássico da doença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Na mononucleose infecciosa, é comum haver elevação das transaminases hepáticas (AST e ALT) devido ao envolvimento hepático, que ocorre em parcela significativa dos pacientes. Níveis baixos de transaminases não são característicos; o esperado é elevação, ainda que discreta, refletindo a hepatite viral associada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A positividade para anticorpos antiestreptolisina O (ASLO) é um marcador de infecção bacteriana por Streptococcus pyogenes, útil no diagnóstico de febre reumática e de faringite estreptocócica. Na mononucleose infecciosa, a etiologia é viral (VEB), e o ASLO não é o exame característico. A sorologia específica para o VEB (IgM anti-VCA) é que confirma o diagnóstico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A leucopenia com neutropenia acentuada não é o padrão da mononucleose infecciosa. O hemograma típico mostra linfocitose, não leucopenia. Embora possa haver neutropenia discreta em alguns casos, o achado marcante é a linfocitose com células atípicas, e não a redução acentuada dos neutrófilos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o perfil hematológico da infecção viral pelo da bacteriana. Na mononucleose (viral), o hemograma mostra linfocitose com células atípicas; na amigdalite estreptocócica (bacteriana), há neutrofilia. O candidato que associa "amigdalite" a "neutrófilos elevados" cai na alternativa A. Lembre-se: a mononucleose é uma virose, e o padrão hematológico é de linfocitose com atipia — esse é o achado que o clínico procura.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar na prova, foque no hemograma: infecção viral → linfocitose (com atipia na mononucleose); infecção bacteriana → neutrofilia com desvio à esquerda. Na mononucleose, o diagnóstico é confirmado por sorologia (IgM anti-VCA) ou monoteste, mas o hemograma com linfócitos atípicos é o achado laboratorial mais característico e o primeiro a sugerir o diagnóstico.