Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Quadrix 2024
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg355250
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Quanto à amigdalite específica causada por Corynebacterium diphtheriae, assinale a alternativa que apresenta a característica clínica que mais a distingue de outras amigdalites.
Apresença de febre baixa
Bexsudato branco purulento bilateral
Clesões ulceradas nas amígdalas
Dformação de pseudomembrana acinzentada
Eadenopatia cervical unilateral
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GabaritoD — formação de pseudomembrana acinzentada
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Amigdalite diftérica: a pseudomembrana como marca registrada
Gabarito: letra D. A característica clínica que mais distingue a amigdalite causada pelo Corynebacterium diphtheriae das demais amigdalites é a formação de pseudomembrana acinzentada — placa aderente, de coloração acinzentada, que sangra ao tentar ser removida, típica da difteria. As demais alternativas descrevem achados comuns a outras etiologias (virais, estreptocócicas, etc.), não sendo específicas da difteria.
A difteria é uma doença infectocontagiosa aguda, causada pela toxina do Corynebacterium diphtheriae, que acomete preferencialmente as vias aéreas superiores, especialmente a faringe e as amígdalas. O quadro clínico clássico é o de uma faringoamigdalite com pseudomembrana — uma placa esbranquiçada-acinzentada, firme, aderente ao tecido subjacente, que sangra quando se tenta descolá-la. Essa característica é tão marcante que, na prática clínica, a presença de pseudomembrana aderente em amígdalas é considerada patognomônica de difteria até prova em contrário.
Diferentemente, nas amigdalites bacterianas comuns (estreptocócicas, por exemplo), o exsudato é purulento, branco-amarelado, e não adere à mucosa — pode ser removido facilmente com espátula, sem sangramento. Nas amigdalites virais, o quadro costuma ser mais brando, com hiperemia e edema, sem formação de placas aderentes. A febre, a adenopatia cervical e o exsudato purulento são achados inespecíficos, presentes em várias etiologias.
A adenopatia cervical na difteria pode ser bilateral e, em casos graves, acompanhada de edema cervical difuso (o chamado "pescoço de touro"), mas não é o sinal distintivo. A febre baixa pode ocorrer, mas não é específica. O exsudato branco purulento bilateral é típico de amigdalites bacterianas comuns, não da difteria. As lesões ulceradas nas amígdalas são mais comuns em outras condições, como a angina de Vincent (gengivoestomatite ulceronecrosante) ou infecções virais.
Portanto, a pseudomembrana acinzentada é o achado que, na prática, permite ao clínico suspeitar imediatamente de difteria, orientando a coleta de material para cultura e a instituição precoce de antitoxina e antibiótico. É esse o conhecimento que a banca explora na questão.
Amigdalite diftérica (C. diphtheriae)
1Sinal distintivo
Pseudomembrana acinzentada
Aderente
Sangra ao descolar
2Achados inespecíficos
Febre baixa
Exsudato purulento
Adenopatia cervical
3Diagnóstico diferencial
Amigdalite estreptocócica
exsudato purulento não aderente
Angina de Vincent: lesões ulceradas
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A febre baixa pode estar presente na difteria, mas também ocorre em muitas outras amigdalites virais e bacterianas. Não é um achado distintivo — a febre alta é mais comum nas amigdalites estreptocócicas, por exemplo. Portanto, não é a característica que mais distingue a difteria.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O exsudato branco purulento bilateral é típico das amigdalites bacterianas comuns, como a estreptocócica. Na difteria, o exsudato é uma pseudomembrana acinzentada e aderente, não um exsudato purulento solto. A alternativa descreve o achado de outra etiologia, não o da difteria.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Lesões ulceradas nas amígdalas não são características da difteria. Esse achado é mais associado a outras condições, como a angina de Vincent (fusospiroquetose) ou infecções virais (herpes). A difteria se manifesta com pseudomembrana, não com ulcerações.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A formação de pseudomembrana acinzentada é o sinal clássico e mais distintivo da difteria. A placa é aderente, de coloração acinzentada, e sangra ao tentar ser removida — diferentemente do exsudato purulento das amigdalites comuns, que é facilmente destacável. Esse é o achado que leva à suspeita clínica imediata de difteria.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Adenopatia cervical unilateral pode ocorrer em várias amigdalites, especialmente nas bacterianas (estreptocócicas). Na difteria, a adenopatia costuma ser bilateral e, em casos graves, acompanhada de edema cervical difuso ("pescoço de touro"), mas não é o sinal distintivo da doença.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato oferecendo achados comuns de outras amigdalites (exsudato purulento, febre, adenopatia) como se fossem específicos da difteria. O candidato que não conhece a pseudomembrana aderente e sangrante pode cair na alternativa B, que descreve o exsudato típico da amigdalite estreptocócica. Lembre-se: na difteria, a placa é acinzentada, aderente e sangra ao descolamento — esse é o diferencial.
Gabarito: letra D — a pseudomembrana acinzentada é a característica clínica que mais distingue a amigdalite diftérica das demais.