Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Quadrix 2024
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg355262
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Um paciente imunocomprometido de 56 anos de idade, com diagnóstico de leucemia aguda, em tratamento quimioterápico, apresentou dor intensa nos seios paranasais, febre e edema periorbital. A endoscopia revelou necrose da mucosa nasal e secreção escura.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico adequado.
Asinusite fúngica alérgica
Bsinusite fúngica não invasiva (fungo bola)
Csinusite bacteriana aguda grave
Dsinusite fúngica invasiva aguda
Esinusite crônica por Candida
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GabaritoD — sinusite fúngica invasiva aguda
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Sinusite Fúngica Invasiva Aguda em Paciente Imunocomprometido
Gabarito: letra D. O quadro descrito — paciente imunocomprometido (leucemia aguda em quimioterapia), dor intensa nos seios paranasais, febre, edema periorbital, necrose da mucosa nasal e secreção escura — é a apresentação clássica da sinusite fúngica invasiva aguda, uma emergência otorrinolaringológica. O diagnóstico diferencial entre as formas de sinusite fúngica se baseia na invasão tecidual, que é determinada pelo estado imunológico do paciente e pela presença de necrose.
A sinusite fúngica é classificada em duas grandes categorias: não invasiva e invasiva. A forma não invasiva inclui a sinusite fúngica alérgica e o fungo bola (micetoma), que ocorrem em pacientes imunocompetentes e não apresentam invasão tecidual. A forma invasiva, por sua vez, subdivide-se em aguda (fulminante) e crônica (indolente). A sinusite fúngica invasiva aguda é a mais grave e ocorre quase exclusivamente em pacientes imunocomprometidos, como neutropênicos, diabéticos descompensados ou em uso de quimioterapia. O agente etiológico mais comum é o Aspergillus spp., seguido por Mucor spp. e Rhizopus spp. (zigomicetos).
O mecanismo fisiopatológico envolve a invasão fúngica direta da mucosa e dos vasos sanguíneos, levando a trombose vascular, isquemia e necrose tecidual. Essa necrose é o que explica a secreção escura e o aspecto necrótico da mucosa nasal observado na endoscopia. A dor intensa e o edema periorbital indicam extensão da doença para a órbita, uma complicação grave que pode levar à perda visual. O diagnóstico é clínico e endoscópico, com confirmação por biópsia e cultura. O tratamento é emergencial e envolve desbridamento cirúrgico agressivo, antifúngicos sistêmicos (anfotericina B) e correção do fator imunossupressor.
A distinção entre as formas invasiva e não invasiva é crucial, pois o manejo e o prognóstico são completamente diferentes. Enquanto a forma não invasiva é tratada com cirurgia conservadora e, no caso da alérgica, com corticosteroides, a forma invasiva aguda exige intervenção cirúrgica radical e antifúngicos intravenosos. A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato que não associa a imunossupressão à forma invasiva pode ser levado a escolher uma alternativa incorreta, como a sinusite fúngica alérgica ou o fungo bola.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação entre o estado imunológico do paciente e o tipo de sinusite fúngica. O candidato pode confundir a sinusite fúngica invasiva aguda com a forma alérgica ou com o fungo bola, que ocorrem em imunocompetentes. A palavra-chave é imunocomprometido — é ela que direciona o diagnóstico para a forma invasiva. Além disso, a presença de necrose e secreção escura são sinais de invasão tecidual, que não ocorrem nas formas não invasivas.
Sinusite fúngica
1Não invasiva
Alérgica (imunocompetente)
Fungo bola (imunocompetente)
2Invasiva
Aguda (imunocomprometido)
Necrose tecidual
Secreção escura
Emergência
Crônica (indolente)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A sinusite fúngica alérgica ocorre em pacientes imunocompetentes, geralmente atópicos, e é caracterizada por pólipos nasais, secreção mucoide e eosinofilia. Não há necrose tecidual nem invasão vascular. O quadro descrito, com necrose e imunossupressão, é incompatível com essa forma.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O fungo bola (micetoma) é uma forma não invasiva que ocorre em seios previamente alterados, como em pacientes com sinusite crônica. O fungo se acumula sem invadir a mucosa, e o paciente geralmente é imunocompetente. A ausência de necrose e a imunossupressão do paciente afastam essa hipótese.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A sinusite bacteriana aguda grave pode causar dor, febre e edema periorbital, mas a necrose da mucosa nasal e a secreção escura são sinais de invasão fúngica, não bacteriana. A imunossupressão profunda do paciente aumenta o risco de infecção fúngica invasiva, que é a principal suspeita nesse contexto.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A sinusite fúngica invasiva aguda é a complicação mais temida em pacientes imunocomprometidos. A tríade de imunossupressão, necrose tecidual e secreção escura é altamente sugestiva. O diagnóstico precoce e o tratamento agressivo são essenciais para reduzir a alta mortalidade dessa condição.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A sinusite crônica por Candida é uma forma rara e geralmente não invasiva, que ocorre em pacientes com alterações anatômicas ou imunossupressão leve. O quadro agudo e necrosante descrito é mais compatível com a forma invasiva por Aspergillus ou zigomicetos, não com Candida.
Gabarito: letra D — sinusite fúngica invasiva aguda, uma emergência que exige diagnóstico e tratamento imediatos.