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Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Quadrix 2024

MedicinaOtorrinolaringologia
Código
qg355261
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Durante o tratamento de sinusite fúngica não invasiva em um paciente imunocompetente, foi identificado um fungo bola nos seios paranasais, sem invasão tecidual.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a abordagem terapêutica inicial recomendada.
  1. Auso de antifúngicos sistêmicos
  2. Birrigação nasal com solução salina hipertônica
  3. Ccirurgia endoscópica para remoção do fungo bola
  4. Dantifúngicos tópicos diretamente no seio paranasal
  5. Eacompanhamento clínico sem intervenção
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GabaritoC — cirurgia endoscópica para remoção do fungo bola

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sinusite Fúngica Não Invasiva: Abordagem Terapêutica

Gabarito: letra C. No paciente imunocompetente com fungo bola (micetoma) nos seios paranasais, sem invasão tecidual, a abordagem terapêutica inicial recomendada é a cirurgia endoscópica para remoção do fungo bola. O tratamento é essencialmente cirúrgico, pois a remoção mecânica do material fúngico é a medida curativa, sendo o uso de antifúngicos sistêmicos ou tópicos reservado para casos específicos, como doença invasiva ou imunocomprometimento.

A sinusite fúngica é classificada em duas grandes categorias: invasiva e não invasiva. A forma não invasiva, que é o caso do enunciado, ocorre tipicamente em pacientes imunocompetentes e se manifesta como um fungo bola (micetoma ou bola fúngica), que é um aglomerado de hifas fúngicas, muco e debris celulares que preenche um seio paranasal, mais comumente o seio maxilar. A característica fundamental é a ausência de invasão tecidual: o fungo permanece confinado à cavidade sinusal, sem penetrar na mucosa, submucosa, vasos ou osso. Por isso, o quadro clínico costuma ser indolente, com sintomas de sinusite crônica, como obstrução nasal, rinorreia, dor facial e cacosmia (sensação de mau cheiro).

A regra de ouro do tratamento da bola fúngica é a remoção cirúrgica completa do material fúngico. A cirurgia endoscópica funcional dos seios paranasais (FESS) é o procedimento de escolha, pois permite a abertura ampla do óstio do seio afetado, a visualização direta da cavidade e a remoção total do fungo bola, restaurando a drenagem e a ventilação sinusais. Na grande maioria dos casos, a cirurgia é curativa, e não há necessidade de terapia antifúngica adjuvante, uma vez que o fungo não invade o tecido e o paciente é imunocompetente. O uso de antifúngicos sistêmicos ou tópicos é reservado para situações específicas, como doença invasiva, imunocomprometimento ou recorrência após cirurgia adequada.

A distinção crucial que decide esta questão é entre a forma não invasiva (bola fúngica) e a forma invasiva da sinusite fúngica. Na forma invasiva, que acomete principalmente pacientes imunocomprometidos (diabéticos descompensados, neutropênicos, transplantados), o fungo invade a mucosa, os vasos sanguíneos e o osso, causando necrose tecidual e podendo se disseminar para órbita e sistema nervoso central. Nesse cenário, o tratamento é uma emergência e combina desbridamento cirúrgico agressivo + antifúngicos sistêmicos (como anfotericina B ou voriconazol). A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que não diferencia as formas pode optar por antifúngicos sistêmicos, que seriam inadequados como abordagem inicial para a bola fúngica em paciente imunocompetente.

A pegadinha desta questão é a tentação de tratar a infecção fúngica com antifúngicos, ignorando o princípio fundamental de que a bola fúngica é um corpo estranho dentro do seio, e a remoção mecânica é o tratamento definitivo. O fungo bola não é uma infecção tecidual que responde a medicamentos; é um acúmulo de material fúngico que precisa ser fisicamente removido. Guarde essa fronteira: não invasiva = cirurgia; invasiva = cirurgia + antifúngicos sistêmicos. É exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.

Critério

Forma Não Invasiva (Bola Fúngica)

Forma Invasiva

Paciente típico

Imunocompetente

Imunocomprometido (diabético, neutropênico, transplantado)

Invasão tecidual

Ausente (fungo confinado ao seio)

Presente (mucosa, vasos, osso)

Tratamento inicial

Cirurgia endoscópica (remoção do fungo)

Cirurgia agressiva + antifúngicos sistêmicos

Prognóstico

Curativo com cirurgia

Emergência, risco de disseminação

Sinusite fúngica
  • 1Não invasiva (imunocompetente)
    • Bola fúngica
    • Tratamento: cirurgia endoscópica
  • 2Invasiva (imunocomprometido)
    • Invade mucosa, vasos e osso
    • Tratamento: desbridamento + antifúngicos
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O uso de antifúngicos sistêmicos não é a abordagem inicial para a bola fúngica em paciente imunocompetente. A bola fúngica é uma forma não invasiva, e o fungo não penetra no tecido; portanto, a terapia sistêmica não é necessária e não é curativa, pois o material fúngico permanece no seio. Os antifúngicos sistêmicos são reservados para a forma invasiva da sinusite fúngica, que acomete imunocomprometidos, ou para casos de recorrência após cirurgia. A alternativa confunde o tratamento da forma invasiva com o da forma não invasiva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A irrigação nasal com solução salina hipertônica é uma medida adjuvante de higiene nasal, útil para aliviar sintomas de congestão e melhorar a drenagem, mas não remove o fungo bola e não é o tratamento definitivo. A bola fúngica é um aglomerado sólido aderido à mucosa sinusal, que não é eliminado por irrigação. A irrigação pode ser usada no pós-operatório para auxiliar na limpeza da cavidade, mas não substitui a remoção cirúrgica.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A cirurgia endoscópica para remoção do fungo bola é a abordagem terapêutica inicial recomendada. A remoção cirúrgica completa do material fúngico é o tratamento de escolha para a sinusite fúngica não invasiva em paciente imunocompetente, pois elimina o agente causal e restaura a drenagem sinusal. A cirurgia endoscópica funcional (FESS) é minimamente invasiva, permite a visualização direta e a remoção total do fungo, sendo curativa na maioria dos casos, sem necessidade de antifúngicos adjuvantes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os antifúngicos tópicos diretamente no seio paranasal não são a abordagem inicial e têm papel limitado no tratamento da bola fúngica. A aplicação tópica de antifúngicos não penetra adequadamente no material fúngico denso e não remove o fungo bola. Além disso, a instilação de medicamentos no seio é tecnicamente difícil e não é uma prática estabelecida como tratamento de primeira linha. A remoção cirúrgica é o pilar do tratamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O acompanhamento clínico sem intervenção não é recomendado para a bola fúngica. Embora a doença seja não invasiva e indolente, o fungo bola tende a persistir e pode causar sintomas crônicos, obstrução sinusal, e, em alguns casos, complicações como erosão óssea ou transformação para forma invasiva, especialmente se houver alguma alteração imunológica. A remoção cirúrgica é indicada para aliviar os sintomas e prevenir complicações, não sendo aceitável a conduta expectante.

Gabarito: letra C — a cirurgia endoscópica para remoção do fungo bola é a abordagem terapêutica inicial recomendada para sinusite fúngica não invasiva em paciente imunocompetente.

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